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Chuvas: planejamento e prevenção são o melhor caminho para que tragédias sejam evitadas

“Estão ocorrendo, infelizmente, perdas materiais e de muitas vidas, especialmente em Petrópolis, com centenas de pessoas mortas em decorrência das chuvas, até o momento”

Por Luiz Fernando Schettino

As Chuvas deste verão, mais uma vez, estão sendo volumosas e causando muitos estragos no Brasil. Primeiro no sul da Bahia, depois em algumas regiões de São Paulo e em grande parte de Minas Gerais; agora em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, Espírito Santo, novamente em Minas Gerais, e em muitas outras partes do País, com exceção da Região Sul, que está sendo castigada por seca em função dos efeitos da La Nina.

Estão ocorrendo, infelizmente, perdas materiais e de muitas vidas, especialmente em Petrópolis, com 176 pessoas mortes em decorrência das chuvas, até o momento.

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Ressalta-se que houveram vítimas fatais também no Sul da Bahia, no Espírito Santo, em Franco da Rocha e em outros municípios de São Paulo, e em vários municípios de Minas Gerais. Além disso, milhares de pessoas ficaram desabrigadas e tiveram perdas materiais irrecuperáveis, principalmente de casas, carros e móveis, causadas pelo deslizamento de encostas e alagamentos, com enormes transtornos à população.

Tudo isso nestes tempos tão difíceis de crise econômica-política, desemprego e pandemia, o que só aumenta a desesperança da população, principalmente dos mais pobres, obrigando de forma emergencial, muitas vezes paliativamente, o Poder Público a demandar enormes gastos de recursos a serem usados para combater efeitos e não causas dos problemas climáticos e socioambientais, os quais muitos poderiam ser evitados com custos menores, tanto para as pessoas, quanto para os agentes públicos.

Ressalta-se que a chuva é um fenômeno de ocorrência natural e cíclica, mas que sua ocorrência é cada vez mais agravada pelas mudanças climáticas, redução da cobertura florestal, ocupação sem critérios de segurança de áreas de risco, e pelo uso indevido do solo, seja por qual razão social ou econômica for.

A ocupação das Áreas de Preservação Permanente – APPs, previstas na legislação vigente – aumenta a possibilidade de desmoronamento de encostas, enquanto o uso inadequado dos solos dificulta a infiltração e facilita a erosão em face do aumento do escorrimento da água da chuva.

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Isso, somado à impermeabilização dos solos nas áreas urbanas e a disposição inadequada do “lixo”, colabora para o deslizamento de encostas e causa entupimento de galerias pluviais, gerando as “condições perfeitas” para que os efeitos da chuva sejam potencializados em termos de danos à população.

Tais questões que precisam passar a ter uma ação mais ativa, preventiva e coercitiva do poder estatal, para que depois não se lamente sobre os estragos causados e mortes ocorridas, como repetidamente tem sido visto.

Neste tema, mais do que nunca, a prevenção é o melhor remédio para que problemas sejam evitados, sendo necessário, porém, que os entes públicos, especialmente estados e municípios, apoiados fortemente pelo Governo Federal, adotem políticas, orçamentos e parcerias permanentes, para um adequado trabalho preventivo dos impactos de desastres naturais climáticos.

Nesse sentido, deve-se investir nos quesitos educação e conscientização da população, para que a mesma contribua na proteção do meio ambiente, não se excluindo da fiscalização sobre o uso e ocupação dos solos urbano e rural, e sobre os investimentos em estruturas cabíveis para zerar ou mitigar riscos em locais que assim os possuam.

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Para tal, no entanto são necessárias políticas públicas que, levando em conta estudos adequados e competentes, redesenhem as áreas das cidades com maior potencial crítico de ocorrência de desastres naturais por chuvas.

Tais ações precisam ter início imediatamente no pós-chuvas, visando à realização das obras cabíveis, como uma forte ação educativa envolvendo a sociedade de forma ampla e fiscalizatória por parte do poder público, para fazer frente aos impactos desse fenômeno natural. Obviamente não desconsiderando o atendimento imediato às populações atingidas.

Chuvas e enchentes sempre existiram e existirão, mas com a manutenção das áreas de cobertura florestal necessárias estabelecidas em leis, o uso e ocupação correta do solo, e o adequado preparo da população, muitas das perdas humanas e materiais podem ser evitadas e ou minimizadas.

Luiz Fernando Schettino é Engenheiro Florestal, Advogado e Doutor em Ciência Florestal, ex-Secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo.

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