65% da energia consumida pela empresa são provenientes de energias renováveis. A expectativa é ampliar essa participação para 100% até 2027
O lançamento do Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) para a estruturação de um projeto estratégico de autossuficiência energética para a Companhia Espírito-santense de Saneamento (Cesan) foi feito em Nova York, nos Estados Unidos, em um evento que contou com a participação do governador do Estado, Renato Casagrande, e do presidente da Cesan, Munir Abud.
O objetivo da Companhia, que já utiliza 65% da energia de fontes renováveis, é chegar a 100% até 2027. Para isso, busca propostas que apontem fontes renováveis ou que aproveitem o potencial energético dos sistemas de água e esgoto operados pela empresa.
O PMI é um chamamento público que convida empresas e consórcios a apresentarem estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental, bem como o levantamento de dados e soluções tecnológicas relacionadas ao tema. O prazo estimado para a entrega dos estudos é de 120 dias a partir do dia 13 de maio de 2025, data em que foi publicado o edital.
Turbinas
Entre os principais objetivos do procedimento está avaliar a viabilidade da instalação de turbinas geradoras, aproveitando a pressão existente nas redes de abastecimento de água; estudar possibilidades tecnológicas de geração de energia conectada às unidades operacionais da Cesan e analisar o potencial de conexão à rede elétrica por meio do modelo de geração distribuída.
Com uma matriz energética já parcialmente renovável, a Cesan gera atualmente 11.000 MWh/ano em sua usina fotovoltaica — o que representa 55% do consumo em baixa tensão da companhia. Além disso, 60% da energia utilizada pela empresa é adquirida no mercado livre. Em 2023, a Cesan recebeu a Certificação de Energia Renovável, com redução de 2.446 toneladas de CO₂ equivalente.
“A Cesan está comprometida com a inovação e a sustentabilidade. Com este PMI, buscamos soluções energéticas que unam eficiência econômica, responsabilidade ambiental e segurança operacional. É mais uma iniciativa que reforça nosso papel como uma companhia pública moderna, voltada para o futuro e conectada com as boas práticas globais de gestão. Levar nossos projetos ao cenário internacional é uma ponte estratégica para atrair investimentos e criar novas parcerias. O Espírito Santo está preparado para ser uma porta de entrada para negócios que alavanquem a economia brasileira por meio do saneamento”, enfatizou Munir Abud.
O anúncio aconteceu durante o Brazilian Regional Markets, evento que abre a Brasil Week, no dia 12 de maio de 2025, no Harvard Club de Nova York.
Investimentos em saneamento chegam a R$ 13 bilhões no ES
A Cesan vai buscar R$ 3,3 bilhões em parceria com a iniciativa privada para estruturar o projeto de autossuficiência energética, com foco na ampliação do uso de fontes renováveis e no aproveitamento do potencial energético dos sistemas de água e esgoto operados pela empresa. O projeto faz parte do esforço da companhia para garantir eficiência operacional, sustentabilidade ambiental e segurança no abastecimento energético de suas operações, com a meta de atingir 100% de energia renovável até 2027.
Segundo Munir Abud, presidente da Companhia, a iniciativa também busca estimular a participação de empresas capixabas, fortalecendo a cadeia produtiva local e promovendo inovação no setor de saneamento. Ele destaca que a iniciativa integra um pacote mais amplo, que soma cerca de R$ 13 bilhões em investimentos privados no saneamento básico do Espírito Santo, resultado de um ambiente de negócios favorável, sustentado pela solidez fiscal, estabilidade política e segurança jurídica do Estado.

Parcerias Público-Privadas (PPPs)
Dois grandes contratos de Parceria Público-Privada (PPP) para a coleta e o tratamento de esgoto em 43 municípios do Espírito Santo serão leiloados em junho de 2025, na sede da B3 (Bolsa de Valores de São Paulo). Na modalidade leilão de concorrência internacional, o investimento previsto é de quase R$ 7 bilhões ao longo de até 25 anos e representa mais um passo concreto na busca pela universalização dos serviços de saneamento básico no Estado.
O projeto prevê a transferência da gestão do esgotamento sanitário e dos serviços administrativos hoje executados pela Cesan para a iniciativa privada, por meio de concessão administrativa, permitindo que a concessionária vencedora atue em nome próprio, assumindo os riscos inerentes ao negócio. A modelagem da PPP foi desenvolvida pela Fundação Getulio Vargas (FGV), tendo sido submetida à consulta pública e, posteriormente, à análise do Tribunal de Contas do Estado.
Ao todo, o projeto beneficiará 1,18 milhão de capixabas, com a ampliação da cobertura dos serviços de esgotamento sanitário, sem impacto na atual tarifa de água e esgoto praticada pela Cesan. A iniciativa prevê a construção de 39 Estações de Tratamento de Esgoto (ETE), 219 Estações Elevatórias de Esgoto (EEE) e a implantação de 1.200 quilômetros de redes coletoras. Ao final das obras e com os imóveis ligados ao sistema, serão coletados, tratados e devolvidos ao meio ambiente milhões de litros de esgoto por dia, evitando a poluição de rios, praias e do mar capixaba, promovendo saúde pública e preservação ambiental.
Outro exemplo de PPP é o projeto para instalar uma usina de dessalinização para converter água do mar em potável no Espírito Santo. A expectativa é de que a usina tenha capacidade para converter 1.100 litros de água salgada para água doce por segundo, com volume compatível para abastecer uma cidade com mais de 550 mil habitantes.
A Cesan reforça, com esse movimento, seu compromisso com uma gestão moderna, alinhada às boas práticas globais, capaz de gerar valor para a população capixaba e atrair investimentos que promovam a sustentabilidade, a inovação e a eficiência dos serviços públicos de saneamento.
*Matéria publicada orginalmente na revista ES Brasil nº 227, de junho de 2025. Leia a edição completa do Anuário Verde aqui.

