Maurício de Oliveira será homenageado nesta quarta-feira (6), no Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, em Vitória
Por Thamiris Guidoni
Uma homenagem ao músico e compositor capixaba Maurício de Oliveira acontece nesta quarta-feira (6), no Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, em Vitória. A mesa-redonda reunirá os músicos e pesquisadores José Roberto Santos Neves e Rogério Borges de Oliveira.
O Instituto, dentro do Projeto Ciclo de Palestras 2025, promoverá o encontro em celebração ao centenário de nascimento de Maurício. Os palestrantes vão destacar a obra do homenageado e relembrar sua trajetória.
“Essa iniciativa de homenagear o centenário de Maurício de Oliveira partiu do presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, Getúlio Neves, do qual também faço parte. Fui convidado, juntamente com o secretário de Cultura da UFES, Rogério Borges, para falar sobre a importância da vida e da obra do Maurício para a música do Espírito Santo”, conta José Roberto.
Maurício nasceu em 19 de julho de 1925 (na verdade, em 1924, já que o pai o registrou um ano após o nascimento), numa residência humilde ao lado do Forte São João (atual Saldanha da Gama), no antigo Porto das Pedreiras.
Violonista e cavaquinhista, ele se apresentava desde os 11 anos. Aos 14, estreou na Rádio Espírito Santo. Foi também professor de violão e diretor da Escola de Música do Espírito Santo. É reconhecido como mestre de vários chorões de Vitória e uma das figuras mais relevantes da música popular capixaba. Faleceu em setembro de 2009.
“É bom falar sobre a importância do Maurício de Oliveira. Ele é considerado, sem sombra de dúvidas, o maior músico da história do Espírito Santo. Foi o artista que melhor traduziu o amor pelo estado através das cordas do seu violão. Há vários momentos marcantes na carreira dele. Primeiro, a atuação no regional da Rádio Espírito Santo, nos anos 1940. Depois, foi o primeiro músico capixaba a gravar um disco, em 1952. E, em 1955, conquistou o segundo lugar no Festival de Música da Juventude de Varsóvia, na Polônia”, relembra José Roberto.
E completa: “Estamos falando de um país que vivia sob regime comunista, apenas dez anos após o fim da Segunda Guerra Mundial. Maurício foi lá, apresentou a sua ‘Canção da Paz’ e encantou o público polonês. Teve várias oportunidades para mudar para o exterior, morar em Paris, construir uma carreira nacional — mas preferiu permanecer no Espírito Santo. Na década de 1960, tornou-se o primeiro músico brasileiro a gravar a obra completa de Heitor Villa-Lobos para violão. Depois, seguiu lançando discos lindíssimos, como um álbum em homenagem às próprias composições”.
Após sua morte, a Faculdade de Música do Espírito Santo passou a se chamar Faculdade de Música do Espírito Santo “Maurício de Oliveira”. Em 2010, foi criada a Comenda Maurício de Oliveira (Decreto Municipal 14.817), como forma de reconhecimento ao legado do maestro.
Mesa-redonda “100 anos de Maurício de Oliveira”
Data: quarta-feira, 6 de agosto
Horário: 18h30
Local: Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo | Av. República, 374 (Ed. Domingos Martins), Parque Moscoso, Centro de Vitória
Entrada gratuita
Palestrantes
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José Roberto Santos Neves – músico, jornalista, escritor, acadêmico da AEL e membro do IHGES
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Rogério Borges – músico, secretário de Cultura da UFES e membro do IHGES
Obs: a sede possui restrições de acesso para pessoas com mobilidade reduzida.
Estátua em Vitória
A estátua em homenagem a Maurício de Oliveira, inaugurada em maio de 2016 no calçadão da Praia de Camburi, foi construída por meio de parceria entre a Prefeitura de Vitória (via Secretaria Municipal de Cultura) e o Instituto Sincades.
A partir de um edital de chamamento público, o artista Fernando Poletti foi selecionado para executar a obra. A escultura, em tamanho natural, retrata o artista sentado em um banco, acompanhado de seu inseparável violão.
Além de homenagear uma das figuras mais emblemáticas da cultura capixaba, o objetivo da obra é incentivar a interação de moradores e turistas com a escultura.

