Espaço idealizado por Marcus Pansera se consolida como laboratório criativo e ponto de encontro de artistas locais, nacionais e internacionais
No coração do Centro de Vitória, a Casa Caipora vem se destacando como um dos espaços mais pulsantes da cena cultural capixaba. Idealizada por Marcus Pansera, a casa foi tema do mais recente episódio do podcast Destinos ES, revelando uma proposta que vai além da programação artística: trata-se de um verdadeiro ecossistema de criação, troca e experimentação.
Formado em economia, Marcus sempre soube que seu caminho estaria ligado à cultura. “Sou formado em economia, mas sempre quis trabalhar com cultura. A Casa Caipora é a materialização desse sonho”, afirma. E esse sonho se traduz em uma programação diversa e fora do convencional. “A nossa programação não é nada óbvia. Em um dia tem roda de samba, no outro funk, no outro MPB, no outro lançamento de um livro, gravação de filme…”, conta.
Localizada na Rua Nestor Gomes, a casa integra um movimento de retomada cultural do Centro de Vitória. Para Marcus, não é por acaso que esse território concentra iniciativas criativas. “É no Centro de Vitória que os artistas, que os criativos acabam se reunindo, é um espaço muito diverso e democrático, é um lugar que abraça essa diversidade artístico-cultural.” Ele destaca ainda o momento de transformação da região: “Cheguei no ES em 2017, não vivi tanto os ciclos do Centro, mas já ouvi isso que o Centro foi um local muito efervescente, depois deu uma caída e agora está voltando com tudo.”

O próprio nome do espaço carrega significado. “O nome Casa Caipora, para que as pessoas realmente se sintam em casa. E Caipora, resgatando nossa cultura popular — a Caipora é um ser que protege o ecossistema, e a cultura também é um ecossistema que precisa ser protegido. Precisamos ter uma rede de apoio muito grande. Ninguém solta a mão de ninguém, todo mundo se ajuda”, explica.
Esse senso de coletividade se reflete diretamente na forma como o espaço funciona. A Casa Caipora se tornou uma porta de entrada para muitos artistas. “As pessoas costumam procurar a casa para executar seus primeiros projetos, primeiro show, primeira festa, primeira exposição… a gente acaba funcionando como um laboratório criativo”, diz Marcus. Além de ceder o espaço, a equipe também orienta quem está começando. “A gente assume um papel de consultoria, mostrando como as coisas funcionam e aprendendo junto com quem ocupa a casa também.”
A proposta intimista é outro diferencial. Com capacidade reduzida e ambiente acolhedor, a experiência artística se torna mais próxima. “O clima intimista ajuda o artista a ter essa intimidade com o público. Tem artistas já consolidados que elogiam esse aspecto, falam que a troca é mais próxima, sem pressão comercial. Temos esse grande senso de comunidade.”
A democratização do acesso também é um dos pilares do projeto. “99% dos eventos são gratuitos. A gente incentiva que não tenha bilheteria para maior adesão do público e democratização do acesso”, afirma. Essa escolha também contribui para dar visibilidade a artistas independentes, muitas vezes ainda pouco conhecidos.
A Casa Caipora ultrapassa as fronteiras do Espírito Santo e já se tornou ponto de parada para artistas em circulação pelo Brasil — e até pelo mundo. “Muitos artistas de fora do estado, e até de fora do país, entram em contato conosco. Já tivemos um duo japonês que canta bossa nova, além de artistas do Pará, Bahia, Minas Gerais…”, relata. Esse intercâmbio cultural é um dos focos para o futuro. “Queremos continuar trazendo artistas de fora para um verdadeiro intercâmbio entre estados. Um artista indica o outro, todos se apoiando.”
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