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Carnaval: as contas depois da folia

A Independente de Boa Vista foi a grande campeã do carnaval capixaba este ano. Contando a história do povo cigano, a águia garantiu 179,7 pontos e levou o troféu para Cariacica. Mantendo a tradição, as comemorações após o resultado seguiram pela madrugada. Mas, passada a folia, uma pergunta marca a rotina da Azul e Branco de Itaquari: como pagar as contas?

Além da necessidade de reduzir os gastos, as dívidas aumentaram em relação a 2016, relata o presidente da agremiação, Emerson Xumbrega. “Gastamos R$ 740 mil para colocar a escola na avenida este ano. Já conseguimos pagar pouco mais de R$ 550 mil. Mas ainda temos R$ 190 mil de dívidas acumuladas. Somente hoje recebi 14 ligações de uma mesma pessoa e não posso tirar a razão dela”, desafaba.

Ele explica que parte dessa dívida será sanada com os recursos distribuídos pela Liga Espírito-Santense das Escolas de Samba (Lieses), que foram arrecadados com a comercialização de ingressos, camarotes e espaços publicitários para o evento, ocorrido em 17 e 18 de fevereiro.
“Outro dia alguém me perguntou: mas vocês não ganharam um prêmio por serem campeões? E quando lhe respondi que as vencedoras do primeiro e do segundo lugar do Grupo Especial recebem, respectivamente, R$ 20 mil e R$ 10 mil, e que as do Grupo A ganham R$ 10 mil e R$ 5 mil, a pessoa não acreditou.  As escolas que ficam em terceiro lugar não ganham nada.”

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Carnaval: as contas depois da foliaMas, para zerar as contas, a escola terá de realizar outros eventos. “Não tem outro jeito a não ser aproveitando o espaço da quadra com festas e shows. Em abril faremos a Feijoada da Vitória, na tentativa de conseguir parcerias com a iniciativa privada e arrecadar algum dinheiro que ajude a diminuir o número de cobradores na porta. Depois, pensar em outras opções.”

Xumbrega disse ainda que este ano a escola deverá reforçar algumas ações na tentativa de se organizar melhor, conquistar algum recurso antecipado e garantir o começo dos trabalhos para o desfile de 2018. “Vamos mandar um projeto para a Lei Rouanet e intensificar na comunidade a importância de ajudar a escola, com a compra antecipada de fantasias, em até seis parcelas.”

E as dívidas acumuladas durante a preparação não são exclusividade da Boa Vista. Vice-campeã do carnaval, a Mocidade Unida da Glória (179 pontos) também não sabe quanto tempo irá levar para equilibrar as finanças. “Desde novembro já sabíamos que, se não fizéssemos essas dívidas, o desfile não aconteceria.

Está tudo muito lindo, preparamos um grande espetáculo para capixabas e turistas, mas conscientes de que vamos enfrentar uma batalha muito difícil, porque não sabemos de onde conseguir recursos para pagar o restante da dívida com prestadores de serviço que nos atenderam. Gastamos quase R$ 900 mil para fazer um grande carnaval, e as dívidas não são poucas”, alertou o presidente Roberto Ribeiro, o Robertinho da MUG, um dia antes da escola desfilar no Sambão do Povo.  Carnaval: as contas depois da folia

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Em terceiro lugar ficou a Unidos da Piedade (178,7), que não recebeu prêmio algum. E a Andaraí, escola da comunidade do bairro Santa Martha, na capital, subiu para o Grupo Especial. Fato é que, vencedoras ou não, todas as agremiações têm hoje em comum uma pilha de contas a pagar.

Nos últimos cinco anos, o desfile das escolas de samba do Espírito Santo, realizado uma semana antes do carnaval oficial do Brasil, tem atraído cada vez mais foliões capixabas e turistas de diferentes estados. A presença de atores e atrizes famosos no Sambão do Povo e a parceria com compositores renomados como Dudu Nobre e Diogo Nogueira demonstram esse reconhecimento nacional sobre a importância do evento.

Carnaval: as contas depois da foliaEste ano, em meio a uma das piores crises de segurança do país, deflagrada com a ausência da Polícia Militar nas ruas do Espírito Santo, agremiações e amantes da folia chegaram a temer que o evento fosse cancelado.

“Por causa do momento, o carnaval deste ano teve uma redução de 30% nos recursos em relação ao de 2016. Porém, quanto aos números de empregos diretos nas escolas, houve um acréscimo de 25%, e de 20% nos postos indiretos. O público superou o de 2016, nos dois dias: mais de 55 mil pessoas entre quem desfilou e foi assistir ao grande espetáculo”, detalha o presidente da Lieses, Rogério Sarmento.

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Ainda segundo ele, a Liga não teve acesso à informação relacionada à quantidade de turistas. “Porém, tivemos muitos ingressos adquiridos em cidades de outros estados, como Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Belo Horizonte.”

O dirigente reiterou a reclamação dos anos anteriores de que o principal entrave para que o carnaval capixaba atraia ainda mais turistas e divisas para a economia local é o envolvimento maior da iniciativa privada, como ocorre em outros locais. “Quando os empresários entenderem a dimensão do retorno que o carnaval dá para a marca, então teremos um cenário melhor. Temos ainda poucas empresas que prestigiam o nosso carnaval”.

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