Com um hall exclusivo e um restaurante dedicado à gastronomia nacional, o Brasil transforma sua participação na Marmomac 2025 em experiência imersiva
Por Kikina Sessa
O setor de rochas naturais no Brasil nasceu impulsionado por imigrantes italianos que trouxeram sua experiência, visão empreendedora e valores familiares para um país que viria a se tornar uma das maiores potências mundiais do segmento, detentor da maior geodiversidade do globo.
Hoje, cerca de 70 anos depois, o Brasil se prepara para viver um momento histórico: será o único país com um pavilhão exclusivo na Marmomac 2025, a mais importante feira mundial dedicada à cadeia produtiva da pedra, realizada anualmente em Verona, na Itália. Neste ano, a feira acontece de 23 a 26 de setembro.
A ocupação integral do Hall 1 da Marmomac 2025 por empresas brasileiras representa um marco inédito na trajetória internacional do setor de rochas. Pela primeira vez, o Brasil assume sozinho um dos espaços mais nobres da feira, reafirmando a relevância que conquistou no mercado global e retomando simbolicamente suas origens, ligadas à imigração italiana.
É também uma forma de homenagear os pioneiros que deram os primeiros passos dessa indústria no país, muitos deles já ausentes, mas com legados que permanecem vivos. Para completar essa presença de forma autêntica e envolvente, o pavilhão contará com um restaurante dedicado à culinária brasileira, que reforça os laços culturais e convida o mundo a experimentar um pouco do Brasil.
De legado a liderança
Desde os primeiros passos da indústria, figuras como Giorgio Veneziani (Sociedade Marmífera), responsável por levar ao mundo o icônico Azul Bahia; Enrico Guarneri (Guarnieri Ltda), Guido Bissi e Cláudio Bissi (Granimar); Dino e Dante Napoli (São Sebastião), Jean Guagni dei Marcovaldi (Marcovaldi Granitos), Gianfranco Biglia (Icesa), precursor do Bege Bahia e do famoso Super White, bem como Benjamin Zampirolli (Mineração Capixaba) e Luiz Scaramussa (Santo Antonio Stones), precursores do setor de rochas na região Sul do Espírito Santo, entre tantos outros pioneiros, foram fundamentais na criação das bases técnicas e comerciais da atividade no Brasil. Embora muitos já tenham partido, suas histórias seguem presentes nos pilares da indústria e nas contribuições que moldaram as gerações seguintes.
Hoje, esse caminho é representado por empresários italianos que continuam atuando com protagonismo e visão de futuro. Bruno Zanet (Marmi Bruno Zanet Brasil) é um dos nomes que ajudaram a projetar a pedra brasileira internacionalmente, sendo peça-chave no desenvolvimento de jazidas no Norte do Espírito Santo, maior Estado exportador do país.
Sandro Verzola (Vitória Stone e Pedreiras do Brasil), construiu alianças globais que abriram mercados estratégicos ao Brasil, enquanto Luca Burlamacchi (Decolores) elevou sua empresa a um novo patamar de gestão, identidade e posicionamento no setor. Stefano Madrigali (Asa Branca) também integra esse grupo, tendo sido responsável por impulsionar diversas pedras naturais brasileiras no mercado externo. Já Giulio Malenza (Corcovado/Brasigran) segue como uma das grandes referências do setor sendo exemplo de protagonismo, continuidade familiar e visão estratégica.
Também merecem destaque empresários como Alberto Antolini (Antolini) e Giovani Caruso (Alfa Graniti), Geane Carnevale (Marmo Orobici) e Giovane Conterno (Favorita), além líderes de empresas de insumos como Dino Bombana (Tenax), que, mesmo iniciando suas atividades na Itália, expandiram suas operações para o Brasil e contribuíram fortemente para o desenvolvimento da cadeia produtiva nacional. Todo esse legado, construído por diferentes gerações, ajuda a explicar o papel de destaque que o Brasil assumirá na Marmomac Itália.
Protagonismo traduzido em resultados
A maior parte do Hall 1 da Marmomac 2025 será ocupada pelo Pavilhão Brasileiro, que reunirá 30 empresas participantes do It’s Natural – Brazilian Natural Stone, projeto setorial realizado pelo Centrorochas. Além delas, outras 10 empresas estarão presentes de forma individual, compondo uma presença nacional ampla e expressiva em uma área de aproximadamente 4 mil metros quadrados. Para as empresas do Pavilhão Brasileiro, a expectativa é de gerar aproximadamente US$ 10 milhões em negócios imediatos e US$ 50 milhões ao longo dos 12 meses seguintes, resultado direto da visibilidade estratégica e da força institucional reunida no maior evento mundial da cadeia produtiva da pedra.
“A edição deste ano da Marmomac Itália ficará marcada pelo reencontro do setor de rochas naturais brasileiro com suas raízes. Não mais como aprendiz ou mais um país entre tantos outros, mas como protagonista, sendo o primeiro país a ter um hall exclusivo para si. A história do setor no Brasil foi feita por muitas mãos e muitos ciclos, é justo preservar essa memória e reconhecer todas as contribuições feitas até aqui e as que seguem contribuindo para o forte desenvolvimento do país e respeito no mundo inteiro”, destaca Tales Machado, presidente do Centrorochas. Com informações CentroRochas

