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quinta-feira, 18 abril, 2024

Brasil começa exportar Óleo de Palma sustentável

Navio Wappen Von Leipzig que leva a carga de u00f3leo de palma orgu00e2nico u00e0 AlemanhaApós conquistar o certificado internacional emitido pela RSPO (Roundtable on Sustainable Palm Oil/ Mesa Redonda do Óleo de Palma Sustentável) em agosto de 2011, a Agropalma fecha venda do primeiro lote de óleo de palma sustentável para uma companhia em Hamburgo, na Alemanha, que recebe os produtos a partir de fevereiro.
Com saída pela região portuária de Belém (PA), o embarque do navio Wappen Von Leipzig incluirá o Brasil num seleto e reduzido número de países produtores e exportadores da matéria-prima. A Agropalma exportará 6400 toneladas de óleo de palma e 500 toneladas de óleo de palmiste, ambos certificados pela RSPO, o que rende a companhia um prêmio sobre o preço de US$ 13,00/tonelada para o óleo de palma e US$ 15,00/tonelada para o óleo de palmiste.
Somente com prêmios obtidos pela certificação RSPO, a empresa espera faturar nesse ano cerca de US$ 1,5 milhão. O certificado foi obtido após uma auditoria (que segue oito princípios, 39 critérios e mais de 190 indicadores sociais, ambientais, técnicos e econômicos) realizada no entorno da Agropalma, que abriga 40 mil hectares de plantios, cinco usinas de extração e uma refinaria no Pará.
Além desses, outras 1000 toneladas de óleo de palma orgânico também estarão no navio. A este óleo, além da certificação RSPO e o correspondente prêmio, soma-se um acréscimo de mais US$ 10,00/tonelada, fruto de outra certificação, a EcoSocial. O valor correspondente ao prêmio dos produtos orgânicos é totalmente aplicado em programas de educação de jovens e preservação ambiental na Amazônia. Muito conhecido no mercado internacional, o óleo de palma orgânico da Agropalma já foi exportado a países como Alemanha, França, Holanda, Israel, Coréia do Sul, Estados Unidos e Canadá. “O perfil do consumidor muda a passos largos e os novos entrantes são jovens atualizados com esses novos conceitos e não aceitam mais que práticas nocivas a nova realidade socioambiental faça parte de um produto ou marca. Isso despertou o interesse das multinacionais, que, cada vez mais, ampliam suas linhas de produtos orgânicos e sustentáveis. Tal movimento tem proporcionado um novo ritmo no mercado internacional”, explica Marcello Brito, diretor comercial e de sustentabilidade da Agropalma.
No Brasil, não há indícios de que o mercado enxergue a sustentabilidade das matérias-primas como um ponto de crucial importância, pelo menos nesse momento. “Dos clientes atuais da Agropalma no país, a exceção de algumas grandes multinacionais do setor de alimentos e cosméticos, somente duas empresas demonstraram interesse em ter 100% de seu fornecimento calcado num produto de origem sustentável”, completa o executivo.
A venda do primeiro lote de óleo de palma sustentável, certificado pela RSPO, abre uma nova fronteira à agricultura brasileira e, principalmente, ao modelo de agricultura a ser praticada nas áreas degradadas da Amazônia. Segundo Brito, isso mostra que, apesar das dificuldades enfrentadas com a questão fundiária, leis trabalhistas obsoletas, legislação ambiental indefinida e estrutura logística deficiente, é possível produzir um bem agrícola, gerando riqueza e desenvolvimento social ao mesmo tempo em que se mitiga os danos ambientais inerente à produção de qualquer bem, seja ele alimento ou não.
O grande salto no consumo de óleo de palma sustentável deverá ocorrer a partir de 2015, prazo definido por alguns gigantes do setor de consumo de óleo de palma em um compromisso público de somente utilizá-lo com certificado sustentável. Neste hall entram Unilever, Cargill, Nestlé, Carrefour, Tesco, Wal-Mart, Henkel, entre dezenas de outros, e até países como Holanda e Bélgica, que por meio de associações patronais, em parceira com os governos, também limitarão suas importações a partir do final de 2015 a óleo de palma certificado RSPO. “Espera-se então que esse mercado atinja um patamar entre 12 a 15 milhões de toneladas anuais, o que equivale a mais de três vezes o mercado atual”, finaliza Brito.

 

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