“A cada incidente surge uma nova regra ou um reforço as regras já determinadas, os acidentes aéreos nunca ocorrem por um motivo só”, disse Mário Barbosa
Por Amanda Amaral
Somente em 2025, foram registrados no Brasil 23 acidentes aéreos, que geraram 11 óbitos. Em 2024, o número bateu um recorde de oito anos. As informações são do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Sipaer), gerido pela Força Aérea Brasileira (FAB).
Mas quais as causas para este aumento? Somente esta semana, dois acidentes ocorreram. Na terça-feira (12), um boieng da Gol colidiu com um veículo no Aeroporto do Galeão e, na segunda-feira (10), um avião de pequeno porte caiu na Bahia, deixando uma pessoa morte e outra ferida.
No Brasil, 2024 teve o maior número de acidentes aéreos da série histórica do Painel Sipaer. Foram 175 acidentes e 152 mortes por este motivo no País no ano passado – o índice de fatalidade (número de mortes por quantidade de acidentes) também foi o maior dos últimos 10 anos, ficando em 86,9%.
O aviador e ex-comissário de voo, o administrador de empresas Mario Barbosa, acredita que a causa pode estar relacionada à educação. “A minha teoria tem mais a ver com algo além da aviação. Acredito que a educação em geral apresenta problemas e agora isto chega a níveis absurdos. As pessoas estão cada vez mais incompetentes, no sentido real da palavra, de não terem capacitação para tal função ou atividade ou de estarem no mercado sem terem absorvido o suficiente. Isso está acontecendo na aviação e vai acontecer também em outras áreas do conhecimento”, comentou.
Elos quebrados
O aviador exemplifica o acidente ocorrido no Aeroporto do Galeão. “Existem acidentes que a gente não entende muito como acontece. Só trabalhamos com hipóteses neste momento, mas alguém não seguiu as regras, especialmente, no momento da decolagem. A investigação vai detalhar o que precisar mudar”, disse.
Mário Barbosa ressalta a teoria do despreparo de profissionais em absorver a informação e o conhecimento existente. “Existem coisas absolutamente evitáveis. A investigação aponta onde ocorreram falhas. Mas para mim tem a ver com a formação dos profissionais do setor, da educação dos indivíduos, apesar de a aviação trazer capacitações bastante rígidas”, comenta.
Na aviação, diferente do que ocorre no Sistema Rodoviário, não se busca culpados, mas sim respostas, segundo o aviador: “A cada incidente surge uma nova regra ou um reforço as regras já determinadas, os acidentes aéreos nunca ocorrem por um motivo só. Ele é a soma de elos quebrados. É a soma de diversos fatores, pois a aviação é muito redundante nos seus sistemas de segurança, que são bastante rígidos e completos”.

Redes sociais
Sobre o grande volume de registros por câmeras e a divulgação de imagens em redes sociais, o que pode reforçar a sensação de que houve aumento no número de acidentes aéreos, o aviador avalia: “os resultados dessas investigações trarão as respostas, e os acidentes são monitorados pelo Cenipa. Hoje tudo é filmado, mas o aumento de informações disponíveis não indica necessariamente um aumento de ocorrências”.
Uma semana atrás, um avião de pequeno porte caiu no meio da Avenida Marquês de São Vicente, em São Paulo, o piloto e copiloto morreram e seis pessoas em um ônibus atingido tiveram ferimentos leves. No mês passado, um avião tentou pousar no Aeroporto de Ubatuba, no litoral paulista, e explodiu na praia, deixando uma pessoa morta e quatro gravemente feridas.

