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Augusto Ruschi, um caçador de maravilhas

Ruschi deixou um grande legado e uma grande lição para todos nós: o amor e a importância da natureza

Por Manoel Goes

Augusto Ruschi (1915/1986) faleceu aos 71 anos, em 3 de junho de 1986, há 38 anos nesse mês de junho. Quis o destino que a sua morte viesse de dentro da mata, onde procurando uma espécie rara de beija-flor, foi envenenado por um tipo de sapo em 1976.

Mesmo doente, com o fígado debilitado, sobreviveu por dez anos. Tentou de todas as formas curar-se desse veneno. Até pajelança experimentou em 1986, quando se reuniu com um grupo de índios no Parque da Cidade, no Rio de Janeiro, para um ritual de purificação e cura, após diversos tratamentos médicos convencionais, comovendo todo o Brasil, com repercussão internacional. Mas infelizmente, as coisas das matas não foram suficientes para curá-lo.

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Deixou um grande legado e uma grande lição para todos nós: o amor e a importância da natureza. Para Ruschi, os beija-flores, as orquídeas e a natureza em geral são sinônimos de arte e do belo, onde a natureza é, de fato, um convite ao aprendizado e à contemplação das suas cores, formas e texturas, fonte de inspiração. Afirmava Ruschi: “A capacidade de destruir do homem partiu do arco e flecha, chegou à bomba atômica e irá muito além. Mas a natureza lhe cobrará tributos cada vez maiores, e se desejarmos continuar como elementos integrantes dessa mesma Natureza, a quem devemos uma grande parcela da nossa existência, façamos-lhe justiça, conservando-a”.

Era agrônomo de formação, ecologista, naturista e professor, com vasta produção técnica-cientifica, conhecedor dos vários ramos da biologia. Sua biografia é riquíssima e extensa. Era uma autoridade mundial em beija-flores e orquídeas. Teve vários embates políticos na proteção das matas virgens e foi provavelmente o primeiro e mais importante agitador ecológico de que se tem notícia, com marcante atuação no Brasil com grande respeitabilidade internacional.

Um capixaba destemido, não tinha medo de nada, foi um caçador de maravilhas, desafiava os poderosos para defender as suas ideias, suas florestas e seus animais, lutando por isso até morrer, em 1986.

Manoel Goes é produtor cultural, escritor e diretor no IHGES.

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