Associativismo: defesa dos interesses de uma categoria e estratégia de crescimento

O mundo está caminhando em um ritmo acelerado e para que o mercado continue em crescimento é necessário que as categorias atuem com o mesmo ideal

Tecnologia, inovação, cooperação, futuro – e sobretudo futuro do trabalho – têm sido palavras recorrentes no mercado. Pudera! Todas elas estão absolutamente alinhadas à realidade em que estamos vivendo, regida pela conectividade, pela inquietação constante e zero acomodação. No entanto, tão contemporânea quanto essas palavras do momento existe outra, um pouco mais antiga, é verdade, mas que também integra essa teia de conexão. Estou me referindo ao associativismo.

Por definição, associativismo é uma tendência ou movimento de trabalhadores ou empresários que se congregam em associações representativas (órgãos de classe, sindicatos, etc.) para a defesa de seus interesses. E o que isso tem a ver com o movimento tecnológico e inovador que marca o mercado?

O associativismo, em seu conceito mais amplo, está intimamente ligado às palavras que estão regendo o mercado. Preconiza, sobretudo, cooperação entre as empresas do mesmo setor. E some-se a isso um detalhe que faz a diferença. Se bem conduzido, funciona como estratégia de crescimento.

“O mundo está girando numa velocidade também acima da média. Mas acredito que ainda haja tempo para recuperar o tempo perdido”

Contudo, mesmo em face do incontestável momento de transformações aceleradas em que vivemos, momento este em que a informação e a troca de experiências são ouro dentro das organizações, parte do empresariado brasileiro continua insistindo no mesmo erro, ou seja, não faz uso dessa gama de possibilidades que está à sua volta. Por medo, por desconfiança no outro, por falta de confiança em si próprio.

Parte do empresariado continua encarando o empresário vizinho como seu concorrente em potencial. Resultado: se coloca numa redoma de vidro e prefere trabalhar de maneira individualista, quando na verdade o faz a roda girar é a união e a parceria.

Enquanto o mundo e o mercado fazem um chamado por cooperação e coletividade, vejo dirigentes e empresários tomando a direção contrária, quando o que precisamos é de união, fortalecimento, de projetos e ações para o setor e para o segmento, de construir bons negócios para todos, e não para um grupo apenas. Mas para fazer isso precisamos de pessoas, cooperativismo e coletividade. Ninguém faz nada sozinho, essa é uma das grandes verdades do mundo!

Nesses seis anos à frente de uma entidade sindical, muitas foram as vezes em que ouvi a palavra associativismo. Da mesma forma, muitas foram as vezes em que a falei. Noto, porém, que muitos dos seus defensores não vivem o associativismo de forma plena. Ainda noto espírito colaborativo abaixo da média entre tantos colegas de luta.

O mundo está girando numa velocidade também acima da média. Mas acredito que ainda haja tempo para recuperar o tempo perdido. Acredito que ainda haja tempo para esses companheiros “pegarem uma carona” e mergulharem na essência do que preconiza o associativismo: a cooperação. Por nossas empresas, por nossas entidades, por nossos negócios, por nossos profissionais e, sobretudo, pela garantia de nosso futuro.


Liemar Pretti é diretor da unidade Cargas do Grupo Pretti e presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas & Logística no Estado do Espírito Santo (Transcares).

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