Diretora do Sesc-ES, Monica Velasques fala sobre a democratização do acesso ao lazer, além da importância de apresentar o Espírito Santo aos próprios capixabas
Por Ludmila Azevedo
Na mais recente edição do podcast Destinos ES, a diretora de Hospitalidade, Turismo e Lazer do Sesc Espírito Santo, Monica Velasques, trouxe à tona um tema que conecta inclusão, cultura e pertencimento: o turismo social. Ao longo da conversa, ela destacou o papel transformador das ações voltadas para os trabalhadores do setor de comércio, bens, serviços e turismo, que têm direito a uma ampla gama de atividades por valores acessíveis.
“O Sesc oferece excursões com transporte, hospedagem, guia de turismo credenciado e seguro-viagem. São passeios com tudo incluído, pensados para oferecer ao comerciário uma experiência completa e segura”, explicou Monica. Segundo ela, o público atendido é bastante amplo — e ainda pouco informado sobre seus direitos. “Funcionários de hospital particular, escolas, supermercados, bares, restaurantes, agências de turismo estão dentro dos profissionais que têm direito a adquirir uma carteirinha do Sesc”, completou a executiva.
Ou seja, podem fazer a carteirinha todos os profissionais de carteira assinada do ramo de comércio, bens, serviços e turismo, além de seus dependentes. “Você pode incluir pai, mãe, esposa, esposo, filhos e irmãos menores de 21 anos. Aposentados também têm direito, desde que comprovem o vínculo com o setor”, detalhou a diretora.
As atividades oferecidas fazem parte de cinco programas principais: cultura, educação, assistência, saúde e lazer. Entre os destaques estão os parques aquáticos localizados em Aracruz (Praia Formosa), Guarapari, Colatina e São Mateus. “São espaços com hospedagem e lazer voltados para os comerciários e seus dependentes, com valores acessíveis”, enfatizou Monica.
No campo das viagens, a programação inclui desde excursões de um dia dentro do estado até pacotes para outras regiões do Brasil. “Tivemos recentemente uma viagem para João Neiva, com a rota dos queijos. É uma experiência completa que envolve gastronomia, história local e muita troca cultural”, relatou Monica. Segundo ela, as atividades proporcionam mais do que lazer. “É uma forma de apresentar ao capixaba a sua própria história. Temos relatos incríveis de memórias afetivas, de pessoas que se entenderam parte daquele destino.”
As viagens em grupo também favorecem o convívio e criam novas conexões. “Muita gente viaja sozinha e acaba fazendo amizades. Já tivemos até relato de casamento nascido em uma dessas excursões”, comentou com bom humor. A diretora também lembrou dos aspectos de segurança. “Para muitas mulheres, por exemplo, é mais seguro viajar com o Sesc, que oferece toda a estrutura, com guias e seguro incluso.”
O alcance das ações vai além das fronteiras capixabas. “Em 2024, tivemos mais de 40 grupos, sendo 26 vindos de Minas Gerais. Eles vêm justamente para consumir a cultura capixaba, a história do Espírito Santo”, contou. E para quem deseja ir além do estado, o Sesc oferece meios de hospedagem em várias regiões do Brasil. “Hoje temos cerca de 41 unidades hoteleiras no país inteiro com valores acessíveis para os comerciários”, disse Monica.
Ela citou o exemplo de uma senhora com quase 80 anos, moradora do interior, que nunca tinha pisado na areia da praia por falta de oportunidade, para ilustrar a importância do papel social do turismo para democratizar o acesso ao lazer para todos, transformando vidas. Isso mostra como o turismo social pode mudar vidas. “Nosso foco é oferecer um dia de descanso, de aprendizagem, de vivência. É lazer com sentido”, finalizou.

