Ferramenta de IA criada pelo governo federal simplifica o acesso a informações sobre importação e exportações e deve gerar ganhos ao setor produtivo capixaba
Por Kikina Sessa
Uma nova aliada promete transformar o dia a dia das empresas que atuam com comércio exterior no Brasil. Trata-se da Lina, assistente virtual desenvolvida pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que utiliza inteligência artificial para responder, em tempo real, dúvidas sobre importação e exportação diretamente na página do Siscomex.
A ferramenta foi construída com participação da sociedade e do setor privado, e seu objetivo é democratizar o acesso à informação, reduzir a burocracia e tornar as operações mais ágeis e seguras.
Disponível 24 horas por dia, a Lina permite que empresas consultem respostas oficiais e atualizadas sobre regras, licenças, classificação tarifária e regimes aduaneiros. O sistema foi alimentado com base em legislações, manuais e portais públicos, garantindo segurança jurídica e evitando interpretações incorretas da norma.
“Na prática, isso significa menos tempo gasto com pesquisas, menor dependência de consultorias externas e redução de custos operacionais. Para os órgãos públicos, o benefício é a padronização do atendimento e a liberação de equipes humanas para tratar casos complexos, elevando a eficiência do sistema”, destaca Estenil Casagrande Pereira, advogado e presidente da Comissão de Direito Internacional e Relações Internacionais da 20ª Subseção da OAB-ES.
Impactos para o Espírito Santo
Com forte vocação exportadora e posição estratégica no corredor logístico brasileiro, o Espírito Santo deve ser um dos estados mais beneficiados pela adoção da Lina.

O estado se destaca nas exportações de celulose, café, pimenta-do-reino e produtos do agronegócio, e abriga portos de referência nacional, como Vitória e Portocel. A nova ferramenta tende a simplificar processos, agilizar liberações e aumentar a competitividade capixaba no cenário global.
“Para micro e pequenas empresas, a assistente virtual pode representar um divisor de águas. Ao oferecer respostas rápidas e compreensíveis, a Lina reduz barreiras técnicas e incentiva a entrada de novos exportadores, fomentando a diversificação da pauta comercial do estado”, destaca o advogado.
Exemplo: ganhos para o setor de celulose
De acordo com Estenil, o segmento de celulose, um dos pilares da economia capixaba, é um exemplo prático do potencial de impacto da Lina. Grandes indústrias do setor, além de cooperativas e fornecedores locais, poderão utilizar a ferramenta para:
- Esclarecer dúvidas sobre classificação tarifária, regimes aduaneiros e certificações internacionais;
- Consultar informações sobre Drawback e outros incentivos fiscais à exportação;
- Entender exigências de regras de origem e acordos comerciais;
- Planejar a logística de embarques nos portos capixabas com maior previsibilidade e menor custo;
- Acompanhar dados oficiais de exportações e tendências de mercado.
“Esses ganhos podem se traduzir em redução de prazos e custos logísticos, melhoria da conformidade regulatória e ampliação da participação capixaba no mercado global de celulose, um dos mais dinâmicos do comércio exterior brasileiro”, ressalta o presidente da Comissão de Direito Internacional e Relações Internacionais da 20ª Subseção da OAB-ES.
Mais competitividade e novos negócios
Além de aumentar a eficiência operacional, a Lina tende a impulsionar a atração de investimentos e a diversificação das exportações capixabas. Com informações acessíveis e padronizadas, o ambiente de negócios se torna mais previsível, o que reforça a imagem do Espírito Santo como polo logístico e exportador confiável.
Especialistas avaliam que a iniciativa do MDIC representa um passo importante na modernização e digitalização do comércio exterior brasileiro. Embora não substitua análises jurídicas ou consultorias especializadas, a ferramenta deve simplificar o caminho de quem quer exportar mais e com menos burocracia.
“Em um cenário global competitivo, a inovação e a informação são ativos estratégicos. A chegada da Lina é mais do que uma atualização tecnológica — é um movimento que pode redefinir a forma como empresas brasileiras, especialmente as capixabas, se inserem no comércio internacional”, conclui Estenil Casagrande.

