Em carta entregue ao diretório nacional na última sexta-feira, Arnaldinho Borgo solicitou a desfiliação do Podemos após divergências
Por Robson Maia
O pedido de desfiliação de Arnaldinho Borgo do Podemos na última sexta-feira (21) abriu a porta para um mar de especulações quanto ao futuro do prefeito de Vila Velha. O destino do gestor, bem como a possibilidade de concorrer ao Palácio Anchieta em 2026, foram os temas que ganharam manchetes políticas no Espírito Santo.
A saída já vinha sendo estudada e foi solicitada, efetivamente, em carta enviada à presidente nacional da legenda, Renata Abreu. Arnaldinho justificou a decisão por questões pessoais, sem detalhar quais seriam as motivações. Em trecho da carta, assinada ainda na quarta-feira (19), Arnaldinho informa ainda que “prefere não elencar” as razões.
“Venho, por meio deste, comunicar minha decisão de desligar-me do partido Podemos. Por respeito e gratidão, faço questão de informar-lhe em primeira mão acerca dessa deliberação, que se deu em razão de questões de foro íntimo, as quais, por sua natureza, prefiro não elencar”, diz do documento encaminhado a direção do partido.

Desde então, o destino do prefeito de Vila Velha tem sido ligado a diferentes legendas. União Brasil, presidido pelo prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio, e que tem o presidente da Assembleia Legislativa (Ales), deputado Marcelo Santos, entre os nomes de peso; PSB, do governador Renato Casagrande, e onde Arnaldinho já teve o nome ligado em um passado recente; e o PP, do deputado federal Da Vitória, são as siglas que ganharam peso.
Os bastidores revelam que não existe pressa por parte do mandatário canela-verde, uma vez que o mandato está assentado e que, caso não se concretize uma movimentação em 2026, não existiria a possibilidade de concorrer à Prefeitura de Vila Velha em 2028.
No União Brasil, poderia pesar a relação próxima com Euclério Sampaio, outro gestor que compõe a base governista, e que tem planos ambiciosos para os próximos anos. A possibilidade de Federação com o PP é outro elemento que torna a sigla como um dos destinos prováveis.
Movimentação para 2026 pode ser um fator
Em entrevista exclusiva à ES Brasil no último mês, Arnaldinho afirmou não ser candidato para o Palácio Anchieta em 2026. Apesar de se dizer pronto para o desafio, o gestor afirmou que respeitaria os planos do atual Governo que tem o vice-governador Ricardo Ferraço, do MDB, como sucessor natural ao cargo.

Casagrande afirma que Ferraço é o nome da vez para a disputa, mas também lembra que será necessário que o vice consiga angariar capital político que o credencie para a disputa. Nas últimas semanas, Ferraço ganhou protagonismo com as férias de Casagrande, e em pautas importantes, como desenvolvimento econômico da Região Norte, e mais recentemente no meio ambiente, com a audiência em Mimoso do Sul um ano após o desastre ambiental.
Contudo, uma possível candidatura de Arnaldinho ao Palácio somente surgiria caso a de Ferraço não desse “liga”. Somente o tempo, e as movimentações das demais diversas partes, vão indicar o futuro político do prefeito canela-verde, seja para a migração partidária ou para os próximos pleitos.

