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domingo, 13 junho, 2021

A aceleração da inflação oficial e o seu controle

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Jonh Maynadi Keynes, economista britânico e símbolo de uma época do capitalismo, menciona a importância da moeda e do seu poder de compra

Por Vaner Corrêa

Jonh Maynadi Keynes, economista britânico e símbolo de uma época do capitalismo, em sua obra “As consequências econômicas da paz”, de 1929, menciona a importância da moeda e do seu poder de compra. Keynes relata sobre a perda de valor da moeda da seguinte forma:

“… À medida que a inflação se desenvolve, e o valor da moeda flutua de mês a mês, as relações permanentes entre credores e devedores, fundamento do capitalismo, se desorganizam até quase perderem o sentido. E o processo de aquisição de valor degenera em uma loteria de azar… “

O poder de compra de uma moeda é inversamente proporcional à variação geral dos níveis de preço da economia, ou seja, quanto maior a inflação oficial menor o poder de compra da moeda. A inflação é um fenômeno que apodrece a moeda e traz, como consequência, a destruição do fundamento do capitalismo.

Nós, brasileiros, sabemos o que é conviver com moeda podre. Por anos a fio convivemos com padrões monetários que eram instáveis e criavam uma cortina vergonhosa de fumaça monetária, que impediam ao povo brasileiro e aos especialistas de virem a parte real da economia. Portanto, a história da inflação brasileira é muito da história de nossas moedas. A inflação é um “imposto” que agride sobremaneira os menos favorecidos da sociedade.

No início do segundo mandato da ex-presidente Dilma, a inflação deu sinal claro de que, se houver descuido, ela pode voltar.  A pandemia que se instalou no país com mais severidade a partir de março/20, combinada com outros fatores, permitiu que, a partir do segundo semestre, começasse a aparecer sorrateiramente um novo processo inflacionário. Inicialmente, houve a contaminação do IGP-M seja pelo aumento do dólar; seja pelo aumento das exportações de arroz provocando alta do produto pelo aumento da demanda interna; seja pelos problemas da entressafra; dentre outros fatores.

Portanto, a contaminação do IPCA pela forte variação do IGP-M seria uma questão de tempo. A variação do IPCA de maio deste ano num patamar histórico de 0,83% acende uma luz de alerta para o governo federal quanto a superação da meta anual.

A aceleração do IPCA deverá ser contida, isto é fundamental, para que não entremos novamente numa espiral ascendente do nível geral dos preços. Neste sentido, se fará mister que as autoridades do BC mudem um pouco o modo de combater a inflação oficial, sobretudo, quanto às altas que deverão ser aplicadas na taxa de juros básica da economia (Selic), obviamente, que deverão ter cuidado com remédio, pois poderá matar o crescimento da economia que já começou a acontecer. É possível que a Selic chegue até outubro/21 num patamar de 6,5% para que seja contida a alta da inflação oficial.

Há variáveis que preocupam os agentes econômicos no tocante ao controle inflacionário, um deles é o desequilíbrio das contas públicas que se agravou com a pandemia. Outra variável é a reforma do Estado brasileiro, esperada e muito necessária. Por fim, o mais preocupante é a precipitação do processo eleitoral de 2022, o alto índice da polarização política da sociedade poderá atrapalhar o governo e consequentemente o domínio do processo inflacionário.

Por fim, o BC deverá centrar fogo para impedir o retorno da inflação, e, sobremodo, da inércia inflacionária que é a cronificação do perverso processo inflacionário.

Vaner Corrêa é economista e conselheiro do Corecon-ES

ES Brasil Digital

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