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Dois em cada 10 estudantes da Grande Vitória já usaram drogas

Pesquisa recomendada pela Rede Abraço, em parceria com a Ufes e a Fapes, identificou hábitos de consumo de drogas entre estudantes de 11 a 17 anos

Por Otávio Gomes*

Dois a cada dez estudantes de escolas públicas e privadas da Grande Vitória já experimentaram alguma droga ilícita, é o que revela pesquisa recomendada pela Rede Abraço, em parceria com o Laboratório de Estudos sobre Violência, Saúde e Acidentes da Universidade Federal do Espírito Santo (LAVISA) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do
Estado do Espírito Santo (Fapes).

Coordenado pela professora Franciéle Marabotti, o estudo  – realizado em dois anos – entrevistou 4.614 adolescentes, entre 11 e 17 anos, de 63 escolas localizadas na Região Metropolitana do Estado – Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica, Viana, Fundão e Guarapari. “A coleta foi anônima e as escolas não foram identificadas. Todos os dados são representativos e não têm nomes. Para iniciar a pesquisa, entramos em contato prévio com as escolas para agendar a coleta, sempre buscando minimizar qualquer impacto no ritmo escolar”, conta Marabotti.

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A pesquisa apontou que o uso de drogas é predominante entre as meninas. Ao todo, 23,5% delas utilizam alguma droga, enquanto os meninos, 19,8%. Entre ambos, 8,4% declararam fazer uso atualmente. A pesquisa inédita também identificou a maconha como a substância mais utilizada entre os jovens.

A maconha ou haxixe foi experimentada por 17,6% dos estudantes, dos quais 7% afirmaram continuar o uso. Ao comparar as escolas públicas e privadas, 18,6% e 14,5%, respectivamente, experimentaram a droga. 

Drogas como êxtase, bala e MD também foram mencionadas pelos adolescentes. Segundo os resultados, 4,9% já provou e 77% relataram ter utilizado pela primeira vez com 15 anos ou mais, geralmente obtendo a substância com um amigo.

Embora a cocaína apareça menos entre os jovens, ainda é motivo de preocupação. Aproximadamente, 1,2% dizem ter usado a substância pelo menos uma vez; 50% dos entrevistados disseram ter experimentado após os 15 anos.

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“Pesquisas como essas são importantes porque nos ajudam no diagnóstico e na precisão da problemática. Trata-se de um tema complexo, e o objetivo foi justamente identificar como está ocorrendo a adesão e a experiência do uso de substâncias lícitas e ilícitas entre nossos jovens. E nesse sentido, o governo do Estado, por meio da Rede Abraço, tem implementado políticas públicas que atuam no fortalecimento dos fatores de proteção social e que abordam a temática de educação sobre drogas”, complementa o subsecretário de Políticas sobre Drogas no ES, Carlos Lopes.

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Álcool e cigarros eletrônicos

A pesquisa também identificou um aumento de consumo de álcool e tabaco entre os jovens. As meninas também largam na liderança nesse quesito, com 66,6% afirmando que já tomou um copo ou uma dose de bebida alcoólica. Entre os dois gêneros, 62,9% dos entrevistaram responderam que já beberam alguma vez.

O subsecretário de Políticas sobre Drogas no ES, Carlos Lopes, durante apresentação do estudo na Ufes. Foto: Divulgação/Governo do ES
O subsecretário de Políticas sobre Drogas no ES, Carlos Lopes, durante apresentação do estudo na Ufes. Foto: Divulgação/Governo do ES

Quando perguntados no questionário como conseguiram acesso às bebidas, cerca de 39,2% afirmaram que compraram numa loja, bar, botequim, padaria ou banca de jornal; 20,9% disseram ter consumido em festas, e 17,3% com alguém da família.

Cerca de metade dos estudantes entrevistados experimentou pela primeira vez o tabaco a partir dos 11 anos. Entre eles, 46,3% tendo fumado pela primeira vez com idades entre 11 e 14 anos e 47,1% a partir dos 15 anos.

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No caso de outros produtos fumígenos, como cigarro eletrônico e narguilé, a predominância do uso apareceu entre os estudantes de escolas privadas. No total, 26,6% dos adolescentes do ensino particular já experimentaram; já entre os estudantes do ensino público, o número cai para 10,9%.

Medicamentos

O uso de medicamentos para emagrecer ou permanecer acordado atinge 46,2% dos estudantes com 15 anos ou mais entrevistados. Entre estes, as meninas fazem uso desse tipo de medicação quase duas vezes mais do que os meninos.

Tranquilizantes adquiridos sem receita médica também foram utilizados pelos estudantes. 17% confessaram já ter feito uso, com 22% sendo meninas e 10,3% meninos.

A pesquisa também revela que quase 10% dos estudantes já usaram substâncias inalantes para se sentir alterados, incluindo loló, lança-perfume, cola, éter, removedor de tinta, gasolina, benzina, acetona, tíner, esmalte, aguarrás e tinta. Atualmente, 2,7% disseram fazer uso dessas substâncias e 50,4% confessaram ter inalado algum desses produtos pela primeira vez com 15 anos ou mais.

A pesquisa

Durante dois anos, os participantes da pesquisa foram submetidos a questionários, de forma anônima, para identificar hábitos e inclinações para o consumo, além de números e tipos de drogas, que abrangem psicoativos ilícitos, medicamentos e drogas lícitas.

Houve também a realização de seminários para os coordenadores e profissionais responsáveis indicados pelas escolas selecionadas. Para não prejudicar o andamento dos fluxos rotineiros nas instituições, era realizado agendamento prévio da equipe, conforme horário disponível. Cada escola tinha um número de alunos participantes, conforme uma amostragem que foi previamente estudada, ou seja, o número de escolas que seriam incluídas na pesquisa.

“Trata-se de uma pesquisa robusta, envolvendo um tema de extrema relevância para a saúde pública, que serviu para nos subsidiar em relação às vulnerabilidades desse público mais juvenil, e também nos alertar de forma efetiva sobre a importância que o assunto merece no tocante às políticas de enfrentamento e prevenção ao uso de álcool e outras drogas, bem como outras situações de violências”, explica Franciéle.

O subsecretário de Políticas sobre Drogas no ES, Carlos Lopes, explica que esse tipo de pesquisa é imprescindível para a identificar de forma precisa a abrangência do problema, além das possíveis causas. “Resolvemos entender comportamentos, dar luz a esses dados e estudar o aumento do consumo, que pode se desencadear através de uma série de fatores interligados – que vão desde a curiosidade, pressão de grupos sociais ou até mesmo de saúde mental. Nosso objetivo com essa pesquisa é justamente trazer à tona que, sem educação sobre os riscos e programas e políticas públicas eficazes de prevenção, dificilmente vamos minorar essa realidade”, afirma o subsecretário.

*Sob supervisão de Erik Oakes

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