Vestuário luta para voltar a crescer

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Um ano para recuperar o fôlego e traçar novas estratégias para o que está por vir

Assim foi 2017 para o setor do vestuário do Espírito Santo. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), do Sistema Findes e do Instituto de Desenvolvimento Educacional e Industrial do Espírito Santo (Ideies) apontam que a indústria de transformação, da qual o segmento faz parte, acumulou 2,2% de alta na produção, entre janeiro e setembro deste ano, em relação ao mesmo período de 2016. Por outro lado, quando analisado o faturamento por setor, o vestuário capixaba registrou taxa negativa de -4,4%, contra +0,7 da indústria de transformação como um todo, e +4,3 da indústria capixaba no geral.

Quando o assunto é geração de postos de trabalho, 2017 foi um ano de relativo alívio. De acordo com a conclusão do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) sobre dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego), no Espírito Santo a indústria têxtil e do vestuário acumulou nos 10 primeiros meses um saldo positivo de 183 profissionais admitidos em relação aos demitidos, embora no acumulado dos últimos 12 meses o resultado ainda seja deficitário (-68 postos de trabalho). O segmento chegou a outubro com 12.503 trabalhadores empregados.

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*De janeiro a outubro – Fonte: Caged / MTE

Para o presidente da Câmara Setorial da Indústria do Vestuário da Findes, José Carlos Bergamin, o setor de confecção tem buscado crescer a despeito da crise dos últimos anos. “Somos desafiados a todo momento. Temos, por exemplo, o impacto dos produtos da Ásia, em razão do nosso custo interno e também do câmbio, muito favorável à importação. O nosso setor teve que aprender a atuar em um ambiente que demanda boas ideias. Mas, mesmo nesse cenário, de crise, tivemos uma vantagem: o câmbio, que antes era um complicador, fez com que os produtos importados ficassem mais caros, dando mais competitividade para as nossas empresas. Vamos fechar o ano com números positivos e notamos que os empresários começam a investir. As grandes cadeias de lojas estão cada vez mais comprando no mercado interno. Essas lojas precisam fazer coleções em ritmo mais curto e compram dentro do Brasil. Nossas empresas são conhecidas por produtos de qualidade e sempre inovadores e queremos ampliar isso ainda mais”, disse o dirigente.
Bergamim lembrou que o momento de retomada pôde ser conferido durante o evento que é a grande vitrine do setor, o Vitória Moda, que em sua 10ª edição movimentou mais uma vez o Estado.

“Somos desafiados a todo momento. Temos, por exemplo, o impacto dos produtos da Ásia, em razão do nosso custo interno e também do câmbio, muito favorável à importação. O nosso setor teve que aprender a atuar em um ambiente que demanda boas ideias”

José Carlos Bergamin, presidente da Câmara Setorial da Indústria do Vestuário da Findes

Ano complicado para os calçados

O setor de calçados teve mais um ano complicado, com saldo negativo na geração de emprego (-77 vagas em outubro e -140 no acumulado em 12 meses) e quedas generalizadas. Entre janeiro e setembro, o Estado exportou cerca de 260 mil pares, ligeira baixa em relação a 2016 (280 mil). Em 2015, esse número alcançou 300 mil pares, o que mostra que o mercado ainda precisa se estabilizar, de acordo com o presidente do Sindicato da Indústria de Calçados do Espírito Santo, José Augusto Rocha. “Sofremos uma baixa muito grande nos últimos anos. O setor de calçados já chegou a ter 140 empresas no Estado, e agora estamos com algo próximo de 40. As exportações ainda seguram muitos negócios, mas as empresas que dependem exclusivamente do mercado interno têm um grande desafio. Para 2018, não temos perspectivas muito favoráveis, já que teremos eleições e Copa do Mundo. Temos que trabalhar muito para mudar esse cenário”, frisou.


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