Morre o gênio da física Stephen Hawking

Foto: Divulgação / The Wall Street Journal

Hawking: “Eu tenho vivido com a perspectiva de morrer cedo nos últimos 49 anos. Não tenho medo da morte, mas não tenho pressa para morrer”

O famoso físico e pesquisador britânico Stephen Hawking morreu aos 76 anos nesta quarta-feira (14). Hawking era portador da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma doença degenerativa, descoberta aos 21 anos de idade, que gradualmente foi paralisando os músculos de seu corpo.

No entanto, o físico continuou sua trajetória, estudando e desenvolvendo grandes teorias, já que seu intelecto continuava intacto. Desta forma, para produzir sua “fala”, ele formava as palavras em uma tela com o movimento dos olhos, também usado para movimentar sua cadeira de rodas.

Sua genialidade deixou inúmeras reflexões acerca de temas complexos como eutanásia, existência, Deus e buracos negros no universo.

Hawking nasceu em 08 de janeiro de 1942 em Oxford, na Inglaterra. Quando completou 08 anos de idade, mudou-se para St. Albans, cidade localizada a cerca de 30 km de Londres, capital do país. Estudou na University College, de Oxford, que também foi a faculdade de seu pai.

Tornou-se doutor em cosmologia e trabalhou como professor de matemática na Universidade de Cambridge, onde era professor lucasiano emérito, mesmo cargo ocupado por grandes cientistas como Charles Babbage, Isaac Newton e Paul Dirac.

Hawking e a ex-esposa Elaine Mason logo após a cerimônia de casamento, em setembro de 1995 (Foto: Russell Boyce / Arquivo / Reuters)

Hawking casou-se duas vezes. A primeira em 1965 com Jane Hawking, com quem teve três filhos, e se separou em 1991. Em 1995, teve seu segundo casamento com a enfermeira Elaine Mason e se divorciou em 2006.

Vale destacar que o físico escreveu 14 livros, entre eles “O universo em uma casca de noz” e “Uma breve história do tempo”.

Principais Teorias

O que havia antes do Big Bang e da aparição do Universo, segundo Hawking
Das explicações para a existência do Universo aos aspectos negativos da fama, conheça algumas das mais famosas frases do cientista, que se dedicou a aproximar a Ciência do grande público.

Sobre buracos negros: “Einstein estava errado quando disse que ‘Deus não joga dados’. A existência dos buracos negros sugere não apenas que Deus brinca de dados, mas também nos confunde ao jogá-los onde não podem ser vistos”- no livro A Natureza do Espaço e do Tempo, publicado em 1996.

O físico e pesquisador Stephen Hawking durante conferência / Foto: Divulgação/ Reuters

Sobre as razões para a existência do Universo: “Se encontrarmos uma resposta para isso, será o maior triunfo da razão humana, porque conheceríamos a mente de Deus”- no livro Uma Breve História do Tempo, publicado em 1988.

Sobre Deus: “Não é necessário invocar Deus para iniciar uma reação e fazer o Universo funcionar”- no livro O Grande Projeto, publicado em 2010.

Sobre sucesso comercial: “Eu quero que meus livros sejam vendidos em lojas de aeroporto”- em entrevista ao jornal americano The New York Times, em dezembro de 2004.

Sobre a fama: “O aspecto negativo da minha fama é que eu não posso ir a qualquer lugar do mundo sem ser reconhecido. Não adianta eu usar óculos escuros e peruca. A cadeira de rodas me entrega”- em entrevista a um programa de TV israelense em dezembro de 2006.

Sobre a imperfeição do mundo: “Sem imperfeição, você e eu não existiríamos”- no documentário O Universo de Stephen Hawking, transmitido pelo Discovery Channel em 2010.

Sobre eutanásia: “A vítima deve ter o direito de acabar com a própria vida, se ela quiser. Mas eu acho que seria um grande erro. Por pior que a vida pareça, sempre existe algo que você possa fazer e ser bem-sucedido. Enquanto há vida, há esperança”- fala citada no site de notícias People Daily Online, em junho de 2006.

Sobre a possibilidade de contato entre seres humanos e extraterrestres: “Acho que seria um desastre. Os alienígenas provavelmente estão bem mais avançados que nós. A história do encontro entre civilizações mais avançadas com povos primitivos neste planeta não é muito feliz, e eles eram da mesma espécie. Acho que devemos manter a cabeça baixa”- no programa In Naked Science: Alien Contact, do canal National Geographic, em 2004.

Sobre ser diagnosticado com uma doença neuromotora: “Minhas expectativas foram reduzidas a zero quando eu tinha 21 anos. Tudo desde então tem sido um bônus”- em entrevista ao The New York Times, em dezembro de 2004.

Sobre a morte: “Eu tenho vivido com a perspectiva de morrer cedo nos últimos 49 anos. Não tenho medo da morte, mas não tenho pressa para morrer. Eu quero fazer muita coisa antes disso”- em entrevista ao jornal britânico The Guardian, em maio de 2011.

Cinema e TV

Stephen Hawking participou de um dos momentos geniais da série norte-americana de comédia, The Big Bang Theory,  que conta com cinco personagens: um físico teórico e um experimental, uma garçonete e aspirante a atriz, um engenheiro aeroespacial e um astrofísico. Confira a participação dele no vídeo abaixo:

A vida de Hawking também foi abordada no filme “A Teoria de Tudo”, lançado em 2015 e dirigido por James Marsh. O filme, que fez o ator Eddie Redmayne ganhar o Oscar de Melhor ator por ter interpretado o físico, conta como o astrofísico fez descobertas relevantes para o mundo da ciência, inclusive relacionadas ao tempo.

Também retrata seu romance com Jane Wilde, interpretada pela atriz Felicity Jones, uma estudante de Cambridge que viria a se tornar sua esposa. O longa-metragem conta os momentos de descoberta da doença motora degenerativa, e como superou o problema e se tornou um dos maiores cientistas da atualidade.

Sobre a morte de Hawking, Redmayne se manifestou em sua mídia social. “Perdemos uma mente realmente bonita, um cientista surpreendente e o homem mais divertido que eu tive o prazer de conhecer. Meu amor e meus pensamentos estão com essa extraordinária família”, afirmou o ator.

Felicity Jones, Stephen Hawking e Eddie Redmayne no lançamento do filme “A Teoria de Tudo”, de 2015 / Foto: Karwai Tang/WireImage)

Em 1992, o físico participou do documentário “Uma breve história do tempo (A Brief History of Time)”, dirigido por Errol Morris. O filme retrata um pouco da vida e do trabalho de Hawking. Além disso, o documentário “Monty Python: O sentido da vida ao vivo”, lançado em 2014, conta com a participação de Hawking como ele mesmo e mostra a história da carreira dos comediantes britânicos, além de mostrar a filosofia por trás da obra do grupo.

O físico também virou desenho. O físico aparece como ele mesmo no episódio “Eles Salvaram o cérebro de Lisa”, o 22º da décima temporada de “Os Simpsons”. No episódio, Stephen salva Lisa de ser gravemente ferida por algumas pessoas de Springfield, que estão irritadas com as novas leis. Ele retornou à animação em 2004, no episódio “Não tema o carpinteiro” da 16ª temporada; em 2006, no episódio “Pare, senão meu cachorro atira”; e em 2010, no primeiro episódio da 22ª temporada, o “Musical da escola fundamental”.

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