Mercado imobiliário volta a inspirar confiança

Procura por empreendimentos na região metropolitana do Estado se destaca apresentando expectativa de crescimento

Muito avesso à crise, o mercado imobiliário vem demonstrando um otimismo sem paralelo. Principalmente no ano de 2018, as projeções mostram que a queda na demanda não existe mais. O que vemos hoje é justamente o contrário; a procura muitas vezes supera a oferta, e as construtoras correm para apresentar mais lançamentos ao público.

“De 2012 para cá, as empresas fizeram um reajuste de tamanho devido ao retrocesso. Antes possuíamos um volume de 32 mil unidades em construção, hoje caiu para 12 mil unidades.

Chegamos a ter 64 mil empregos em 2012 e em 2018 esse número atingiu os 34 mil. Entretanto, o que se espera para 2019 é que esses números aumentem, o que representa um bom nível de confiança que está sendo retomado pelo mercado imobiliário”, explica Paulo Baraona, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Espírito Santo (Sinduscon-ES).

Uma das variáveis que podem afetar esse crescimento são as eleições deste ano, de acordo com o dirigente. Uma vez que o presidente da República escolhido pelas urnas continue com as propostas de reforma que estão em pauta atualmente, no Congresso, esse panorama de avanço tende a continuar.

“O Brasil precisa que as reformas continuem. O país começa todo ano com um déficit de mais de R$ 200 bilhões por causa da Previdência. É a mesma coisa que uma empresa começar o ano devendo. Nós temos esse problema, então todos nós sabemos que é imprescindível que as reformas continuem.

Se elas continuarem, independentemente de quem seja o presidente, evidentemente que o mercado vai sentir segurança para seguir investindo. O que não pode é o governo gastar mais do que arrecada”, ressaltou o presidente do Sinduscon.

O imóvel é um investimento seguro. Toda construtora, hoje, está lançando com responsabilidade, isso provoca um mercado equilibrado, que favorece a todos” José Luís Galvêas, presidente da Galwan

Segundo Baraona, “com os juros relativamente baixos, em relação aos patamares anteriores, consequentemente o imóvel se torna um investimento seguro e acessível. Desde as construções do Minha Casa Minha Vida, que representam hoje cerca de 65% dos lançamentos, até os apartamentos de dois quartos, hoje em dia os mais procurados, principalmente, pela classe B, de jovens por volta dos 35 anos profissionais liberais e que estão começando a constituir seus núcleos familiares”.

TENDÊNCIAS

Quanto às novas tendências do mercado que estão surgindo, Paulo ressalta que “uma das grandes mudanças é que os apartamentos estão se tornando cada vez mais compactos, o condomínio passará a ter restaurante e áreas comuns, o apartamento servirá apenas como quarto.

Essas tendências vêm se firmando através das mídias sociais, e o empresário precisa prestar atenção, elas chegam com muita velocidade, e isso modifica um pouco a configuração da residência”.

“É um momento bom para quem está querendo comprar e financiar, um momento bom para negociar com os bancos, pois eles estão disponíveis para trazer taxas melhores e estão com recurso para isso” – Sandro Carlesso, presidente da Ademi-ES

Em contrapartida, existe aquela parcela conservadora, que ainda busca imóveis mais tradicionais. “Nós precisamos ficar atentos a essas tendências, como essas mudanças vão repercutir no mercado. Isso somente as pesquisas poderão dizer e, a partir daí, encaminhar as decisões das empresas, que são absolutamente particulares.”

Um bom exemplo das novidades que começam a chegar ao mercado imobiliário é o WL Prime, próximo lançamento da WL Empreendimentos. Carlos Eduardo Calmon, arquiteto responsável pela moderna e luxuosa construção, situada na Praia do Canto, em Vitória, explica o conceito adotado em torno dessas novas tendências para a elaboração do projeto.
“Serão apartamentos de dois quartos, grandes ou compactos, dentro de uma mesma torre.

Fonte: 32º Censo Imobiliário/Julho 2017 – Sinduscon-ES

O conceito desse empreendimento é fazer um residencial butique, com um design moderno, uma linha arquitetônica diferenciada, não encontrada nos outros empreendimentos da Praia do Canto, uma espécie de produto exclusivo, agregando valor, utilizando tecnologia e design”, explica o arquiteto.

De acordo com Carlos Eduardo, “este será um dos primeiros empreendimentos a ser entregues na região da Grande Vitória com sistema automatizado e tecnologia de ponta.

O conceito desse empreendimento é fazer um residencial butique, com um design moderno, uma linha arquitetônica diferenciada

Permitirá que o proprietário, através de um tablet, automatize a televisão, o ar-condicionado, a cortina etc. Terá, também, um sistema de aspiração central na torre, que dispensará o aspirador de pó em casa; é só varrer para o rodapé, perto da parede, que o sistema central consegue aspirar o apartamento todo”.

Outra grande novidade, e que segundo especialistas será a partir da agora mais comum nos lançamentos, são as vagas de garagem adaptadas para tomadas de carro elétrico. “No WL Prime, cada unidade terá duas vagas, sendo que uma delas com disponibilidade de estação de recarga para carros elétricos, bastando instalar o bocal”, informa Carlos.

Tendência também marcante e que estará presente nesse lançamento é o business lounge no acesso principal. Segundo os construtores, o lobby. No caso, a recepção do prédio, que em grande parte é um espaço pouco utilizado nas construções contemporâneas, vai se transformar num ambiente comum, um espaço gourmet bem versátil, onde o proprietário do imóvel poderá atender tanto o visitante quanto um cliente, um fornecedor ou, até mesmo, sócios para diferentes tipos de reunião, seja formal, seja informal.

Esse ambiente pode ser utilizado de três maneiras, como churrasqueira, como salão gourmet ou como sala de jogos, onde a mesa de sinuca vira também uma mesa de jantar”, detalha Luiz Eugênio Pacheco, gerente comercial da WL Empreendimentos.

Nesse caso, o espaço gourmet se transforma numa extensão do apartamento. “É uma tendência que, cada vez mais, vem sendo um diferencial na hora da compra do imóvel próprio. Os consumidores, em sua maioria adultos jovens, na faixa dos 30 anos, iniciando uma vida independente, das classes A e B, profissionais liberais, estão à procura de prédios onde a recepção de visitantes possa ocorrer em áreas comuns, e o apartamento seja utilizado apenas como sua residência, para dormir e interagir com o núcleo familiar”, completa Luiz Eugênio.

AQUECIMENTO

Em relação à demanda, é senso comum que ela vem aumentando de modo gradativo, sobretudo neste ano de 2018, diferentemente dos estoques de imóveis, cada vez mais baixos. Samir Ginaid, diretor comercial da Lorenge, atribui esse crescimento da procura a uma mudança no cenário econômico nacional, que vem favorecendo o consumo desse tipo de bem.

“Essa é uma demanda orgânica. Com crise ou sem crise, as pessoas continuam casando, os filhos saindo de casa… O cenário de juros vem melhorando muito e a inflação também, a estabilidade da inflação já é uma realidade. Nós vivemos um ou dois anos atrás, num cenário de inflação alta; hoje em dia, não tem expectativa disso, e sim de uma inflação dentro da meta ou abaixo dela”, explica.

Solar Mata da Praia, empreendimento que a Galwan está lançando na Mata da Praia. A velocidade das adesões mostrou que o mercado está em processo de retomada

Em contrapartida, com essa queda dos juros que rentabilizam o dinheiro do investidor, o mercado não é mais propício para quem quer deixar o dinheiro parado no banco rendendo.

“A possibilidade de pegar um empréstimo com melhor taxa, tendo mais crédito, mais banco emprestando, estimula o apetite das pessoas que estão nessa esperança. É um momento que ajuda o crédito positivo.

Fonte: Ademi ES/Viva Real

No auge da crise o banco retraiu e só estava procurando o cliente corporativo, reservando dinheiro para grandes negócios. Com a tendência dos juros baixos, os bancos voltaram a procurar o cliente final, voltando para o varejo, o que torna otimista o cenário atual”, pondera o diretor.

A grande retomada do consumo se deu, majoritariamente, no residencial e, dentro do residencial, em algumas regiões mais caras, de crescimento mais consolidado, onde existe maior procura. “No Espírito Santo, a gente está há um bom tempo sem novos negócios, nosso ciclo é de 24, 36 meses. O estoque já é bem baixo, a vacância aqui no Estado é bem pequena. Entenda-se vacância os imóveis vazios, disponíveis, principalmente, em Vitória e nas regiões mais nobres de Vila Velha”, analisa Ginaid.

Entretanto, os números começam a ficar mais otimistas. De acordo com o levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), elaborado pela Brain – Bureau de Inteligência Corporativa, em parceria com as entidades locais Ademi-ES e o Sinduscon-ES, no período de janeiro a junho deste ano, nota-se uma curva de crescimento consistente das vendas.

O primeiro trimestre encerrou com 838 unidades comercializadas na Grande Vitória, enquanto que no segundo foram 1.142, um incremento de 36%. No âmbito nacional, a expansão das vendas entre o primeiro trimestre e o segundo ficou em 15%, incluindo os dados locais.

Fonte: Ademi-ES/VivaReal

Foram comercializadas 25.394 unidades de janeiro a março e 29.951 de abril a junho, em todo o Brasil. Procurar um imóvel, hoje, na Praia do Canto, Jardim Camburi e Enseada do Suá não é tão fácil quanto já foi no passado. “Especialmente quando o comprador acaba sendo o usuário final.

O investidor se retraiu muito nos últimos tempos devido aos juros altos. Quem passou a comprar do último ano para cá foi o usuário final, a família querendo morar. Sendo assim, normalmente, quando um prédio é entregue, em pouco tempo já está todo ocupado”, conta o diretor comercial.

“Somente a Lorenge, em 2018, já entregou quatro empreendimentos consecutivos, mais de 600 unidades em pouquíssimo tempo, unidades residenciais de alto padrão. Ainda neste ano, entregaremos um grande edifício residencial em Guarapari praticamente todo ocupado, que deve ser preenchido até o próximo verão, e outro em Cariacica, fechando o ano com seis entregas”, conclui Samir.

ANÁLISE

Para José Luís Galvêas, presidente da Galwan, as vendas, claro que numa proporção bem menor do que em 2012, estão crescendo, influenciadas por três pontos. O primeiro é que os estoques, gerados daquele excesso de construção que aconteceu lá atrás, foram sendo consumidos e, recentemente, já observamos o equilíbrio que sempre existiu no mercado capixaba. O mercado do Espírito Santo foi inflado por empresas de fora do Estado que vieram e produziram muito mais do que a demanda comportava.

Seguindo a linha de raciocínio, Galvêas argumenta que o segundo ponto é que o imóvel apresenta-se como um bom investimento, mas, independentemente disso, é um produto de necessidade. “Uma pessoa que comece sua vida possui dois grandes sonhos. O primeiro é comprar um carro e o segundo, um apartamento. Então o mercado imobiliário sempre vai existir para atender à necessidade.”

“Se elas (as reformas) continuarem, independentemente de quem seja o presidente, evidentemente que o mercado vai sentir segurança para continuar investindo” – Paulo Baraona, presidente do Sinduscon-ES

Por fim, ele conclui que o terceiro e último ponto se deve ao fato de estarmos passando por um momento de muita incerteza. “Apesar de os juros terem baixado, existe uma incerteza muito grande no mercado que é refletida na bolsa de valores e na cotação do dólar. A crise política, nas devidas proporções, lembra 2002, quando o dólar chegou a valores estratosféricos. O mercado vai ficar flutuando em função das especulações até as eleições deste ano.”

De acordo com o presidente da Galwan, o imóvel é um investimento seguro, por isso é possível ter uma expectativa muito boa do mercado imobiliário. “As construtoras estão cuidadosas em relação a lançamentos. Toda construtora, hoje, está lançando com responsabilidade, isso provoca um mercado equilibrado, que favorece a todos.”

Analisando o cenário atual, Sandro Carlesso, presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Estado do Espírito Santo (Ademi-ES), ratifica: “O mercado vem retomando as vendas de modo devagar. Os lançamentos cresceram do início do ano para cá, mas num ritmo muito lento, porque dependem muito da confiança do comprador. Todos os bancos, hoje, estão querendo fazer financiamento, praticando políticas de taxas baixas, até mesmo competindo entre si.

É um momento bom para quem está querendo comprar e financiar, um momento bom para negociar com os bancos, pois eles estão disponíveis para trazer taxas melhores e estão com recurso para isso”.

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