ES Brasil entrevista Luiz Paulo Vellozo Lucas

Presidente do Bandes fala sobre o desafio de reinventar a instituição

* Por Luciene Araújo

Ex-prefeito de Vitória e funcionário do BNDES há 35 anos, Luiz Paulo Vellozo Lucas, assumiu o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo no último mês. Já tendo exercido as funções de gerente do Departamento de Planejamento, diretor do Departamento de Indústria e Comércio e Secretário Nacional de Acompanhamento Econômico, do Ministério da Fazenda, ele garante estar motivado com o desafio.

ESB: Como o senhor contextualiza o cenário atual?

LP: A realidade da economia brasileira atual e para os próximos anos é péssima, desfavorável ao desenvolvimento capixaba, em função das crises econômica e política provocadas, principalmente, pelo esgotamento da política econômica adotada após a crise de 2008 e da coalisão que comanda o governo federal. As disfunções estruturais comprometeram a competitividade, o crescimento em padrões internacionais e a estabilidade macroeconômica. Para piorar, o setor de petróleo e gás, principal responsável pelo dinamismo econômico do país e local, encontra-se no cerne da crise. As variáveis de taxa de juros, câmbio, acesso ao crédito e impostos completam o quadro de incerteza, que gera pessimismo generalizado e influência negativa em decisões de investimento e empreendimentos. Ajustes fiscais, nacional e estadual, também restringem a execução de políticas públicas de desenvolvimento capixaba. Mas a economia não vai parar. A alta do dólar torna um grande negócio exportar para os EUA e toda a agenda ambiental – reaproveitamento do lixo e da água, energia solar – traz atividades promissoras. A boa notícia é que quem ousa fazer diferente, sobrevive e chega à frente.

ESB: O governador destacou a importância de reinventar o Bandes. Quais os eixos estratégicos dessa mudança?

LP: O Bandes deverá ser um banco de soluções ao desenvolvimento, por meio da interação do nosso corpo funcional, altamente qualificado, com empreendedores capixabas, entidades empresariais, prefeitos e também empresas de fora que queiram atuar em terras capixabas. Assim, identificaremos oportunidades de ganhar eficiência e produtividade e eliminar desperdícios.

ESB: Como otimizar o desenvolvimento capixaba?

LP: Enxergar que o que foi prometido pelo Governo Federal não veio e não virá é essencial para, com próprios meios e esforços, transformar crise em oportunidade, como gerenciar recursos hídricos, resíduos sólidos e a geração de energia com fontes alternativas de forma mais eficiente.

ESB: Qual a contribuição da economia verde e da criativa nesse processo?

LP: Existem alternativas que são fortalecidas pela crise. É fundamental promover o ativismo com capilaridade, pelo desenvolvimento em direção ao interior, onde moram 25% dos capixabas. É preciso estudar as potencialidades das mais de 2.400 comunidades rurais, buscar o equilíbrio regional e, para tanto, deve-se valer das possibilidades abertas pela tecnologia de informação e comunicação. Essa é a fórmula que precisamos adotar, nos inspirando em experiências exitosas como a Costa Rica.

ESB: Como ampliar a capacidade do banco em financiar projetos privados? 

LP: Nosso objetivo é trazer novos métodos e modelos, investir na economia verde e na criatividade. Os recursos virão de fundos que administramos. Mas o fundamental é que sejamos capazes de destravar obstáculos e eliminar burocracias, aproveitar mercados, inovar em parcerias público-privadas e modelagens criativas capazes de viabilizar operações e projetos.

 

A matéria acima é uma republicação da Revista ES Brasil. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita.  
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