Vitória: cidade classe A do Espírito Santo

A economia da capital capixaba ganha novos traços. Com o aumento do número de pessoas incluídas na classe AB, toda a economia se movimenta num círculo cada vez mais favorável para a cidade, e também para o Estado. Prova disso é que, atualmente, Vitória é o terceiro município do país em número de habitantes incluídos na classe A. Já levando-se em conta as capitais, Vitória aparece como segunda colocada no ranking nacional.

Os dados são pesquisa “Os Emergentes dos Emergentes”, divulgada em junho e coordenada pelo economista e pesquisador Marcelo Neri, do Centro de Pesquisas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV). De acordo com o estudo, Vitória possui 26,92% dos moradores inseridos na classe A e 39,22% na classe AB (veja ranking nacional na página ao lado).

Muito mais do que um retrato social, esses índices contribuem de maneira positiva para a economia, segundo a pesquisadora do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) Tatiana Ferrari. “O aumento da classe AB se traduz basicamente em mudança de consumo, não só em quantidade, mas em preferências”, afirma. Segundo ela, os itens consumidos pelas famílias de classes D e E são de subsistência, mas ao migrarem para a classe C, a chamada classe média, essas famílias passam a consumir ainda bens duráveis, alimentos diferenciados e produtos da indústria têxtil.

“Quando há a passagem dessas famílias para a classe AB ocorre um maior consumo de bens de luxo, produtos tecnológicos, entretenimento e turismo”, pontua Tatiana. A pesquisadora explica ainda que é assim que a economia local se mantém aquecida. “Essas mudanças de consumo influenciam diretamente na economia, uma vez que as empresas precisam produzir mais para atender a demanda desses novos consumidores”, esclarece.

Desenvolvimento em todo Estado
A pesquisadora do IJSN Tatiana Ferrari destaca ainda que a migração de classes apontada pelo estudo da FGV foi percebida em todo o Estado por meio da avaliação dos indicadores socioeconômicos do Instituto, realizada em 2009. “Em todo o Espírito Santo, houve redução de 54,6% na pobreza, sendo que a maioria das pessoas nessa condição migrou para a classe C. Observamos também um aumento de 11,1% na classe AB, percentual mais elevado em toda série histórica”, afirma.

Alguns fatores podem ser apontados como responsáveis por essa migração de classes. Para a pesquisadora, o crescimento econômico do Espírito Santo e das empresas, os investimentos realizados e os que ainda estão previstos contribuem de forma direta para a migração das classes, com a geração de emprego e oportunidade de novos negócios.

“Além disso, podemos observar no estudo da FGV que os municípios com maior número de pessoas na classe AB são aqueles que possuem maior receita e que conseguem aplicá-la melhor em infraestrutura, atraindo empresas e investimentos”, destaca a pesquisadora. Para ela, o aumento da classe AB tem um efeito multiplicador, estendendo-se pela economia como um todo e melhorando, inclusive, os indicadores socais.

A pesquisa divulgada pela FGV revelou ainda que o município de Vila Velha é o segundo no Estado em número de pessoas inseridas nas classes A e AB, com 15,01% e 25,49%, respectivamente. Em terceira posição aparece a cidade de Guarapari, seguida por João Neiva e Aracruz (veja o ranking dos municípios capixabas na página ao lado).

Segundo o economista e pesquisador Marcelo Neri, coordenador do estudo da FGV, os principais fatores identificados na pesquisa que favoreceram a elevação de classe foram a educação, a geração de emprego e os programas sociais.

Além disso, a pesquisa também revelou que nos últimos 21 meses (até maio deste ano), em todo o país, a classe C cresceu 11,1%, e a classe AB 12,8%. Neste mesmo período, 13,3 milhões de brasileiros foram incorporados às classes A, B e C. “Essa migração mantém a economia funcionando numa época de restrição externa de demanda. No entanto, por outro lado, acaba pressionando a inflação, dado o comportamento dos gastos públicos”, avalia Marcelo.

Outras boas notícias
A pesquisa realizada pela FGV também apontou que entre janeiro e abril de 2011 houve a criação líquida de 798 mil novos postos de trabalho, o que representa o terceiro melhor desempenho desde o ano 2000. Em 2010, no mesmo período, foram 962 mil novas oportunidades, e em 2008 foram 849 mil. “O emprego de carteira assinada é o maior símbolo da classe C, até mais do que o empreendedorismo”, destaca Marcelo Neri.

 

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