Análise revela desafios econômicos e impacto do turismo nas vendas do setor rodoviário capixaba em 2025
Maxieni Muniz
As vendas de passagens de ônibus com destino ao Espírito Santo atingiram, em outubro de 2025, o maior volume mensal do ano, impulsionadas pela intensificação do fluxo turístico. No período, foram comercializadas 130.904 passagens intermunicipais e interestaduais, superando o desempenho dos meses anteriores e consolidando outubro como o melhor resultado do setor em 2025.
O avanço mensal, porém, não altera o quadro de retração observado no acumulado do ano. O volume de outubro ficou 0,2% abaixo do registrado no mesmo mês de 2024 e, entre janeiro e outubro, as vendas totalizaram 1.034.100 bilhetes, queda de 23,8% na comparação anual. Em termos absolutos, o mercado deixou de vender 323.618 passagens no período.
Para o economista Vaner Corrêa, conselheiro do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), o desempenho de outubro deve ser interpretado como um movimento conjuntural, e não como sinal de reversão da tendência. Segundo ele, fatores sazonais concentraram a demanda em um único mês. “Outubro reuniu condições muito específicas, como maior fluxo turístico, eventos regionais, feriados prolongados e clima favorável, o que gerou um pico pontual de vendas”, afirma.
Na avaliação de Corrêa, esse resultado isolado não compensa as perdas acumuladas ao longo do ano. De forma indireta, o economista destaca que o setor enfrentou, nos meses anteriores, restrições mais severas, como pressão sobre a renda real das famílias, maior seletividade do consumo, recomposição parcial do transporte aéreo e mudanças no padrão de deslocamento. Assim, outubro funcionou como um ponto fora da curva em uma trajetória ainda negativa. Esse contexto ajuda a explicar a diferença de desempenho entre os modais.
No transporte fretado, mais associado a excursões, eventos e viagens organizadas, os números foram mais favoráveis. Em outubro, 46.458 passageiros desembarcaram no estado por meio desse modelo, crescimento de 4,2% em relação ao mesmo mês de 2024 e o maior volume mensal de 2025. No acumulado do ano, o fretamento somou 378.870 passageiros, apenas 0,4% abaixo do resultado do ano anterior.
Segundo Vaner Corrêa, o fretado demonstra maior resiliência estrutural em períodos de incerteza econômica. “É um modelo menos exposto à volatilidade da demanda individual, com custos diluídos e maior previsibilidade, o que o torna mais adaptado a um ambiente de consumo cauteloso”, avalia.
Para uma recuperação sustentável do transporte rodoviário no Espírito Santo, o economista aponta a necessidade de enfrentar fatores interligados. Entre eles estão a recomposição do poder de compra das famílias, a redução do custo relativo das passagens — pressionado por combustíveis, pedágios e tributos —, investimentos em infraestrutura viária, modernização da frota e políticas públicas voltadas à mobilidade terrestre e ao fortalecimento do turismo regional.
Sem esses ajustes, o transporte rodoviário tende a manter relevância estratégica, mas operando de forma defensiva. Com eles, pode retomar um ciclo de crescimento mais consistente e reafirmar seu papel na economia e no turismo capixaba.

