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“Todas as Flores”: hora de virada e vingança em nova fase

Todas as Flores mostra um ambiente diversificado, com pessoas boas sofrendo nas mãos dos maus

João Emanuel Carneiro escolheu um terreno com boa terra, e ali montou um imenso jardim, com os tipos de flores que mais o atraíam, algumas com espinhos, outras com mel. E, como qualquer espaço assim, as ervas daninhas também surgiram e logo dominaram alguns espaços. Esse ambiente diversificado, com pessoas boas sofrendo nas mãos dos maus, que fazem o que for preciso para atingir um objetivo, está retratado na novela Todas as Flores, que estreou sua nova fase nesta quarta, 5, no Globoplay. O primeiro episódio foi exibido às 20h, com liberação para não assinantes e, a cada semana, cinco novos episódios chegam às 18h.

E está confirmado que, a partir do segundo semestre, a obra de João Emanuel, que tem direção artística de Carlos Araujo, começará a ser apresentada pela TV Globo, desde o início. “Ela deve ser exibida às 11 e pouco da noite, no horário proibidão”, brinca o autor.

O folhetim, que foi escolhido para abrir um novo caminho para o gênero no streaming, é uma novidade também para o dramaturgo, como ele revelou em entrevista ao Estadão. “Acho que sempre fui um autor que gostava de fazer episódios de novela meio serializados, que contassem uma história diferente a cada dia”, reflete João Emanuel, 53 anos, que comprova como sua narrativa “tem um pouco a ver com um veículo do streaming”.

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“Estamos testando um formato novo, que é uma novela no streaming, de 85 episódios”, explica o escritor, que comprova ser esse um momento como se estivessem “atravessando uma ponte pela primeira vez. E parece que deu certo, estão gostando”, comemora. “Isso é uma sensação muito boa, pioneira”, conclui.

Nova fase

João Emanuel explica que vê a escrita de uma novela como um novelo de lã, em que você puxa o fio e começa o bordado. “No caso de Todas as Flores, o ponto de partida foi a história da Gata Borralheira”, diz o autor, mostrando o caminho que idealizou na elaboração da trama. “Como seria essa personagem hoje? Dissonante, maluca, interessante? Vamos colocar essa menina cega e juntar com outra, doente – ninguém nunca viu uma vilã doente -, e essa mãe no meio”, avalia.

A história contada por ele em Todas as Flores é carregada de emoção, como sempre ocorre em suas criações. Personagens intensos, que conquistam o público pelo caráter, sejam bons ou maus. Nesta segunda fase da trama, muito se espera da mudança de rumo que alguns irão tomar. A torcida pela meiga Maíra, interpretada por Sophie Charlotte, que pode voltar a enxergar, é grande para que ela consiga se vingar de todos que a iludiram.

Será um momento de virada. Ela poderá ver esse mundo que desconhecia, mas também será a hora de descobrir quem está do seu lado.

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João Emanuel afirma que muitas reviravoltas estão previstas – mas sem revelar muita coisa. No caso de Maíra, ele responde e ao mesmo tempo coloca uma interrogação. “Ela vai entrar um pouco para o lado obscuro da força, mas será que ela virá para o outro lado também?”, diverte-se o autor ao falar sobre a nova fase da novela.

Nos novos capítulos, Maíra retorna com desejo de vingança, pois quer cobrar tudo o que sofreu nas mãos de sua mãe, Zoé (Regina Casé), e da irmã, Vanessa (Letícia Colin). Ao seu lado, continuará contando com o apoio da madrinha Judite (Mariana Nunes), mas ainda se sentirá dividida entre Rafael (Humberto Carrão) e Pablo (Caio Castro).

Outros personagens enfrentarão revelações inquietantes, entre eles Humberto (Fabio Assunção), que será surpreendido por fatos do passado, e Diego (Nicolas Prattes), que terá de enfrentar as consequências de seu envolvimento com Samsa (Angelo Antônio) e do relacionamento com Joy (Yara Charry) e Lila (Naruna Costa).

Vingança

Intérprete da protagonista, Sophie Charlotte terá sua personagem transformada pelas circunstâncias, pronta para dar o troco por tudo que foi obrigada a passar. Mas ela não acredita que se vingar sirva para reparar injustiça. “Existe uma diferença grande entre justiça e vingança”, afirma a atriz ao Estadão. “Mas a ficção pode ser construída de forma a preparar o espectador e até estimular e esticar os limites do que é aceitável nessa busca. As cores na dramaturgia da nossa novela são bem fortes”, reflete. Para Sophie, personagens que se transformam, que amadurecem, a interessam. “Na nossa história, essa reviravolta de misturar os polos de vilania e justiça é um pedido do público que escuto todo dia”, revela.

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Mas, pensando em Maíra, a atriz é implacável com os que a enganaram e deseja que todos paguem pelo que fizeram. “Elas mentiram e manipularam, maltrataram e destruíram a vida da Maíra na primeira fase da novela. Não só da Maíra”, conta. Por outro lado, torce para que tudo dê certo entre ela e Gabriel, pois “o amor é a força que move o mundo”, diz. “E acho que falar de amor sempre é urgente.” Sophie destaca também que a personagem a ensinou muito. “O mais importante para mim foi o entendimento da importância de todos nós nos engajarmos na luta anticapacitista. É uma luta que precisa de muito avanço.”

Com informações de Agência Estado

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