Cerimônia tem clima tenso e marca novo capítulo após escândalo de corrupção e disputa judicial na maior cidade capixaba
Por Denise Miranda
Em sessão realizada na tarde desta segunda-feira (2), quatro suplentes tomaram posse como vereadores da Câmara Municipal da Serra (ES), marcando o encerramento de um impasse político que se arrastava desde setembro do ano passado. Os novos parlamentares assumem cadeiras deixadas vagas por colegas afastados por suspeita de corrupção passiva, decisão que havia aberto uma batalha judicial pelo preenchimento das vagas.
Tomaram posse os suplentes Marcelo Leal (MDB), Willian da Elétrica (PDT), Dr. Thiago Peixoto (Psol) e Sérgio Peixoto (PDT), que agora passam a integrar o Legislativo da maior cidade do Espírito Santo. A cerimônia oficial teve participação de autoridades, servidores e convidados, em um plenário que refletiu a tensão e os desafios enfrentados pela Casa de Leis nos últimos meses.
O processo que culminou na posse foi marcado por disputa na Justiça. Apesar de decisões favoráveis em mandados de segurança, o Tribunal de Justiça do Estado revogou determinações anteriores após recurso da própria Câmara, prolongando a indefinição sobre a assunção dos suplentes.
No discurso de posse, Thiago Peixoto destacou o momento delicado para a instituição, ressaltando que a confiança da população havia sido abalada pelo escândalo envolvendo os vereadores afastados. Ele aproveitou para agradecer o trabalho do Ministério Público e do Judiciário na defesa do interesse público.
A primeira sessão com os novos vereadores, no entanto, foi marcada por um bate-boca entre Peixoto e o vereador Pastor Dinho Souza (PL). A troca de farpas começou após críticas de Souza ao Psol e ao histórico político de Peixoto, com acusações sobre pautas ideológicas e comportamentos em manifestações nacionais.
Peixoto respondeu à provocação defendendo sua trajetória profissional como médico e criticando a atuação de Souza em questões municipais, como o apoio a manifestações organizadas por figuras políticas nacionais. O episódio evidenciou a polarização que permeia a Câmara após meses de disputas internas e externas.
A posse dos suplentes e o clima da sessão refletem não apenas a recomposição dos quadros do Legislativo serrano, mas também os desafios de restaurar a confiança e a estabilidade política na Casa após um período de crise.

