Rumos ES

É mais que chegada a hora de melhor articulação entre políticos e empresários, de fazer acontecer.


A formação socioeconômica capixaba vive crise de dinamismo semelhante aquela pela qual passou nos anos 1950/60. Naquela época a questão central era a produção de café de que a economia local criou forte dependência.

Assim como com relação ao café durante boa parte do século XX, nas últimas cinco décadas o ES apostou em modelo de crescimento baseado em industrialização retardatária. Na busca de alternativas ao café, o governo Christiano D Lopes montou institucionalidade – criação de banco de desenvolvimento, estabelecimento de incentivos fiscais e financeiros – que permitiu ao estado agregar valor à existente e potencial produção primária.

Antenado ao proposto pelo II Plano Nacional de Desenvolvimento, seu sucessor, Arthur Carlos Gerhardt Santos foi hábil arquiteto e articulador na atração para a economia local de projetos de impacto. Dentre esses, os substituidores de importação e diversificadores de exportações CST, Aracruz e pelatizadoras da Vale e da Samarco.

“Ousadia para pensar e agir diferente, como fizeram no passado Muniz Freire, Cristiano D Lopes, Arthur G Santos, dentre outros”.

Localizados em um raio inferior a 100km de Vitória, esses projetos tanto contribuíram para a concentração setorial do crescimento quanto concentraram a urbanização em torno da Grande Vitória. Juntamente com atividades ligadas à importação incentivada pelo Fundap esses grandes projetos criaram uma zona de conforto que praticamente paralisou a busca de outras alternativas de crescimento.

Zona de conforto pela qual os municípios pagaram com queda brusca de arrecadação quando o Fundap deixou de colocar o estado em condições quase que exclusivas na movimentação de importações de maior valor agregado. Zona de conforto que agora precisa ser repensada em função de incertezas que cercam as atividades de mineração e pelotização da Vale/Samarco.

Mais do que as oscilações de mercado típicas de commodities, o sistema Sul da Vale está sendo corretamente questionadas pelo modelo de negócio adotado nos últimos anos. Com baixo compromisso na busca de alternativas de produção sustentável ambiental e socialmente, essa empresa cada vez mais é identificada com os crimes de Mariana e Brumadinho.

Do ponto de vista empresarial, a opção vai ser buscar auferir lucros crescentes no sistema Norte montado em torno do complexo de Carajás-Itaqui. Do ponto de vista da economia capixaba resta buscar criatividade e ousadia.

Ousadia para voltar a colocar o estado como porta ao mar para uma vasta hinterlândia. Em tempos de crescente uso de grandes navios para o transporte de containers, é mais do que chegada a hora das lideranças políticas e empresariais do ES se articularem com a Vale e a ArcerlorMittal para a construção de porto de águas profundas em Tubarão/Praia Mole.

Ousadia para valorizar a produção agropecuária, industrial, de comércio e serviços executada por micro, pequenas e médias empresas espalhadas por todo o território estadual. Produção que pode aumentar de valor caso incorpore conhecimentos que podem ser buscados/incentivados em instituições como o Ifes, o Incaper, a Ufes, dentre outras.

Ousadia para apoiar projetos e programas culturais que usem intensamente talentos locais espalhados pelo território e nas mais diversas áreas de economia criativa.


Arlindo Villaschi professor Titular de Economia / Ufes (aposentado)

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