Pneumonia bilateral causa infecção no pulmão direito e esquerdo, e pode levar a condições clínicas graves, principalmente, para grupos suscetíveis a doença
Por Amanda Amaral
Vaticano anunciou, nesta sexta-feira (21), que a situação do papa Francisco, 88 anos, não representa risco de vida, mas ele também não está fora de perigo. O chefe da Igreja Católica, segue hospitalizado no Hospital Policlínico Universitário Agostino Gemelli, em Roma, por conta de uma pneumonia bilateral descoberta no último dia 18. Mas que doença é essa que preocupa a Santa Sé?
As informações sobre a saúde do papa Francisco foram divulgadas pela Agência Estado, e dão conta ainda que o jesuíta argentino, que sofre de problemas respiratórios, teve o lobo pulmonar direito removido quando era jovem. A pneumologista do Hospital Evangélico de Vila Velha, Kristiane Moreira, explica que a pneumonia é uma infecção que afeta o tecido pulmonar e pode ser causada por vírus, bacteriais ou fungos.
A especialista em medicina do sono e pneumologista, Jessica Polese, especifica: “a infecção viral é comum em ambientes com circulação de vírus e pode evoluir para uma infecção bacteriana. A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é frequentemente causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, que se instala nos pulmões em casos de baixa imunidade”.
Sobre a pneumonia bilateral – que afeta o papa Francisco, Kristiane Moreiro explica: “temos dois pulmões, o direito e o esquerdo. A infecção pode atingir uma área pequena de um dos pulmões ou uma área maior. Mas quando ela se estende pelo pulmão direito e esquerdo, é de maior abrangência, o que pode acometer mais o estado clínico do paciente”, explicou.

Quando a pneumonia ocorre nos dois pulmões, simultaneamente, denomina-se pneumonia bilateral, complementa Jessica Polese: “ela pode surgir da evolução de uma infecção que começou em um pulmão e se espalhou para o outro, ou pode já se instalar nos dois pulmões desde o início. Geralmente, está associada a infecções bacterianas mais agressivas ou a quadros virais como os causados pelo vírus da gripe e a covid-19”.
A especialista alerta ainda que a pneumonia bilateral pode comprometer gravemente a oxigenação do corpo, levando a insuficiência respiratória. “Em casos mais severos, pode ser necessário suporte de oxigênio ou até ventilação mecânica. Além disso, se não tratada adequadamente, pode causar complicações como sepse e falência de múltiplos órgãos”, afirma.
Grupos suscetíveis
Kristiane Moreira explica que pacientes mais suscetíveis a infecções mais extensas são, geralmente, os idosos (+ 60 anos), crianças, pessoas com imunidade comprometida por algum outro problema de saúde e aqueles que já possuem problemas respiratórios como asma e DPOC – Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, por exemplo.
“Também estão no grupo de risco os pacientes que já tiveram infecções de repetição que possam ter alterado a arquitetura do pulmão, e por conta dessas infecções precisam fazer uso de antibióticos com certa frequência, já que os germes podem ficar mais resistentes. A gente analisa isso caso a caso”, disse a pneumologista.
Prevenção

Para Kristiane Moreira é importante que as pessoas que estão no grupo de risco sejam devidamente orientadas. Ela dá uma série de dicas para evitar as infecções do trato respiratório. Entre elas: manter o esquema vacinal em dia; ter uma boa alimentação para um organismo saudável; se manter hidratado; praticar atividades físicas regularmente. “Ter cuidado com aglomerações e lavar bem as mãos, porque do modo como nós as utilizamos, podemos levar germes para as vias aéreas ao manipular o nariz e a boca”, acrescenta.
Sobre a vacinação, Jessica Polese alerta a respeito das vacinas pneumocócica e contra gripe, que deve ser aplicada anualmente, assim como o imunizante contra a covid-19, que também reduz o risco de pneumonia grave. “Higienizar as mãos auxilia a não transmitir a doença. Não fumar e tentar evitar ambientes poluídos, manter uma alimentação balanceada e hidratação sempre, beba muita água, assim fortalecemos a imunidade”, frisa.

