Nos últimos dias, ocorreram eventos inusitados envolvendo balões turísticos, que levantaram questões sobre a segurança dessa prática no estado
Por Kebim Tamanini
Nos últimos dias, o Espírito Santo foi cenário de eventos inusitados envolvendo balões turísticos, que chamaram a atenção da população e levantaram questões sobre a segurança dessa prática no estado. No domingo (11), um balão com 13 pessoas a bordo fez um pouso em uma área de difícil acesso em Alfredo Chaves. No mesmo dia, motoristas que transitavam pela BR-262 foram surpreendidos ao ver um balão ‘estacionado’ no acostamento da rodovia.
Pouso de emergência na BR 262 Domingos Martins – Balão 🎈 pic.twitter.com/JmIoitduAg
— Capixaba da Gema (@capixabadagema) August 11, 2024
Esses episódios aconteceram apenas uma semana após um balão ter colidido com uma rede elétrica durante um voo em Pancas, no Noroeste capixaba, causando momentos de tensão para os passageiros.
Em busca de esclarecimentos, a equipe de jornalismo da ES BRASIL conversou com Luciano Gross Caetano, piloto de balão há 14 anos e responsável pelos voos na região de Pedra Azul, em Domingos Martins. Ele explicou que, embora esses incidentes possam parecer alarmantes, são situações comuns no balonismo, especialmente em uma região onde a prática ainda está em expansão.

Luciano ressaltou que, para um balão cair, seria necessário um evento muito grave, como o desmaio do piloto ou a falha simultânea dos maçaricos. Ele destacou o uso de tecnologia para monitorar as condições atmosféricas, como celulares equipados com sensores que permitem aos pilotos visualizar o clima, garantindo a segurança do voo.
Sobre o pouso imprevisto na BR-262, ele explicou que o terreno ao redor da rodovia era seguro e livre de obstáculos, o que possibilitou um pouso controlado e em condições seguras. “Embora possa parecer uma emergência, o pouso foi tranquilo e realizado dentro dos parâmetros de segurança”, afirmou.
Luciano acredita que, com o crescimento do balonismo no Espírito Santo, a população se familiarizará com as particularidades dessa prática, compreendendo que situações como essas fazem parte da operação normal dos voos de balão.
E o clima?

Questionado sobre as condições climáticas ideais para o balonismo, o piloto esclareceu que o clima ameno, sem calor excessivo, é o mais propício. “O balão flutua graças ao ar quente dentro dele, e quanto mais amena a temperatura, menor será o desgaste do balão. No último domingo, embora a visibilidade estivesse reduzida, conseguimos enxergar entre 20 e 30 metros à frente. A neblina começou a dissipar por volta das 7h30, permitindo um voo seguro”, explicou Luciano sobre o incidente na BR-262.
Ele também comentou sobre a velocidade dos balões, que pode variar de 4 a 5 km/h até 21 km/h, dependendo das condições. Em regiões montanhosas como Pedra Azul, já foram registradas velocidades de 30 a 40 km/h nas altitudes mais elevadas. Contudo, durante o pouso, a velocidade é reduzida, o que facilita um pouso seguro com o cesto em pé.
“Em Pedra Azul, ao contrário de lugares como Capadócia, Dubai, África e Egito, onde o cesto do balão frequentemente deita durante o pouso, as condições permitem um pouso seguro com o cesto em pé. Nos últimos dois meses, realizamos mais de cem voos e, em apenas um caso, o cesto deitou, mas foi uma situação controlada”, garantiu o piloto responsável pelos voos.
Restrições de Voos
Luciano também esclareceu as restrições de voo em Pedra Azul. Crianças a partir de quatro anos podem voar, sem limite máximo de idade. A restrição de idade mínima visa garantir que a experiência seja positiva, já que o barulho do maçarico pode assustar as crianças mais jovens.
Quanto ao peso, é solicitado que os passageiros informem seu peso no momento da reserva, para assegurar que o balão esteja dentro dos limites seguros de decolagem.
Histórico de Acidentes no Brasil
O balonismo no Brasil tem mais de 40 anos de história e um histórico de segurança bastante sólido. Luciano destacou que, ao longo desse período, houve apenas um incidente fatal, ocorrido em 2009 em Boituva, São Paulo, durante a entrada de uma frente fria.
“Apesar das condições severas naquele dia, com 12 balões voando em ventos de 60 a 70 km/h, apenas um balão sofreu um acidente fatal, o que mostra que o balonismo é, de fato, uma forma de voo extremamente segura”, finalizou Caetano sobre a única situação fatal.


