O Estado do Espírito Santo, que vem tendo quedas sucessivas na sua produção industrial e que teve recentemente a economia de vários municípios afetados pelas enchentes, enfrentará cisalhamento de suas cadeias produtivas
Que o episódio do coronavírus é uma variável exógena e remota, ninguém duvida mais. A grande dúvida que se apresenta para os economistas é: qual será o peso desta variável no modelo econômico global com as repercussões na economia brasileira?
Para medir esta destruição, analisamos duas gigantescas crises, respectivamente, a de 1929 e a de 2008.
A primeira foi catastrófica e se manifestou definitivamente com a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque. Foi muito destrutiva para a sistema econômico, nos EUA teve uma taxa de desemprego até 25% e uma queda média do PIB mundial de 15%.
Na crise de 2008, um problema localizado no sistema de financiamento de imóveis americano, houve uma queda média do PIB mundial em 1%.
Com a crise de 1929, tivemos uma depressão econômica e praticamente foi uma crise que se estendeu até 1939, à beira do segundo conflito mundial.
Já na de 2008 nós chegamos a ter uma recessão mundial e só não foi pior porque as grandes economias já conheciam o remédio para debelar este tipo de situação, que foi colocar os tesouros nacionais e seus entes financeiros para dar liquidez à economia.

E o que se pode predizer de uma crise que tem sua origem numa doença que ainda não há remédio e nem vacina, cujo único tratamento é o isolamento social e a cláusula doméstica? Todo o mundo civilizado está paralisado e com consequências drásticas sobre as cadeias produtivas econômicas.
Portanto, as consequências econômicas são difíceis de se prever. Indubitavelmente, esta paralisação levará a uma queda do PIB mundial. Se será drástica ou não, ainda teremos o primeiro semestre do ano para verificar.
Uma coisa até o momento é certa: está se apresentando uma encruzilhada para os agentes econômicos do mundo caso não apareça uma panaceia medicamentosa que debele o vírus, a saber: todos ficarão entre a escolha inequívoca de milhares de mortes e de milhões de desempregos.
Não há autoridade médica que afirme que há um remédio milagroso ou que não haja a possibilidade de reinfecção, sendo assim, por mais que o apelo para o isolamento seja grande, em algum momento a economia deverá se flexibilizar.
No Brasil, cuja economia estava se recuperando, quando comparado com as medidas tomadas pela China e os EUA para conter o vírus, devemos alertar que não teremos tanta gordura para queimar.
Já o Estado do Espírito Santo, que vem tendo quedas sucessivas na sua produção industrial e que teve recentemente a economia de vários municípios afetados pelas enchentes, enfrentará cisalhamento de suas cadeias produtivas.
Por fim, até então, tínhamos desafios internos que se traduziam numa revisão do tamanho do estado brasileiro e externos, como o clássico problema de guerra comercial entre EUA e China, preço do petróleo, etc. Agora, nós temos uma variável que é a “peste” do Covid-19, cuja previsibilidade sobre o modelo econômico global, no longo prazo, poderá ser incalculável.
Vaner Corrêa é conselheiro do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES)

