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Oscar: “Ainda Estou Aqui” não é o único premiado brasileiro

Brasil já ganhou o prêmio máximo do cinema em algumas categorias em produções gravadas e co-produzidas por brasileiros. Veja algumas situações

Por Marcela Delatorre

O Brasil inteiro parou para assistir e vibrar com a vitória do filme “Ainda Estou Aqui” no Oscar 2025. A produção cinematográfica brasileira trouxe a estatueta de “Melhor Filme Estrangeiro” pela primeira vez para o País e encheu a população de orgulho. No entanto, outras produções nacionais e também artistas brasileiros já estiveram no topo da premiação. Ainda assim, o Oscar nunca veio parar no Brasil.

Quer entender melhor? Vamos lá!

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Com quase 100 anos de existência, o Oscar é considerado o prêmio mais importante do cinema nos Estados Unidos e no mundo. A primeira edição ocorreu em 1929 e de um jeito muito diferente daquele que conhecemos hoje. Desde então, diversos filmes e artistas foram premiados – inclusive alguns com DNA brasileiro.

A primeira nomeação do Brasil no Oscar ocorreu em 1945, quando a canção “Rio de Janeiro”, de Ary Barroso, concorreu à categoria de Melhor Canção Original, pelo filme estadunidense “Brazil”. A música, no entanto, não levou a estatueta para a casa.

Mas já que a história aqui é sobre vitórias, nada mais justo do que citar o filme “Orfeu Negro”, que foi gravado no Brasil, em meio ao Carnaval do Rio de Janeiro, e estrelado por Breno Mello (ator e jogador de futebol brasileiro) e Léa Garcia (atriz brasileira). A produção audiovisual conquistou o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro em 1960, mas a estatueta não foi creditada para o Brasil. Isso porque a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas classificou o filme apenas como francês devido à nacionalidade do seu diretor, Marcel Camus. Apesar de parecer injusto, as regras eram diferentes na época.

Atualmente, para que um filme represente o seu país de origem, é necessário que boa parte da obra seja falada em sua língua nativa, o que consagraria Orfeu Negro como um filme brasileiro.

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Já em 1993, outra estatueta que poderia ser do Brasil foi conquistada. A artista e figurinista Luciana Arrighi ganhou um Oscar de Melhor Direção de Arte (hoje chamado de Design de Produção) pelo filme “Retorno a Howards End”. Mas por quê o prêmio poderia ser do País? É simples! A artista nasceu no Rio de Janeiro, em 1940. No entanto, ela saiu do Brasil com apenas dois anos de idade e possui nacionalidade australiana.

Em uma entrevista em 2018, Luciana Arrighi afirmou que “o Oscar é um pouco brasileiro”. No entanto, mais uma vez a estatueta ficou longe das terras tupiniquins.

Outras coproduções brasileiras também estiveram entre as indicadas ao Oscar e, algumas delas até levaram para casa a premiação, como é o caso de William Hurt, que venceu a categoria de Melhor Ator pelo filme “O Beijo da Mulher-Aranha” (1986). A atriz brasileira Sônia Braga foi a grande estrela do longa-metragem, que trazia também outros artistas brasileiros e foi coproduzido entre Brasil e Estados Unidos. No entanto, o prêmio foi creditado aos Estados Unidos devido à nacionalidade do ator.

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Já em 2005, o filme “Diários de Motocicleta”, do diretor brasileiro Walter Salles, teve duas indicações na cerimônia – melhor roteiro adaptado para José Rivera e melhor canção original para Jorge Drexler, que venceu o prêmio. A produção foi uma parceria entre oito países e, mais uma vez, o Oscar não foi creditado ao Brasil. O mesmo ocorreu com o filme “Me Chame pelo Seu Nome”, que é coproduzido pelo Brasil. O longa ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado.

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Apesar de muitas participações, mas nenhuma vitória oficial antes de 2025, o Brasil finalmente conseguiu segurar a estatueta por meio das mãos do diretor Walter Salles e, após ficar no “quase” por muitos anos, os brasileiros agora tem um Oscar para chamar de seu.

Confira a lista completa de brasileiros indicados ao Oscar:

Indicações brasileiras por produções completamente brasileiras

  • 1963 – “O Pagador de Promessas” – Melhor Filme Internacional
  • 1996 – “O Quatrilho” – Melhor Filme Internacional
  • 1998 – “O Que é Isso, Companheiro?” – Melhor Filme Internacional
  • 2001 – “Uma História de Futebol” – Melhor Curta-metragem em Live-action
  • 2004 – “Cidade de Deus” – Melhor Diretor (Fernando Meirelles), Melhor Roteiro Adaptado (Bráulio Mantovani), Melhor Edição (Daniel Rezende), Melhor Fotografia (César Charlone)
  • 2016 – “O Menino e o Mundo” – Melhor Filme de Animação
  • 2020 – “Democracia em Vertigem” – Melhor Documentário

Indicados brasileiros em produções estrangeiras

  • 1945 – “Brazil” – Melhor Canção Original para “Rio de Janeiro”, de Ary Barroso
  • 1982 – “El Salvador: Another Vietnam” – Melhor Documentário, com Tetê Vasconcellos na direção
  • 1993 – “Howards End” – Melhor Direção de Arte (Luciana Arrighi). Venceu a categoria
  • 1994 – “The Remains of the Day” – Melhor Direção de Arte (Luciana Arrighi)
  • 2000 – “Anna and the King” – Melhor Direção de Arte (Luciana Arrighi)
  • 2004 – “Gone Nutty” – Melhor Curta-metragem de Animação, com Carlos Saldanha na direção
  • 2012 – “Rio” – Melhor Canção Original para “Real in Rio”, de Sérgio Mendes e Carlinhos Brown
  • 2018 – “O Touro Ferdinando” – Melhor Filme de Animação, com direção de Carlos Saldanha

Coproduções brasileiras indicadas

  • 1960 – “Orfeu Negro” – Melhor Filme Internacional (produção francesa em língua portuguesa)
  • 1979 – “Raoni” – Melhor Documentário (Luiz Carlos Saldanha na direção)
  • 1986 – “O Beijo da Mulher-Aranha” – Melhor Filme, Melhor Diretor (Héctor Babenco), Melhor Ator (William Hurt como vencedor) e Melhor Roteiro Adaptado
  • 1999 – “Central do Brasil” – Melhor Filme Internacional, Melhor Atriz (Fernanda Montenegro)
  • 2005 – “Diários de Motocicleta” – Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção Original (do diretor Walter Salles)
  • 2011 – “Lixo Extraordinário” – Melhor Documentário (com João Jardim na equipe)
    2015 – “O Sal da Terra” – Melhor Documentário
  • 2018 – “Me Chame Pelo Seu Nome” – Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado (venceu), Melhor Ator e Melhor Canção Original

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