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OMS anuncia diretriz global para uso de ‘canetas’ no tratamento da obesidade

Organização reconhece obesidade como doença crônica e orienta uso de medicamentos em abordagem multimodal.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou nesta segunda-feira, 1, sua primeira diretriz sobre o uso de medicamentos agonistas de GLP-1, mais conhecidos como canetas para tratamento da obesidade.

“Nossa nova orientação reconhece que a obesidade é uma doença crônica que pode ser tratada com cuidado abrangente e contínuo”, afirma o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em comunicado oficial.

Considerada uma doença complexa, a obesidade é um dos principais fatores de risco para problemas cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer, entre outras enfermidades. A condição também contribui para piores desfechos em casos de doenças infecciosas.

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De acordo com a OMS, a obesidade esteve associada a 3,7 milhões de mortes em 2024, e a previsão é de que o número de pessoas com a doença possa dobrar até 2030 caso não sejam adotadas medidas contundentes.

“A obesidade é um grande desafio global de saúde que a OMS está empenhada em enfrentar, apoiando países e pessoas em todo o mundo para controlar a doença de forma eficaz e equitativa”, diz Ghebreyesus.

Em setembro deste ano, a organização já havia incluído agonistas de GLP-1 na lista de medicamentos essenciais para o manejo do diabetes tipo 2 em grupos de alto risco.

O documento apresenta duas declarações norteadoras. A primeira é:

“A obesidade é uma doença crônica complexa que requer cuidados ao longo da vida, começando com a avaliação clínica e o diagnóstico precoce. Após o diagnóstico, os indivíduos devem ter acesso a programas abrangentes de cuidados crônicos que ofereçam intervenções comportamentais e de estilo de vida contínuas. Quando apropriado, opções farmacológicas, cirúrgicas ou terapêuticas podem ser utilizadas para auxiliar no manejo eficaz da doença. Paralelamente, os cuidados devem abordar a prevenção e o tratamento de complicações e comorbidades relacionadas à obesidade.”

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Essa orientação é seguida por uma recomendação considerando as evidências disponíveis sobre a liraglutida (Victoza e Saxenda), a semaglutida (Ozempic e Wegovy) e a tirzepatida (Mounjaro):

Em adultos com obesidade, os agonistas do receptor GLP-1 ou os agonistas duplos GIP/GLP-1 podem ser usados como tratamento de longo prazo para a obesidade.

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Os especialistas que formularam a diretriz entendem que há evidências clínicas de certeza moderada para o uso dos medicamentos. Eles ponderam, entretanto, que há necessidade de mais evidências sobre os benefícios relativos e os potenciais danos associados ao uso da terapia com GLP-1 em tratamentos de longa duração, um dos motivos para a recomendação ser condicional”.

A segunda declaração é:

“Pessoas com obesidade devem receber aconselhamento adequado ao seu contexto sobre mudanças comportamentais e de estilo de vida – incluindo, entre outras, prática de atividade física e alimentação saudável – como um passo inicial para intervenções comportamentais mais estruturadas. Para indivíduos que recebem prescrição de agonistas do receptor GLP-1 (liraglutida e semaglutida) ou agonistas duplos de GIP/GLP-1 (tirzepatida), o aconselhamento sobre mudanças comportamentais e de estilo de vida deve ser oferecido como um primeiro passo para a terapia comportamental intensiva, visando ampliar e apoiar os melhores resultados de saúde.”

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Essa declaração é seguida por outra recomendação condicional:

Em adultos com obesidade que recebem prescrição de agonistas do receptor GLP-1 ou agonistas duplos de GIP/GLP-1, a terapia comportamental intensiva pode ser oferecida como uma intervenção conjunta dentro de um modelo clínico multimodal abrangente.

Nesse caso, os especialistas consideram que as evidências são de baixa certeza. Eles avaliam que a terapia comportamental como cointervenção com os medicamentos é provavelmente mais vantajosa em comparação com o uso isolado das canetas”.

As diretrizes listam limitações das pesquisas com os medicamentos, como a necessidade de investigar seu potencial impacto na fertilidade de mulheres com obesidade e de determinar as populações prioritárias para o uso da terapia com GLP-1 considerando a gama de valores de índice de massa corporal (IMC), medidas antropométricas alternativas (por exemplo, circunferência da cintura e do quadril) e doenças e distúrbios relacionados à obesidade, bem como em subpopulações por idade, sexo e etnia.

A OMS também reforça que, embora as terapias representem a primeira opção medicamentosa eficaz para adultos com obesidade, o uso de medicamentos sozinho não é suficiente. O documento destaca a necessidade de uma abordagem ampla que inclui criação de ambientes mais saudáveis por meio de políticas públicas, proteção de indivíduos de alto risco com triagem e intervenções precoces e garantia de acesso a cuidados contínuos e centrados no paciente.

As diretrizes enfatizam ainda a importância do acesso equitativo às terapias GLP-1 e da preparação dos sistemas de saúde para seu uso. Sem políticas adequadas, esses tratamentos podem aumentar desigualdades já existentes, de acordo com a OMS. Nesse sentido, a entidade faz um apelo por ações que ampliem o acesso aos medicamentos, como aumento da produção, redução de custos e fortalecimento da infraestrutura dos sistemas de saúde.

(Com informações da Agência Estadão, Por Andreza de Oliveira)

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