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Obesidade e doenças graves: uma relação cada vez mais estreita

Um novo estudo, realizado na Universidade de Lund, na Suécia, apontou a obesidade como fator de risco para 32 diferentes tipos de câncer

Por Gibran Sassine

A obesidade é um distúrbio que se caracteriza pelo excesso de gordura corporal que representa um grande e preocupante problema de saúde dos dias atuais, principalmente porque segue em escala crescente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo são obesas.

Evidências científicas revelam com cada vez mais recorrência a associação entre obesidade e doenças graves. Um novo estudo, realizado na Universidade de Lund, na Suécia, apontou o excesso de peso corporal como fator de risco para 32 diferentes tipos de câncer. Até agora, estudos científicos relacionavam a obesidade a 13 tipos de tumores malignos.

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A obesidade já era associada a neoplasias, como câncer de mama, intestino, útero e rins. E pela primeira vez, a gordura corporal excessiva foi relacionada a mais 19 tipos de câncer, entre eles, o melanoma maligno, tumores das glândulas pituitárias, de vulva e pênis e diferentes tipos na região de cabeça e pescoço.

A cada novo estudo, descobre-se que as complicações causadas pelo excesso de peso são maiores. A gravidade é maior do que imaginamos, por isso o aumento do número de pessoas obesas é bastante preocupante. Se nada for feito para combater a obesidade em larga escala, num futuro próximo teremos uma geração ainda mais adoecida por enfermidades graves.

É urgente a necessidade de os governos desenvolverem políticas públicas que viabilizem um tratamento acessível para combater e prevenir o excesso de peso, inclusive nas classes sociais mais baixas. A obesidade afeta boa parte da população mais pobre que não tem condições de bancar um tratamento, seja ele cirúrgico ou medicamentoso.

Além disso, é fundamental que os pacientes tenham acompanhamento para que os resultados sejam eficazes, e tudo isso tem custos que nem todos conseguem bancar, mas para frear essa ameaça à saúde das pessoas é preciso que haja investimentos sociais.

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Além do câncer, a obesidade contribui para o surgimento de muitas doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, esteatose hepática, problemas respiratórios e ortopédicos, além de infartos e AVCs, que em muitos casos podem causar morte fulminante.

Para além das políticas públicas, o controle e a prevenção dessa condição passam pela conscientização acerca dos hábitos saudáveis que precisam fazer parte do dia a dia das pessoas, independente da classe social ou da função que exercem.

Outro ponto de alerta é a obesidade infantil. Muitos casos começam ainda na infância, por isso é importante que os pais fiquem atentos à dieta e aos hábitos diários dos seus filhos. A obesidade é uma ameaça preocupante e, portanto, um desafio que cabe a todos: médicos, governos e cada cidadão que precisa se comprometer com uma rotina de menos excessos e mais consciência de autocuidado, o que certamente irá ajudar a prolongar os dias com saúde e longe de doenças que encurtam vidas.

Gibran Sassine é médico cirurgião do aparelho digestivo.

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