Mostra “Micélio – entre o fim e começo de tudo” fica em cartaz até 30 de julho com esculturas que exploram a beleza oculta dos fungos
Por Jessica Coutinho
A exposição “Micélio – entre o fim e começo de tudo”, da artista visual e escultora Kyria Oliveira, segue em cartaz até o dia 30 de julho no Centro Interpretativo da Aldeia de Reis Magos, em Nova Almeida, na Serra. Prevista inicialmente para terminar em junho, a mostra foi prorrogada por mais 40 dias após receber um número expressivo de visitantes e avaliações positivas do público.
A instalação, que ocupa a galeria Belchior Paulo, batizada em homenagem a um dos primeiros pintores a atuar no Brasil colonial, apresenta esculturas têxteis criadas em feltro a partir da técnica ancestral da feltragem. As obras retratam formas inspiradas no micélio, estrutura biológica dos fungos, explorando visualmente seu papel essencial como símbolo de renovação, transformação e conexão com a natureza.
Curadora da exposição, Clara Pignaton destaca que os fungos inspiram uma narrativa sobre ciclos e interdependência. “Por serem decompositores e regeneradores, eles carregam o mistério da transformação e do imponderável. Esses seres tão antigos e atuais garantem sua sobrevivência a partir de relações colaborativas”, observa.
A proposta da artista é instigar a sensibilidade do visitante por meio de esculturas que evocam texturas, tramas e estruturas aéreas. “Kyria fabula sobre uma paisagem invisível, submersa e, ao mesmo tempo, estratosférica. Suas peças nos oferecem aberturas e rasgos que são um convite à permeabilidade e ao olhar por dentro e através delas”, completa Clara.
Além da potência estética, a exposição também propõe uma reflexão sobre a construção do mundo contemporâneo e os impactos da ação humana sobre o meio ambiente, apontando para a crise climática e a urgência de novos modos de coexistência.
Presidente do Instituto Modus Vivendi, responsável pela gestão do espaço, Erika Kunkel ressalta que a mostra dialoga com a missão do Centro Interpretativo. “Queremos que esse espaço contribua para fortalecer a cena cultural da Serra e se consolide como um ponto de encontro para a arte e a comunidade. A exposição nos convida a repensar nossas práticas de coabitação com o mundo natural”, afirma.
Como parte da programação, Kyria Oliveira participa de uma conversa com alunos e colecionadores de arte no dia 24 de junho, às 14h, no próprio centro cultural. As inscrições estão abertas pelo site www.institutomodusvivendi.org.br.
Sobre a artista
Mineira radicada no Espírito Santo desde a infância, Kyria Oliveira é graduada em Artes Visuais pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Sua produção transita entre o singular e o múltiplo, o bastardo e o nobre, tendo como tema recorrente a relação entre casa e morador. Com uma trajetória marcada por prêmios e participações internacionais, ela esteve presente na Bienal Internacional de Arte de Macau (2023), na Bienal de Cerveira (2022 e 2020), em Portugal, e na Bienal de Florença (2017), onde foi contemplada com o Prêmio Lorenzo il Magnifico.
Entre 2016 e 2018, Kyria coordenou a Galeria Homero Massena, em Vitória, e o Museu do Colono, em Santa Leopoldina. Também expôs em Barcelona e Ouro Preto, consolidando seu nome como uma das artistas contemporâneas mais reconhecidas em atuação no Espírito Santo.

