Nova exposição apresenta esculturas têxteis inspiradas no micélio, refletindo sobre transformação, colaboração e impacto ambiental
Por Jessica Coutinho
O Centro Interpretativo da Aldeia de Reis Magos inaugura no dia 25 de fevereiro, às 16h, a Galeria Belchior Paulo, novo espaço dedicado à arte. A abertura será marcada pela exposição Micélio – entre o fim e começo de tudo, da artista visual e escultora Kyria Oliveira. O nome da galeria homenageia o jesuíta português Belchior Paulo, um dos primeiros pintores a atuar no Brasil no final do século XVI.
A mostra apresenta uma instalação com esculturas têxteis de feltro inspiradas no micélio, estrutura dos fungos filamentosos responsável pela decomposição e regeneração da matéria. Criadas a partir da técnica ancestral da feltragem, as peças exploram formas orgânicas e sugerem conexões invisíveis entre os seres vivos.
Para a curadora Clara Pignaton, a exposição propõe uma reflexão sobre transformação e colaboração na natureza. “Os fungos carregam o mistério do imponderável e garantem sua sobrevivência pelo engajamento em relações colaborativas”, afirma. Ela destaca que o trabalho de Kyria Oliveira convida à observação desse universo subterrâneo e pulsante. “Suas peças oferecem aberturas e rasgos que estimulam um olhar mais atento, com texturas e fios que se estendem em direção ao teto, sugerindo as infinitas possibilidades de uma rede micelar, quase sempre oculta.”
Além do aspecto estético, a exposição também aborda questões ambientais, como a crise climática e o impacto das ações humanas no planeta. Segundo Erika Kunkel, presidente do Instituto Modus Vivendi e gestora do Centro Interpretativo da Aldeia de Reis Magos, a proposta dialoga com a missão do espaço. “Queremos que esse local enriqueça ainda mais a cena cultural capixaba e fomente a arte na Serra”, ressalta.
Sobre a artista
Mineira radicada no Espírito Santo, Kyria Oliveira é graduada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e tem como temas recorrentes o estudo da casa e do morador. Seu trabalho transita entre o singular e o múltiplo, explorando contrastes entre o nobre e o bastardo.
Participou da Bienal Internacional de Arte de Macau (2023) e da XXII Bienal Internacional de Arte de Cerveira, em Portugal (2022). Foi premiada na XXI Bienal Internacional de Cerveira (2020) e recebeu menção honrosa na VI Bienal de Valência, na Espanha (2019). Também conquistou o Prêmio Lorenzo il Magnifico na XII Bienal de Florença, na Itália (2017). Entre 2016 e 2018, coordenou a Galeria Homero Massena, em Vitória, e o Museu do Colono, em Santa Leopoldina.

