- Continua após a publicidade -

Mais acusações contra Lula

Emílio Odebrecht afirma que o estádio do Corinthians, o Itaquerão, foi construído como presente ao ex-presidente Lula, fanático torcedor do clube. 

O empresário Ricardo Pessoa, dono da empreiteira UTC, afirmou em delação premiada que o consórcio Quip, do qual a sua empresa fazia parte, deu R$ 2,4 milhões de caixa dois, em 2006, para a campanha da reeleição de Lula, com quem teria se encontrado sete vezes durante o pleito. 

Em um dos 300 anexos da delação da Odebrecht, o herdeiro e ex-presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, declara ter entregue a Lula dinheiro em espécie. Os repasses foram efetuados, em sua maioria, quando Lula não mais ocupava o Palácio do Planalto. Segundo o empresário, o maior fluxo ocorreu entre 2012 e 2013. Foram milhões de reais originários do setor de Operações Estruturadas da Odebrecht – o já conhecido departamento da propina da empresa, aproximadamente, R$ 8 milhões foram transferidos, conforme revelado pela Polícia Federal. 

- Continua após a publicidade -

Os pagamentos em dinheiro vivo fazem parte do que os investigadores classificam de “método clássico” da prática corrupta. Em geral, é uma maneira de evitar registros de entrada, para quem recebe, e de saída, para quem paga, e de dinheiro ilegal. Mas, quando Marcelo Odebrecht foi preso, em junho de 2015, a empreiteira presidida por ele, naquele momento vulnerável a buscas e apreensões da Polícia Federal, acionou um esquema interno de emergência chamado de Operação Panamá. Segundo apurou a Isto É, consistia em promover uma varredura nos computadores, identificar os arquivos mais sensíveis e enviá-los para a filial da empresa no país caribenho. O objetivo era desaparecer com digitais e quaisquer informações capazes de comprovar transferências de dinheiro da Odebrecht ao ex-presidente Lula.

Mais acusações contra LulaEx-presidente da companhia, Marcelo Odebrecht

Agora caberá aos investigadores da Lava Jato investigar se repasses em dinheiro vivo ao ex-presidente guardam conexão com a operação Dragão, quando foram presos os operadores Adir Assad e Rodrigo Tacla Duran. Pelo esquema, as empreiteiras contratavam serviços jamais prestados, efetuavam o pagamento a Duran e recebiam o dinheiro para pagar agentes públicos. O esquema foi descoberto com a colaboração de um delator da Odebrecht:, Vinícius Veiga Borin, que contou à PF e aos procuradores como funcionava a engrenagem da lavagem de dinheiro criada pelas empreiteiras: as contas no exterior gerenciadas por Marcos Grillo, outro executivo da Odebrecht, alimentavam o Departamento de Propina da empreiteira. Quando havia necessidade de entregar valores em espécie no Brasil, eles recorriam a offshores, controladas por Duran. A Lava Jato suspeita que o dinheiro repassado a Lula possa ter integrado esse esquema.

Além de Marcelo Odebrecht, Lula também é citado por Emílio Odebrecht, Alexandrino Alencar, ex-executivo da empresa, e o diretor de América Latina e Angola, Luiz Antônio Mameri. Faz parte do pacote de depoimentos relatos sobre uma troca de mensagens eletrônicas entre Mameri e Marcelo Odebrecht, onde fica claro a participação do ex-presidente na aprovação de projetos da empreiteira no BNDES. O diretor da empreiteira afirmou que as influências de Lula e do ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que continua preso, foram decisivas para a aprovação de projetos exatamente como foram concebidos nas salas da Odebrecht, sem que houvesse nenhuma avaliação técnica, citando obras em Angola e Cuba.

- Continua após a publicidade -

Os procuradores do DF investigam se Lula também cometeu tráfico de influência para levar obras de empreiteiras brasileiras a Cuba, Equador, Panamá e Venezuela. A suspeita é que a propina teria sido paga por meio da contratação de Lula, por essas empreiteiras, para dar palestras.

Nos últimos dias, a Procuradoria-Geral da República iniciou o estágio da validação dos depoimentos, em que os 50 delatores e 32 colaboradores da Odebrecht passaram a
ler e confirmar o que já escreveram. Tudo será gravado e essa verificação de informações pode durar até o final deste mês, uma vez que nem todos os executivos foram informados sobre a data do encontro com os procuradores. Ao todo, 100 parlamentares deverão ser delatados pelo esquema de propinas na Petrobras e 20 governadores e ex-governadores deverão ser denunciados a partir das revelações dos executivos da Odebrecht; R$ 6 bilhões é o valor total previsto de multa no acordo de leniência negociado pela empresa com o Brasil, Estados Unidos e a Suíça; 50 advogados negociam os últimos detalhes para a assinatura, ainda neste mês, dos acordos de colaboração, que depois serão enviados ao Supremo Tribunal Federal para homologação.

O ex-presidente se tornou réu três vezes por obstrução de Justiça, ocultação de patrimônio, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, organização criminosa e tráfico de influência no BNDES, em razão do esquema envolvendo a contratação de seu sobrinho Taiguara Rodrigues dos Santos.  E o ex-diretor da Odebrecht Alexandrino Alencar revelou que a empresa participou da reforma do sítio em Atibaia, no interior de São Paulo, que pertenceria ao ex-presidente Lula. Contou também detalhes das viagens que fez com Lula a bordo de jatinhos da empreiteira. 

BNDES 

- Continua após a publicidade -

Desde que Guido Mantega, em 2006, deixou a presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e se tornou Ministro da Fazenda, o total de empréstimos do Tesouro ao banco passou de R$ 9,9 bilhões (0,4% do PIB) para R$ 414 bilhões (8,4% do PIB). Alguns desses empréstimos, destinados a financiar atividades de empresas brasileiras no exterior e que foram conhecidos, porque o MPF pediu na justiça a liberação dessas informações. Em agosto, o juiz Adverci Mendes de Abreu, da 20.ª Vara Federal de Brasília, considerou que a divulgação dos dados de operações com empresas privadas “não viola os princípios que garantem o sigilo fiscal e bancário” dos envolvidos. A partir dessa decisão, o BNDES é obrigado a fornecer dados sobre que o Tribunal de Contas da União, o Ministério Público Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) solicitarem. Descobriu-se assim uma lista com mais de 2.000 empréstimos concedidos pelo banco desde 1998 para construção de usinas, portos, rodovias e aeroportos no exterior.

Mais acusações contra LulaMetrô no Panamá, construído pela Oderbrecht – Valor da obra – US$ 1 bilhão

Quem defende o financiamento de empresas brasileiras no exterior argumenta que a prática não é exclusiva do Brasil. Também ocorre na China, Espanha ou Estados Unidos por exemplo. O BNDES alega também que os valores destinados a essa modalidade de financiamento correspondem a cerca de 2% do total de empréstimos, e que os valores são destinados a empresas brasileiras (empreiteiras em sua maioria), e não aos governos estrangeiros.

Outra questão polêmica são os juros abaixo do mercado que o banco concede às empresas. Ao subsidiar os empréstimos, o BNDES funciona como um Bolsa Família ao contrário, um motor de desigualdade: tira dos pobres para dar aos ricos. Ou melhor, capta dinheiro emitindo títulos públicos, com base na taxa Selic (11% ao ano), e empresta a 6%. Isso significa que ele arca com 5% de todo o dinheiro emprestado. Dos R$ 414 bilhões emprestados este ano, R$ 20,7 bilhões são pagos pelo banco. É um valor similar aos R$ 25 bilhões gastos pelo governo no Bolsa Família, que atinge 36 milhões de brasileiros.

 

 

Leia Mais

Ferraço abre diálogo coletivo para escolha de vice
Delação de Mauro Cid corrobora investigação de FBI,...
Pendências Eleitorais: prazos terminam em uma semana
Líder do PL articula no STF para manter...
Itaipava intermediava o pagamento de propina a políticos
PF investiga venda de sentenças e bloqueia R$...
Diploma Geovani: veja honraria criada após morte do...
Mauro Cid: Michelle e Eduardo atiçavam Bolsonaro a...
Mesário: função essencial nas eleições brasileiras
Defesa de Garnier argumenta que teses podem mudar...

Receba notícias exclusivas no seu WhatsApp

Contéudos especiais no seu email. Receba hoje!

- Continua após a publicidade -
- Publicidade -

EDIÇÃO DIGITAL

Edição 233

RÁDIO ES BRASIL

Continua após publicidade

Política e ECONOMIA

Matérias relacionadas

- Continua após a publicidade -