Startup criada por estudantes de Vila Velha e Recife combina radar 4D e IA para analisar o comportamento do consumidor no varejo sem ferir a privacidade
Por Thamiris Guidoni
A Beluga Analytics nasceu do encontro de cinco jovens empreendedores — Edgar da Fonte Barbosa, Eduardo Lucas da Silva de Oliveira, Matheus Tárcio Roque dos Santos, Rafael Petindá Canêdo Ribeiro e Guilherme Jenner Gomes de Abreu — e já desponta como um dos cases mais promissores do ecossistema de inovação nacional.
A proposta é usar sensores de radar 4D aliados à inteligência artificial para compreender o comportamento dos consumidores dentro das lojas — sem câmeras e sem invasão de privacidade.
O dispositivo desenvolvido pela Beluga registra métricas como fluxo de pessoas, tempo de permanência em frente a produtos e áreas de maior interesse. Os dados são processados em tempo real e exibidos em dashboards inteligentes, permitindo ao varejista tomar decisões estratégicas sobre trade marketing, promoções e disposição de produtos.
Segundo Rafael Petindá, um dos fundadores, a ideia surgiu de uma inquietação antiga. “No mundo físico, as marcas tomam decisões praticamente no escuro. Elas sabem quantos produtos entram e saem das lojas, mas quase nunca entendem o porquê isso acontece. Foi para resolver esse problema que criamos a Beluga.”
A tecnologia combina sensores de última geração, internet das coisas (IoT) e inteligência artificial para analisar, em tempo real, o comportamento dos consumidores no ponto de venda.
“Nossa tecnologia consegue conectar algo que antes era invisível: o que acontece entre o momento em que o cliente entra na loja e o instante em que decide comprar”, explica Petindá.
O diferencial está em oferecer ao mundo físico o mesmo nível de precisão e mensuração que antes só existia no ambiente digital. Assim, o lojista passa a medir o engajamento de seus clientes como se estivesse analisando cliques e acessos online.
“Ver os primeiros dados surgindo foi como acender a luz em um lugar que sempre esteve no escuro. De repente, conseguimos enxergar o caminho que leva até a venda — e não só o ponto final dela”, completa.
A Beluga já integra o Porto Digital, em Recife — um dos maiores parques tecnológicos do Brasil — e conta com apoio de iniciativas como o Google Cloud for Startups. No Espírito Santo, a startup também tem proximidade com programas de incentivo como o SPAS (Sistema de Parques de Apoio à Startups), criado para fortalecer o ecossistema local e dar suporte a negócios inovadores.
Com apenas 22 anos, os fundadores uniram diferentes formações acadêmicas — da engenharia e administração na UFPE à ciência da computação na UVV, em Vila Velha (ES). Amizade, inquietação e espírito empreendedor deram origem a uma tecnologia que promete reposicionar o Brasil no mapa da inovação global.
“Estamos construindo algo que pode mudar a forma como as decisões são tomadas no varejo. O mercado está sedento por dados confiáveis e acionáveis no mundo físico — e estamos apenas começando a entregar essa visão”, destaca Petindá.


