Investimentos em diversas frentes na Saúde

Rede Cuidar é um projeto que visa a reorganizar todo o modelo de atenção à saúde no Estado do Espírito Santo - Foto: Thiago Guimaraes

Ano foi marcado por ampliação de serviços e leitos

Criação e ampliação de serviços, mutirão de exames e entrega de equipamentos foram algumas das ações executadas ao longo de 2018 pelo governo do Estado para melhorar a vida de quem depende do Sistema Único de Saúde (SUS).

Com a assinatura de termo aditivo no valor de R$ 36,7 milhões ao convênio já firmado entre a Secretaria de Saúde (Sesa) e o Hospital Evangélico de Vila Velha, a oferta mensal de cirurgias na área de urologia naquela unidade passará de 75 para 115, e as de catarata, de 600 para 800. Além disso, as internações de média e alta complexidade no mesmo período serão ampliadas de 673 para 695.

Outro aditivo, orçado em R$ 23,8 milhões, trará novos atendimentos para a Santa Casa de Misericórdia de Vitória, onde poderão ser realizadas 60 cirurgias cardiológicas e 100 cateterismos mensalmente. Um terceiro aditivo, de R$ 21 milhões, aumentará na Santa Casa de Cachoeiro de Itapemirim o número de internações de média e alta complexidade. Os exames e atendimentos de urgência deverão saltar de 23.222 para 26.613. Pacientes também terão acesso a órteses, próteses e materiais especiais (OPMEs) usados em cirurgias de trauma, o que desafogará os hospitais da Grande Vitória.

Ainda contemplando a Região Metropolitana, o governo autorizou a publicação do edital de licitação para a construção do Hospital Estadual Geral de Cariacica, cuja estrutura prevê 400 leitos, a ser distribuídos entre as unidades de tratamento intensivo (UTI), de tratamento intensivo pediátrico (Utip), de tratamento intensivo neonatal (Utin) e de cuidados intensivos neonatais (Ucin), além da área de cuidados semi-intensivos, maternidade, enfermaria e retaguarda para recebimento de pacientes encaminhados de outros hospitais. Com as especialidades de clínica médica, neurologia, nefrologia, cirurgia geral, maternidade e cirurgia de cabeça e pescoço, o pronto-socorro ficará responsável por 8.200 atendimentos por mês. Orçado em R$ 280 milhões, o complexo deve começar a ser construído em 2019, com previsão da conclusão das obras em quatro anos.

Também será ampliado o Hospital São Lucas, em Vitória. De acordo com o edital, haverá 43 novos leitos, sendo 21 de UTI, 12 de semi-intensivo e 10 de recuperação pós-anestésico (RPA), que não existe lá hoje. A instalação de um heliponto também está no pacote. A área de edificação será de 3.835,56 metros quadrados (m²) e o investimento total, de R$ 26,5 milhões, dos quais R$ 18 milhões vão para obras e R$ 8,5 milhões, para compra de equipamentos.

Outro destaque foram os mutirões, em áreas como oftalmologia, vascular, ginecologia e de reconstrução mamária. Até o fim do ano, deverão ter sido investidos R$ 19,4 milhões nessa frente. Em outubro, a Sesa lançou ainda uma mobilização desse tipo para uma série de exames: ressonância magnética, tomografia, endoscopia, colonoscopia, ultrassonografia com doppler, ecocardiograma, retosigmoidoscopia, cintilografia e densitometria, totalizando 10.993 procedimentos e um investimento de R$ 2.560.804,50 em recursos próprios. “Com o mutirão, vamos reduzir a fila de quem está esperando para fazer exame e, com a modernização dos equipamentos, melhoramos a qualidade do atendimento nos hospitais públicos”, disse secretário de Estado da Saúde, Ricardo de Oliveira.

Fechando as ações de iniciativa pública, destaque para a Rede Cuidar, que tem levado ao interior do Estado atendimento para diversas especialidades médicas, evitando a necessidade de deslocamento de pacientes até a capital. As cidades de Nova Venécia, Guaçuí e Santa Teresa já ganharam unidades, que serão implementadas ainda em Linhares e Domingos Martins. A estimativa é que 1 milhão de pessoas deixem de ser direcionadas para a Grande Vitória e passem a ser atendidas de forma mais ágil, humanizada e com hora marcada.

Aquisições e investimentos no setor privado

No setor privado, 2018 foi de celebrado crescimento para as operadoras de plano de saúde que atuam no Estado. A Samp, por exemplo, expandiu-se aproximadamente 15%, inaugurou uma clínica em Cachoeiro de Itapemirim e aprimorou o aplicativo Bio, que hoje já acompanha preventivamente 11 mil beneficiários. Com 250 mil associados, 1.076 médicos conveniados, 40 hospitais, 192 laboratórios e rede credenciada em 63 municípios, a empresa chega ao fim de 2018 com vários projetos, como a inauguração de clínicas em Linhares, São Mateus e Colatina. “Lançaremos produtos com rede direcionada geograficamente. O encarecimento da saúde no Brasil fez com que a sociedade entendesse que ‘menos é mais’. Durante décadas, as pessoas adquiriam planos pelo tamanho de suas redes de médicos. Essa fase passou, hoje as pessoas querem um plano que caiba em seu orçamento com uma rede restrita e de fácil acesso”, frisou o diretor da Samp, Marcio Maciel.

A Samp inaugurou em novembro a clínica de Cachoeiro e cresceu cerca de 15% – Foto: Jackson Goncalves

Já para a Unimed, um dos pontos altos foi o programa “Jeito de Cuidar”. Desenvolvido pela Unimed do Brasil e incorporado à Unimed Vitória, a iniciativa conta com cinco passos que trazem atenção especial ao cliente, oferecendo mais cuidado e bem-estar: confortar, acolher, profissionalizar, individualizar e encantar. Outra empreitada com foco na qualidade dos serviços e que se consolidou em 2018 foi o Programa de Integridade, criado para tornar os processos ainda mais transparentes, evitar possíveis desvios e minimizar riscos de fraudes, irregularidades e prática de ilícitos nas relações corporativas.

Com cerca de 2.500 médicos cooperados, a Unimed Vitória está voltada à valorização dos seus 342 mil clientes. “O cenário no país exige uma atenção redobrada em relação aos números da economia em um futuro próximo. Ou seja, a partir de 2019. É bom ressaltar que a Unimed Vitória trabalha sempre com um planejamento sólido. Jamais perdemos o foco de trabalhar com o máximo de responsabilidade em respeito aos nossos clientes, médicos cooperados e colaboradores, além dos inúmeros parceiros”, destacou Márcio Almeida, presidente da Unimed Vitória.

Fonte: Sesa

O ano foi ainda marcado por aquisições de hospitais e planos de saúde por grupos estrangeiros. O Pátria Investimentos, fundo sócio da Blackstone, concluiu a compra da operadora de saúde Samp e negocia também com o São Bernardo Saúde. Em julho, adquiriu ainda uma fatia majoritária no Vitória Apart Hospital.

Já o fundo de private equity americano HIG Capital passou a ser o proprietário, no fim de 2018, do Hospital Metropolitano, localizado na Serra. “Esse processo começou a partir de 2015, quando passou a ser permitido o capital estrangeiro na atividade hospitalar. No caso do Metropolitano, a compra foi feita por meio do Grupo Meridional, que agora tem uma rede de seis hospitais no Estado, num momento em que se fortalece a tendência de conexão em rede desses estabelecimentos. Em uma primeira fase, a aquisição provoca enxugamento de pessoas, unificação de estrutura e centralização de processos. Na sequência, existe um processo de crescimento e expansão de serviços em razão da estrutura de capital que esses fundos normalmente oferecem aos ativos consolidados”, explicou o consultor Benoni Antônio Santos, ex-diretor de Gestão Administrativa e Financeira do hospital. O negócio movimentou R$ 70 milhões. Mais R$ 12 milhões serão liberados em cinco anos, caso não ocorram ações judiciais que consumam recursos.

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