A combinação de ar seco e permanência em locais fechados aumenta os casos de irritação e infecções nos olhos durante o inverno
Por Amanda Amaral
O inverno tem como características temperaturas mais baixas e clima mais seco, ou seja, com menor umidade. Diante disso, oftalmologistas alertam para cuidados especiais com os olhos, que vão desde ressecamento até o tempo de uso de tela.
Durante a atual estação do tempo, sintomas como ressecamento, ardência e lacrimejamento podem surgir, de acordo com a oftalmologista, Rochelle Pagani, da Unimed Vitória. O alerta também se estende ao uso de produtos e cosméticos na região dos olhos, segundo ela, já que eles podem causar reações alérgicas, vermelhidão e até mesmo danos mais graves e irreversíveis, como a perda da visão.
A especialista em saúde ocular explica que, muitas vezes, esses problemas estão relacionados ao uso prolongado de maquiagens (delineadores, máscaras ou removedores) com substâncias agressivas e são aplicadas sem a devida orientação médica.
“Produtos como séruns para crescimento de cílios, cremes anti-idade com ácidos, clareadores e óleos essenciais aplicados na região dos olhos devem ser prescritos por médicos. Quando usados de forma inadequada, podem causar irritações, alergias e até úlceras na córnea. Isso pode ocorrer tanto pelo uso frequente de cosméticos mal formulados ou vencidos quanto por acidentes, como a queda direta do produto nos olhos”, alerta.
Caso algum produto inadequado entre em contato com os olhos, a recomendação é lavá-los abundantemente e por tempo prolongado com água filtrada ou soro fisiológico, sem esfregar a região. A médica também orienta que se procure atendimento oftalmológico o quanto antes: “mesmo que os sintomas pareçam leves, alguns produtos podem provocar lesões químicas mais sérias com o passar do tempo, e o tratamento precoce é essencial para evitar complicações e sequelas”, disse.

Colírios
Rochelle Pagani afirma que é comum, durante o inverno, o uso indiscriminado de colírios sem prescrição médica, o que pode ser prejudicial. “Muitos desses colírios contêm vasoconstritores, que aliviam a vermelhidão momentaneamente, mas podem causar efeito rebote e agravar o quadro”, alerta.
Ela também chama atenção para o risco de contaminação dos frascos, especialmente quando a ponta do aplicador encosta nos olhos ou quando os produtos não são armazenados corretamente. “A região periocular, que abrange pálpebras, sobrancelhas, têmporas e maçãs do rosto, é extremamente sensível. Isso ocorre porque a membrana dos olhos é rica em células que respondem rapidamente a alergias e inflamações. Todo cuidado é pouco quando falamos de produtos aplicados nessa área”, destaca.
Alerta as conjuntivites
O oftalmologista Guilherme Fracalossi, do Centro Capixaba de Olhos (CColhos), explica que, nesta época do ano, é mais frequente as conjuntivites, principalmente as virais, devido a maior circulação de pessoas em ambientes fechados.
Além disso, o tempo seco e a baixa umidade também favorecem sintomas de olho seco, coceira e ardência. Em crianças alérgicas, as conjuntivites alérgicas também podem se intensificar, especialmente em locais com muita poeira ou contato com animais, segundo ele.
Durante as férias é possível prestar mais atenção no comportamento da criança, com sinais que podem indicar problemas de visão. Para o ftalmologista, isso é uma oportunidade excelente para os pais observarem com mais calma o comportamento visual dos filhos.
“Sinais como apertar os olhos, aproximar-se demais da TV, lacrimejamento, queixar-se de dor de cabeça ou evitar atividades que exigem visão de perto ou de longe podem indicar a presença de um problema ocular, como erro refrativo (miopia, hipermetropia ou astigmatismo), estrabismo ou ambliopia (“olho preguiçoso”). Ao notar qualquer um desses sinais, é fundamental procurar um – oftalmopediatra – oftalmologista especializado em criança.
Tempo de Tela
A outra recomendação de Guilherme Fracalossi é para os pais, que devem estimular atividades ao ar livre para as crianças, o que ajuda no desenvolvimento visual e na prevenção da miopia, principalmente, no período de férias escolares.
Ele destaca: “mesmo em dias nublados, proteger os olhos com bonés, chapéus e óculos escuros com proteção adequada”. E para aquelas que passam as férias em casa, é fundamental controlar o tempo de uso de telas eletrônicas e garantir boa iluminação durante a leitura, conforme o oftalmologista.

O uso excessivo de telas pode causar diversos problemas, como a chamada síndrome da visão do computador, que inclui fadiga ocular, olhos secos, visão borrada e dor de cabeça, alerta o oftalmologista, que ressalta o aumento significativo na prevalência de miopia infantil em crianças que passam muito tempo em ambientes fechados e nas telas.
A Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica recomenda que crianças de até 2 anos evitem totalmente o uso de telas. De 2 a 5 anos, o uso deve ser limitado a no máximo 1 hora por dia, sempre com supervisão. Para crianças maiores, o ideal é até 2 horas por dia, com intervalos a cada 20-30 minutos. “Também é importante manter distância adequada da tela, evitar uso no escuro e estimular pausas com atividades fora do ambiente digital. O equilíbrio é fundamental para preservar a saúde visual”, orienta Fracalossi.
Confira dicas para cuidar bem dos seus olhos:
- Evite esfregar ou coçar os olhos com força.
- Fique atento às instruções de uso e ao prazo de validade de medicamentos e cosméticos.
- Só aplique produtos na região dos olhos ou do rosto com orientação médica.
Caso algum produto caia nos olhos, lave-os abundantemente com água e procure um profissional. - Não compartilhe colírios, lentes de contato ou outros produtos de uso ocular.
- Prestar mais atenção no comportamento da criança, com sinais que podem indicar problemas de visão (apertar os olhos, aproximar-se demais da TV, lacrimejamento, dor de cabeça, fugir de atividades que exigem visão de perto).
- Crianças de até 2 anos devem evitar totalmente o uso de telas; de 2 a 5 anos, o uso deve ser limitado a no máximo 1 hora por dia, sempre com supervisão; para crianças maiores, o ideal é até 2 horas por dia, com intervalos a cada 20-30 minutos.
Fonte: especialistas consultados.

