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quarta-feira, 24 abril, 2024

Indústria capixaba de TI discute Plano Brasil Maior

Indústria capixaba de TI discute Plano Brasil MaiorContemplado pelo programa do Governo Federal, setor expõe as dificuldades de mão de obra qualificada e critica novas exigências de certificação das empresas.

“Sem reduzir o déficit da educação básica, o Governo Federal não vai conseguir formar 900 mil profissionais até 2022”. É o que estima o vice-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação (Assespro), Roberto Meyer, a respeito de uma das metas do Governo contidas no plano “Brasil TI Maior”, que visa incentivar o desenvolvimento da Indústria da Tecnologia da Informação (TI). A afirmação foi feita durante a palestra “TI Maior: Apoio Governamental ao Setor de TI”, realizada no dia 13 de dezembro, durante o II Encontro Capixaba da Indústria de Tecnologia de TI (Encati).

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Entre as linhas de ação previstas no plano federal, está a formação 50 mil novos profissionais até 2014 e 900 mil até 2022. “Não é possível formar esse contingente de pessoas sem ampliar o sistema educacional, mesmo que o problema de evasão seja resolvido, porque ainda há um déficit muito grande na educação básica. Aliás, a evasão é o principal problema na formação de mão de obra e sequer é tratado pelo plano”, criticou Roberto.

Em sua palestra durante o Encati, Meyer analisou as macrometas traçadas pelo Governo pelo TI Maior, trazendo-as para a realidade das indústrias. Entre os objetivos traçados estão fazer com que o Brasil passe de 7º para 5º no ranking mundial de TI; fazer com que o produto interno bruto (PIB) do setor chegue a US$ 200 bilhões (atualmente é de US$ 102 bi); que as exportações cresçam em oito vezes, chegando a US$ 20 bi; que a participação no PIB nacional chegue a 6% e que a geração de empregos qualificados cresça de 1,2 milhão para 2,1 milhões.

Apesar de parecerem ambiciosas, Meyer aponta que as metas são modestas. “O crescimento médio anual proposto pelo plano é de 8%, índice menor que o registrado nas últimas duas décadas, sendo alcançado apenas em períodos de crise. Geralmente, esse crescimento fica na casa de dois dígitos”, afirmou.

Outro campo de ação do “Brasil TI Maior” é a criação de linhas de financiamento e a concessão de benefícios fiscais – substituição da contribuição previdenciária de 20% sobre a folha de pagamento por uma alíquota de 2%. De acordo com o diretor do Sindicato das Empresas de Informática do Espírito Santo (Sindinfo), Marcello Siqueira, o programa está contribuindo na redução significativa dos custos da atividade. “A manutenção da mão de obra representa 50% dos gastos no setor, sendo que há casos em que esse valor pode chegar a 80%”, revelou.

Mão de obra
Um diagnóstico encomendado pelo Sindinfo constatou que 43% das empresas capixabas de TI atribui a falta de qualificação profissional como principal entrave ao seu crescimento. Por essa razão, o tema foi um dos que ganhou maior atenção durante o II Encati, sendo tema do painel “Formação de Técnicos – Cursos Profissionalizantes para o Setor de TI”, o primeiro apresentado no Encontro, com mediação do diretor do Sindinfo, Franco Machado.

Durante o painel foram discutidas as perspectivas a curto e longo prazo para qualificação e formação da mão de obra, através de ensinos técnicos e superiores. Segundo Machado, o assunto merece atenção de empresários do setor e representantes do governo estadual, pois representa um dos principais gargalos do segmento. Para tanto, foram convidados o professor de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do Instituto Federal do Espírito Santo, Campus Serra, Celio Proliciano Maioli, e a gerente de educação profissional do Senai no Espírito Santo, Zilka Teixeira.

Maioli apresentou os problemas enfrentados na capacitação de funcionários para o setor. Segundo ele, a defasagem educacional encontrada pelos alunos dificulta o desenvolvimento dos futuros profissionais. “Os estudantes já entram com muitas dificuldades, principalmente nas matérias de português e matemática, cruciais para os cursos porque trabalham com interpretação e raciocínio lógico”, analisou.

Já Zilka revelou que o Senai e o Sebrae pretendem aumentar 25% das vagas em cursos informática no ano de 2013. “Há alguns anos, o Senai nacional procura trabalhar com o setor, no sentido de formar mão de obra. A intenção é dobrar o número de matrículas em alguns anos. Por enquanto, deverão ser abertas até 140 vagas no nível técnico em 2013. Além disso, o Sebrae também pretende investir em mais vagas para cursos básicos”, ressaltou.

Encati
Organizado pelo Sindinfo em parceria com a Assespro-ES e o Sebrae-ES, o Encati reuniu empresários do setor para debater assuntos de relevância para a indústria de TI nacional e capixaba, através de painéis e palestras apresentados por personalidades políticas e empresariais. Em sua segunda edição, o evento abordou os temas “Formação de Técnicos – cursos profissionalizantes para o setor de TI”, “Compras Públicas de TI pelo Governo do ES” e “Certificações para empresas de TI – Evolução do SQTG’s a ISO 29.110”, além da palestra “Programa Brasil TI Maior – Apoio Governamental ao Setor de TI”.

Para o presidente do Sindinfo, Benízio Lázaro, ações como essa ajudam a integrar ainda mais as empresas ao sindicato e a fortalecer a indústria de TI no Estado. “Essa foi uma grande oportunidade de levar ao conhecimento dos empresários associados, informações de interesse do setor, como implementações de normas técnicas, capacitação de mão de obra e ações do Governo Federal para o segmento”, concluiu.

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