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quarta-feira, 19 janeiro, 2022

Imprensa mundial preocupada com realidade do Rio nas Olimpíadas

Crise política, greve da policia, dengue, zika e muita violência tem levado veículos como CNN e The New York Times a publicações diárias negativas

Faltando 32 dias para o início dos Jogos Olímpicos Rio 2016, as cenas que têm ocorrido na “cidade maravilhosa”, assustam a imprensa internacional. Assaltos, tiroteios, obras atrasadas e até ameaça de terrorismo são alguns dos fatores negativos que antecedem o maior encontro esportivo do mundo. Nesse período, em outras cidades como Sydney (2000), Pequim (2008) e Londres (2012) o clima de muita festa.

Mas aqui no Brasil, veículos como CNN, The New York Times e Independent publicam diariamente textos que demonstram apreensão, preocupação e desânimo com a realidade do Rio de Janeiro, que irá sediar os Jogos Olímpicos Rio 2016, que reunirá mais de 10 mil atletas, entre os dias 5 e 21 de agosto e, nos Jogos Paralímpicos, entre os dias 7 e 18 de setembro.

Na tarde do dia 29 de junho um corpo foi encontrado esquartejado em plena praia de Copacabana, em local próximo das obras da arena de vôlei de praia. Com destaque, a rede CNN, por exemplo, trouxe em seu site a seguinte manchete a respeito do fato: “Semana de horror no Rio: Partes de corpo são encontradas perto da arena de vôlei de praia”.

O episódio ocorreu em meio ao decreto de calamidade pública instaurado pelo governador em exercício, Francisco Dornelles, no dia 17 de junho, pelo fato de o Estado não estar conseguindo arcar com custos e com pagamento de servidores. A saúde, por exemplo, vive verdadeiro caos, com um deficit de pelo menos R$ 1,4 bilhão.

O The New York Times, em uma matéria assinada pela jornalista Vanessa Barbara, a situação é vista como extremamente preocupante. ‘A catástrofe olímpica do Brasil’ – dizia a manchete, acompanhada de uma ilustração, em movimento, que trazia uma fumaça escura encobrindo símbolos da cidade.

Em abril policiais civis entraram em greve, por falta de pagamento. Professores da rede estadual também iniciaram paralisação, em março, com duração de mais de três meses.

A verba adicional vinda do governo federal, em função do decreto, possibilitará o término de obras no metrô, por exemplo, que corre o risco de não ter concluída a construção do trecho olímpico da Linha 4 a tempo para o evento.

No dia 30 de junho, equipamentos de duas emissoras alemãs que serão usados na cobertura dos Jogos foram roubados na avenida Brasil, zona norte, e depois encontrados em galpão na Baixada Fluminense.

O IML (Instituto Médico Legal), também está sem condições de funcionamento. A instituição parou de receber corpos no dia 7 de junho, devido à condição insalubre que impossibilitava o trabalho dos funcionários. Em abril último, a ciclovia Tim Maia, inaugurada apenas três meses antes desabou e deixou dois mortos. A perícia posteriormente informou que a causa da queda foi uma falha no projeto.

Quando a cidade foi escolhida, há sete anos, um clima de entusiasmo se espalhou pelo país. De acordo com o Portal R7, o ex-levantador Maurício Lima, bicampeão olímpico de vôlei pelo Brasil (1992 e 2004), se lembra bem deste estado e vê a atual situação com um tom de lamentação. “É triste ver tudo isso que está acontecendo. Quando fomos escolhidos passávamos por um momento muito bom da economia, crescendo como a China. Não poderíamos declinar, mas nunca imaginávamos que iríamos passar por tantas dificuldades como as que estão ocorrendo”, afirmou Maurício.

Para Maurício, o panorama mudou desde então. “Depois o País caiu nessa crise que todo mundo conhece. Em termos internacionais o Brasil já está muito manchado em relação a isso. Temos zika, chikungunya, qualquer coisa que vem para cá está dando problema. Há preocupação muito grande da imprensa internacional e dos atletas, que estão receosos quanto a isso”.

Maurício participou de cinco Olimpíadas e conhece bem como deve ser a infraestrutura do evento. “Acho que vai dar certo porque o clima de não tanto calor vai ajudar em relação à zika e chikungunya. Em termos de violência é um pouco mais complicado. O País todo está preocupado com o Rio, com todas essas notícias assustadoras, mas vão colocar o Exército nas ruas como aconteceu em grandes eventos”, apostou

As 33 instalações olímpicas, em quatro regiões (Barra, Deodoro, Copacabana e Maracanã) será de responsabilidade do governo federal, que enviará cerca de 10 mil homens da Força Nacional para comandarem a segurança dos Jogos, que terão participantes de 206 países. “Infelizmente será algo paliativo, acabou a Olimpíada o problema vai voltar. Em relação a legado, é complicado. Já deveria estar se formando e existindo agora. A única coisa que poderá existir será a utilização de complexos esportivos. Mas legado vai além disso, é algo cultural em relação ao esporte, e também social. Esses, eu acho difícil existirem”, afirmou o atleta aposentado.

Os gastos de R$ 2,34 bilhões no Parque Olímpico, R$ 2,9 bilhões na Vila dos Atletas e de R$ 835,8 no Complexo Deodoro, entre recursos federais, municipais e parcerias com a iniciativa privada, por outro lado, deixarão uma boa infraestrutura esportiva.

A expectativa e torcida dos  brasileiros é para que, ao final, tudo dê certo.

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