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sábado, 8 agosto, 2020

Floresta Amazônica: É hora de parar de brincar com o futuro!

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(Fotografia – Agência Planalto)

Não é desmatando indiscriminadamente que se vai desenvolver a região

Por Luiz Fernando Schettino

Mais uma vez o foco do debate ambiental é sobre o aumento de desmatamentos e queimadas no Brasil, com destaque assustador para a região amazônica. Além de ambiental, é um desastre social, econômico e estratégico para o futuro do País. Para piorar a situação, a degradação ambiental, está cada vez mais envolvida pelo viés ideológico, o que dificulta a racionalidade para ser encontrado o caminho mais célere para as soluções possíveis e, para o entendimento devido da importância da preservação das florestas, principalmente. E, essa discussão de fundo ideológico, com todo respeito a quem pensa diferente, está levando à entendimentos equivocados sobre soberania e fundamentos econômicos. Pois, quem pensa desta maneira, entende que só se preservará a soberania do País na região com o desmatamento e ocupação da terra de forma tradicional; e que isto levará ao desenvolvimento da região, o que não é verdade, em se tratando das condições edafoclimáticas lá existente e do potencial que a biodiversidade pode oferecer em todos os aspectos.

Não é desmatando indiscriminadamente que se vai desenvolver a região! Além disso, é preciso ficar claro que só há possibilidades reais de haver desenvolvimento da região, se este for em harmonia com a proteção ambiental, seguindo preceitos legais e técnico-científicos e respeitando as comunidades tradicionais e seus conhecimentos sobre os vários ecossistemas que compõe a região amazônica.

Recentemente foi reconhecido pelo General e Vice-Presidente Mourão, que também comanda o Conselho da Amazônia, em entrevista, que: “proteção ambiental e o desenvolvimento socioeconômico da Amazônia não são excludentes”. Assim como, o mesmo Mourão, conforme Pedro Henrique Gomes, G1/Globo-Brasília¹, afirmou também em entrevista, que:  “Como se não bastasse o prejuízo natural brasileiro, os crimes ambientais deixam nosso país vulnerável a campanhas difamatórias, abrindo caminho para que interesses protecionistas levantem barreiras comerciais injustificáveis contra as exportações do agronegócio” […]. Acrescentando ainda que: “Cada vez mais, as empresas brasileiras serão cobradas a apresentar as melhores credenciais ambientais, sociais e de governança”.

Estas constatações vêm na direção de que na atualidade se sabe que os maiores patrimônios de um país e da humanidade são os seus recursos naturais, que no caso brasileiro destaca-se a biodiversidade, com inúmeras possibilidades em termos socioambientais se forem bem planejados seus usos e respeitados os parâmetros legais e os limites de funcionamento dos ecossistemas. Sabendo-se também, que  desenvolvimento não é sinônimo de “produzir” enormes quantidade de dado bem material – como exemplos, exportar: um número estratosférico de toneladas de minério de ferro  bruto;  infindáveis metros cúbicos de madeiras em toras;  quantidades enormes de blocos de rochas ornamentais “in natura;  e/ou,  de se  usar enormes quantidades de  áreas de terras com pastagens ou em produção agrícola de baixa produtividade, com uso predatório. Pois isto, em termos estratégicos e, mesmo do ponto de vista socioeconômico não é duradouro, agrega pouco valor aos produtos e serviços e quase sempre leva a perda de mercados.

Cabe destacar, que em relação à Amazônia já existem muitos estudos realizados por universidades e outras instituições sobre as possibilidades de utilização sustentável da região e do imenso potencial de sua rica biodiversidade. Por isto, para desenvolver a região é só seguir o que a ciência já mostrou neste sentido. Em muitos desses estudos está claro, que a floresta de pé, em várias de suas possibilidades de uso, como o manejo florestal e o turismos ecológico, por exemplos, além do papel ambiental e de regulação climática, na maioria absoluta das vezes, tem mais valor socioeconômico que sua derrubada total para realização de outras atividades. Além disso, políticas efetivas de proteção ambiental, especialmente das florestas, dá ao País mais poder estratégico e vantagens em suas negociações no plano internacional, ao demonstrar que consegue conciliar proteção e uso sustentável e que trabalha neste sentido, de fato. E, com isto, podendo exigir tratamentos diferenciados em muitas questões internacional e abrindo as portas para investidores importantes e, com isto, fazer a economia nacional crescer sustentavelmente, como tanto se almeja.

Enfatizando que os impactos ambientais causados pelos desmatamentos e queimadas de florestas naturais, independente das razões, chamam muito a atenção da comunidade internacional, especialmente, pela sua importância, quando ocorrem na Amazônia.  Pois, as florestas naturais   abrigam enorme biodiversidade e contribuem para a proteção das águas e dos solos, para regulação do clima e para a retirada de carbono do ar, o que ajuda a amenizar os efeitos do aquecimento global, além de manter outros recursos naturais. E, ainda, seus serviços e produtos são utilizados para vários fins, tais como: indústrias farmacêuticas, de alimentação, de recreação, de produtos madeireiros, de turismo, entre outros.

Nessa linha, o que deve deixar o a comunidade internacional atônita, é que, apesar da legislação ambiental brasileira ser uma das mais completas do mundo e mostrar com clareza as formas de proteger e usar as florestas, a destruição histórica continua existindo e mais acelerada. E, derrubar florestas com uma alta biodiversidade é extremamente preocupante, pois além dos impactos diretos que os desmatamentos e queimadas causam, muitas espécies atingidas são desconhecidas da ciência, o que pode significar perdas irreparáveis para a humanidade.

Nessa perspectiva, é que se vive um momento preocupante por haver uma disputa para saber quem fala a verdade sobre o tamanho da destruição. Sabe-se que há destruição e que não deveria haver. E, ainda, governantes que demonstram descaso para com a proteção ambiental, passando a impressão de que há omissão proposital de quem deveria proteger as florestas, como dito, um patrimônio imensurável tanto do ponto de vista científico-genético-ambiental, quanto socioambiental. E, com isto, chega-se ao inimaginável de se  levantar dúvidas sobre os números  do avanço dos desmatamentos e queimadas apresentados pelo INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, instituição com mérito e reconhecimento internacional por sua competência, especialmente na questão dos monitoramentos ambientais, com destaque, exatamente, para seus programas que dão alertas sobre os  desmatamentos e queimadas em todo o País.

O que, prejudica a imagem do País mundo a fora trazendo pressões de investidores e também desvantagens competitivas para os empreendedores brasileiros. Esta visão ocorre, principalmente, por se ignorar ou desconhecer a importância ambiental das florestas; e, por não se entender o grande potencial nos aspectos socioeconômicos que representam.  O que significa que passou da hora de se fazer o dever de casa e a “grita por desmatamento zero” é mais que justificada e necessária.

Razão pela qual é preciso haver entendimento de que as florestas, além de possuírem grande valor ambiental e estratégico, também podem ser usadas racionalmente, fornecendo inúmeros produtos e serviços, tais como: medicamentos e cosméticos, entre outros usados na indústria da beleza;   alimentos, diversos produtos para seguimentos industriais e para confecção de artesanatos; favorecimento ao ecoturismo; e,  permitir a realização do manejo florestal sustentável – técnica que permite o uso sustentável das florestas com a manutenção dos ecossistemas, entre outras formas sustentáveis.

Usar as florestas sustentavelmente, pode permitir a ocupação racional da região amazônica com geração de trabalho e renda para os povos que lá vivem e geração de tributos, enfim desenvolvimento social e ambiental importantes, além do País passar a ter melhor imagem e mais investimentos internacionais. Aspectos que tanto a sociedade precisa, neste momento de pandemia e crise econômica. Assim, deve ficar claro que destruir florestas, além de se demonstrar não entender que é um patrimônio ambiental valioso que o País possui e que a humanidade precisa que continue a existir, não é uma boa estratégia do ponto de vista socioeconômico para a retomada do crescimento da economia. É hora de parar de brincar com o futuro!

Luiz Fernando Schettino é Engenheiro Florestal, Doutor em Ciência Florestal e Professor de Ecologia e Recursos Naturais da Ufes, Ex-Secretário Estadual de Meio Ambiental e Recursos Hídricos do Espirito Santo

ES Brasil Digital

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