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domingo, 29 novembro, 2020

Especialistas analisam eleições 2020

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Eleitor que não votou no primeiro turno pode e deve votar no segundo

O eleitor que não votou no primeiro turno das Eleições Municipais de 2020 pode e deve votar no segundo turno.

Após os resultados do primeiro turno das eleições e no início da campanha do segundo turno, a ES Brasil conversou com especialistas em marketing político e pediu uma análise das eleições municipais de 2020 e a leitura sobre o comportamento dos capixabas e brasileiros nas urnas .

Veja abaixo cada uma delas.

Jane Mary consultora de marketing político e empresarial

O recado das urnas foi muito claro: a população cansou. Cansou tanto que não compareceu às urnas como em anos anteriores. No Rio, a abstenção chegou a 32% – o maior percentual obtido até agora. Em várias cidades, a abstenção ganhou dos primeiros colocados. Aconteceu na Serra e em Vitória, só para citar dois exemplos mais próximos.

Na minha opinião, dois fatores explicam a falta de ânimo dos eleitores: a campanha de Bolsonaro teve um conteúdo puramente emocional, criou-se uma expectativa muito grande de que o novo resolveria todos os problemas do país. Isso não aconteceu, o que gerou um clima de desesperança nos eleitores e um descrédito ainda maior nos políticos. O segundo fator é sem dúvida a pandemia, que incentivou muita gente a ficar em casa, principalmente o pessoal do grupo de risco. Com o descrédito do novo, a experiência passou a ser mais valorizada. “ Ruim com ele, pior sem ele… pelo menos esse a gente já conhece” que os eleitores estão repetindo muito.

O fiasco da eleição continua sendo os previsões dos Institutos de Pesquisa. Nunca eles erraram tanto, a disparidade dos números chegou a impressionar e também a despertar muitas suspeitas sobre o envolvimento de alguns institutos com os comitês eleitorais. Mas o bom da história é que, apesar da dança dos números, o eleitor decidiu pela própria cabeça. Um exemplo típico desse fenômeno aconteceu na Serra.

No sábado, véspera da eleição, o Ibope anunciou que não haveria segundo turno no município e que Sérgio Vidigal venceria em primeiro turno. No domingo, um dia depois, Fábio Duarte garantiu sua vaga no segundo turno. Além do Ibope, todos os demais institutos deram a Vandinho Leite a segunda colocação no páreo. A realidade desmentiu tudo isso. Lamentável.

Darlan Campos, cientista político

Nas eleições dois mil e vinte, aconteceu um fenômeno interessante, o eleitor buscar por candidatos mais conhecidos. Se a gente usar uma metáfora do mercado financeiro, quando o mundo se apresenta instável, indefinido, inconstante, as pessoas, em geral, vão para os Estados Unidos, investir nos Estados Unidos, ou no dólar, ou seja, eles vão em busca de segurança. O eleitor, ele, nas eleições vinte, vinte, ele resolveu correr pra segurança.

Ou seja, devido a essa perspectiva da pandemia, do cansaço de viver nos extremos o tempo inteiro, o eleitor foi pra uma tendência de renovação de mandatos ou de seguir indicação de quem está lá no poder. E acaba lhe agradando, né? Ou de ex-prefeitos que até podem ser de grupos rivais. Então, isso especialmente nas capitais contou muito. Então, a gente não assistiu no primeiro em nenhuma capital, a polarização que a gente viu em dois mil e dezoito.

O PT foi ao segundo turno em Vitória, Recife, em uma, ele vai lutar contra a máquina, em Recife e no Espirito Santo contra um candidato que também é um desafiante como ele. E o PSL que não foi competitivo em nenhuma capital. Ou seja, o PSL não conseguiu aproveitar a sua riqueza do ponto de vista eleitoral, uma vez quedo fundo partidário por ter eleito muitos deputados federais, ele teve uma fatia grande do fundo eleitoral, não aproveitou isso. Então, esse é um cenário interessante que a gente viveu aqui nessas eleições vinte, vinte.

O cenário nacional, a gente percebe que partidos mais do centro saíram fortalecidos em alguma medida, com votação expressiva, o DEM, com o destaque pra algumas capitais, no qual ele conseguiu levar ao segundo turno, ganhar no primeiro turno e que vai disputar agora no segundo turno também. Isso vai demonstrando aí uma força importante desse centro nessas eleições.

As esquerdas, por sua vez, tiveram outros atores de outros partidos em alguns cenários, né? Em Porto Alegre a Manuela d’Ávila, do PCdoB, chega ao segundo turno, importan. Um quadro onde houve uma composição das esquerdas, o PSOL em São Paulo chega o segundo turno também e em Belém Edmilson foi deputado federal tá na liderança e foi para o segundo eh também um outro candidato de esquerda aí que tem um destaque eh de outras alianças fora o PT e que chega ao segundo turno como senário das esquerdas que pode buscar aí talvez pra dois mil e vinte e dois alguma frente ampla que possibilite ocupar melhor esse espaço e não dividir votos.

Fernando Carreiro, publicitário e consultor político

O Brasil deu uma guinada a direita, dois anos atrás. Bem a direita mesmo, com o Bolsonaro e parece que as atenções dos eleitores, não sei se por uma decepção com a direita em parte, porque a gente vê que o Bolsonaro perdeu em quarenta e cinco das cidades que os candidatos ele apoiou, ele perdeu em quarenta e cinco e venceu em dois.

Então, não sei se o eleitor se decepcionou com a direita, isso é uma avaliação que a gente vai ter apenas ao longo desses próximos meses até a próxima eleição presidencial, mas o que eu notei é que, de repente, o esteja caindo em si. Até porque a eleição municipal ela é muito dissociada da eleição nacional. Prova disso é que o PT perdeu em dois mil e dezesseis, na maior parte das cidades brasileiras, em dois mil e dezoito, Haddad foi pro segundo turno. Então, assim, eleição municipal, ela é voltada pros problemas locais.

Então, não dá pra poder nacionalizar a eleição. De certa forma, o discurso da direita esteve muito presente nessas eleições, discurso da família, dos costumes e tal, mas ela não foi determinante nenhum candidato a frente, assim, com raras exceções, mas muitos candidatos achavam que iam vencer as eleições apenas com esse discurso e o eleitor mostrou que ele quer mais, ele quer além dos discursos, prova disso é que a gente viu a vitória aqui no Espírito Santo mesmo e no Brasil de uma forma geral, estava analisando o contexto, de políticos, entre aspas, profissionais, aqueles políticos que não escondem, que estão na política há muito tempo.

Políticos mais experientes. A prova disso é que Coser está no segundo turno. Um político experiente, um político tradicional. Já foi deputado, prefeito duas vezes de Vitória. E candidato tantas vezes. Em Vila Velha, nós temos o Novo, que é o Arnaldinho e temos o Max, que é um político também tradicional, esta aí ha muito tempo. Na Serra nós temos Vidigal, que tá aí, desde mil novecentos e oitenta e oito, há trinta e dois anos, ele disputa eleições. Então, é um recado. Que somente o de valor, discurso da família, discurso de direito, ou discurso de esquerda, ele não interfere diretamente numa, numa eleição majoritária e para o executivo, pode ser que esse discurso leve deputados estaduais e federais a serem eleitos daqui a dois anos.

Ainda é cedo pra poder avaliar, mas quando o cargo mexe diretamente na vida das pessoas, quando ela sabe que o Prefeito tem o pode, tem a caneta, tem o poder de mudar a vida dela diretamente. Então, quando o eleitor percebe que aquele cara ou aquela mulher tem o poder de mudar a vida dele, ele não dá aquele chamado voto de protesto, que geralmente é dado pra vereador, deputado estadual, deputado federa.

As eleições que eram os candidatos que disputavam eh eleições proporcionais, que hoje não são mais proporcionais de certa forma, mas para o Legislativo. Então, para o executivo, o eleitor, ele tem mais critério e nesta eleição, nesta campanha eleitoral, eh, dois mil e vinte, o eleitor escolheu a experiência. Ele escolheu o Porto Seguro, o caminho seguro, ele não, não foi, não se deixou levar pelos discursos, apenas ideológicos e etcétera. Avaliação que eu faço é essa.

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