Com apoio da Ufes, estado desenvolve planos estratégicos para reduzir vulnerabilidades e minimizar perdas causadas por eventos climáticos extremos
Por Ludmila Azevedo
Com o desafio de enfrentar os efeitos das mudanças climáticas e reduzir as vulnerabilidades da população capixaba, o Governo do Espírito Santo vem implementando o Programa Capixaba de Mudanças Climáticas (PCMC), coordenado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama). Com mais de 70 projetos em curso e 19 ações estratégicas, o programa já realizou mais de R$ 2 bilhões em investimentos diretos, com a meta de ultrapassar R$ 3 bilhões até 2030.

“Nosso objetivo é posicionar o Espírito Santo como referência nacional em planejamento climático subnacional, combinando ciência, tecnologia e participação social”, afirma o secretário de Meio Ambiente, Felipe Rigoni.
O programa está estruturado em dois grandes eixos: mitigação, voltada à redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE); e adaptação, que busca preparar o território e a população para os impactos climáticos extremos. Um dos marcos recentes é o lançamento do Plano Estadual de Descarbonização, em 2024, além da construção do Plano Estadual de Adaptação às Mudanças Climáticas, em sinergia com os Planos Municipais de Redução de Riscos (PMRR) e os Planos Municipais de Adaptação às Mudanças Climáticas (PAMC).
Segundo Rigoni, os planos municipais terão impacto direto na redução de perdas humanas e materiais. “Com esses planos, os municípios poderão responder de forma mais eficiente a enchentes, deslizamentos e estiagens, além de acessar recursos nacionais e internacionais com mais facilidade”, explica o secretário.
A elaboração dos PMRRs e PAMCs será conduzida pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), garantindo qualidade técnica, padronização e escala. O apoio inclui capacitação de equipes locais, uso de geotecnologias, modelagem climática e sensoriamento remoto.
A proposta atual prevê cerca de dois anos trabalho técnico em todos os municípios. A metodologia integrada permite que os PMRRs (mais complexos e localizados) e os PAMCs (baseados em projeções climáticas) avancem simultaneamente.
“Mesmo os municípios com menor capacidade técnica terão condições de elaborar bons planos, com o apoio da Ufes e financiamento garantido pela gestão estadual”, destaca Rigoni.
A centralização da metodologia pela Seama e Ufes garante integração entre planos municipais e estaduais, além de facilitar o alinhamento de diagnósticos e propostas de ação. Os dados utilizados serão compatíveis entre si, favorecendo o planejamento multiescalar e a captação de recursos por meio do Fundo CidadES.
Com base em dados científicos e participação social, o Governo do Estado aposta que a estratégia integrada tornará o Espírito Santo mais resiliente às mudanças do clima. O programa também reforça o protagonismo do estado em uma agenda global.
*Matéria publicada orginalmente na revista ES Brasil nº 227, de junho de 2025. Leia a edição completa do Anuário Verde aqui.

