Programa Descarboniza.i teve início em 2024 de forma reduzida. No segundo semestre deste ano, ele será lançado para pequenas e médias empresas no ES
Por Cínthia Ferreira
O ESG é uma necessidade global, já que possibilita a abertura de novos mercados, inclusive internacionais. Por isso, clientes e fornecedores têm cobrado cada vez mais a participação das empresas no ESG.
Atenta a agenda da sustentabilidade e ambiental, a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) criou o Programa Descarboniza.i. O projeto-piloto teve início em 2024 e atendeu inicialmente duas empresas: Imetame e Fibrasa.

Isabelle Cariman, consultora de Sustentabilidade e Eficiência Operacional do Findeslab, da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), explica que o programa, que será lançado no segundo semestre deste ano, é voltado para as pequena e médias empresas de todos os setores da indústria, e tem o objetivo de fornecer uma rota estratégia de descarbonização a fim de gerar mais competitividade energética e comercial a essas organizações, de acordo com a sua realidade.
Isabelle explica que o projeto oferece desde o inventário de emissões até a simulação de custos x benefícios de diferentes medidas adotadas, indicando caminhos viáveis para descarbonizar a operação com apoio técnico e financeiro. “Nosso objetivo é tornar a sustentabilidade uma vantagem competitiva para as indústrias locais”, afirma.
Cultura ESG ganha força com dados e estratégia
Complementando as ações práticas, a pesquisa Descarbonização e Eficiência Energética 2025, realizada pela Findes e pelo Banco de Desenvolvimento do Estado (Bandes), revelou que 70% das empresas capixabas pretendem ou avaliam investir em ações de descarbonização nos próximos 18 meses.
Entre os motivos, destacam-se o compromisso voluntário com a agenda ambiental (82%) e a busca por eficiência e redução de custos (66%). Apesar do crescimento do interesse, apenas 18% das empresas entrevistadas declararam ter conhecimento avançado sobre descarbonização — o que reforça a importância de programas de capacitação.
O estudo ainda revelou que a maioria das empresas engajadas nesse movimento é de médio e pequeno porte, indicando uma democratização do ESG por meio do acesso à informação, ferramentas digitais e apoio institucional.
O presidente da Findes, Paulo Baraona, ressalta a importância da pesquisa. “A partir desse levantamento será possível, de forma conjunta entre a iniciativa privada e o poder público, identificar oportunidades e gerar potenciais parcerias que estejam alinhadas às estratégias de diversificação da matriz energética e descarbonização no Estado. A indústria tem cada vez mais liderado essa agenda e a Findes é uma grande entusiasta e estimuladora do desenvolvimento de tecnologias e inovações que contribuam para tornar os negócios mais eficientes, produtivos e sustentáveis”, disse.
Tecnologia como ponte para o futuro
Seja nos portos, nas fábricas ou na extração de rochas, a adoção de ferramentas digitais, sistemas de monitoramento, plataformas de dados e inovação aberta é o que tem viabilizado a transição para modelos de negócio mais responsáveis e competitivos.
ESG e inovação não apenas se complementam — se fortalecem. Empresas que integram esses dois pilares estão mais preparadas para enfrentar os desafios climáticos, sociais e econômicos do presente, e liderar com consistência a construção de um futuro mais sustentável.
*Matéria publicada orginalmente na revista ES Brasil nº 227, de junho de 2025. Leia a edição completa do Anuário Verde aqui.

