De cervejarias premiadas a pousadas, crédito do Fungetur impulsiona empreendimentos e dinamiza a economia capixaba
Por Daniel Hirschmann
Empresas de turismo no Espírito Santo encontraram no financiamento público um caminho para crescer, inovar e atrair mais visitantes. A empresária Janice Aparecida Goncalves de Lima fala com orgulho das premiações conquistadas pela Cervejaria Três Santas, que ela e sua sócia, Marjori Longo Crispim de Lima, administram no Córrego dos Espanhóis, zona rural de Santa Teresa (ES).
Não é para menos. Somente em 2023 a cervejaria foi a mais premiada e eleita o melhor brewpub na etapa Sudeste da Copa Cerveja Brasil, obteve o maior número geral de medalhas na 2ª Copa Capixaba de Cerveja, além de uma medalha de ouro na Brasil Beer Cup, em Florianópolis (SC), e uma de prata no Concurso Brasileiro de Cerveja, em Blumenau (SC). Isso depois de já ter sido a cervejaria com o maior número geral de medalhas e considerada a Cervejaria do Ano na 1ª Copa Capixaba de Cerveja, em 2022, e de ter ganho uma medalha de bronze na Brasil Beer Cup daquele ano.
Com o sucesso consolidado, Janice de Lima lembra os tempos de aperto no local, quando havia uma longa fila de espera e era preciso ampliar o atendimento no salão para oferecer mais conforto a quem aguardava lá fora. Foi então que as duas sócias recorreram ao Fundo Geral do Turismo (Fungetur), financiamento do Ministério do Turismo repassado pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes). “Vimos no crédito a possibilidade de crescer tanto na área interna da cervejaria, quanto na área de recepção. Resolvendo, em partes, nossos dois pontos críticos”, conta Janice.
Com os recursos do Fungetur, foi possível montar uma estrutura de venda de cerveja na recepção, já iniciando ali o consumo, além de melhorar a estrutura e o número de assentos na área interna.
“Não tínhamos recursos para investir. O crédito nos deu a possibilidade de aumentar o faturamento e atender mais clientes, porque eles não desistiam de esperar na fila”, explica a empresária. A linha do Bandes também permitiu aumentar a produção em volume, porque a cervejaria tinha capacidade ociosa.
Recursos Para todos os municípios

Segundo o gerente Comercial de Relacionamento do Bandes, Ezequiel Loureiro, a meta é ampliar o número de beneficiados pela linha de crédito. “O Fungetur é um produto que atende a todo o estado do Espírito Santo e a gente tem uma premissa de expansão da atuação regional. O foco é atender o máximo possível, chegando a todos os municípios do estado”, salienta, lembrando que “o turismo tem o poder de dinamizar a economia, sobretudo em algumas regiões que não contam com outra atividade econômica de destaque”.
Loureiro explica que o Fungetur é um recurso de fácil acesso, pois para pleitear o crédito basta a empresa ter registro no Cadastur, que pode ser feito no site do Ministério do Turismo.
No entanto, é preciso apresentar ao Bandes um projeto de viabilidade, com as premissas econômicas e da gestão do negócio, como fluxo de caixa, no que o recurso será aplicado e se tem autorizações e licenciamentos exigidos, de acordo com cada caso. “O crédito vai carregado de conceitos que auxiliam, inclusive, o empreendedor a utilizar o recurso da melhor forma possível e, a cada dia, procurar melhorar a sua gestão, para que ele possa continuar acessando esse crédito e aplicá-lo de maneira correta”, frisa.
Condições mais competitivas
Até outubro, neste ano, já foram cerca de R$ 5,1 milhões investidos em empreendimentos turísticos no Estado. Desde 2018, quando a linha começou a ser oferecida, foram mais de R$ 22 milhões, beneficiando bares, lanchonetes, cafés e empresas do ramo de hospedagem, entre outros empreendimentos. Os repasses foram reduzidos na época da pandemia de Covid 19, quando o Bandes operou uma linha própria emergencial, com condições mais vantajosas para as empresas do ramo, que foram mais afetadas pelo fechamento do comércio.
Agora, segundo o gerente do Bandes, o Ministério do Turismo deixou o Fungetur mais competitivo e a tendência é de aumento na concessão do crédito. “A gente tem demanda suficiente para consumir o recurso que está disponível e temos feito novos pleitos ao Ministério, para que cheguem mais recursos. O Bandes continua prospectando projetos, porque acredita que o recurso continuará a ser distribuído entre as instituições. E vamos continuar aplicando o que chegar”, diz Loureiro.
*Matéria publicada originalmente na revista ES Brasil 2018, de outubro de 2023. Leia a edição completa de Turismo


