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Crédito cooperativista: o motor da sustentabilidade no campo

Com o crédito cooperativista, entidades financiam energia renovável, preservação ambiental e sustentabilidade rural no Espírito Santo

Por Kikina Sessa

Anos antes de o termo ESG — sigla para Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança) — ganhar notoriedade global, o cooperativismo já incorporava a sustentabilidade como princípio essencial.

Definido pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI), o movimento cooperativista tem entre seus sete princípios o compromisso com o desenvolvimento sustentável da comunidade, impactando diretamente os aspectos social, econômico e ambiental.

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“Desde que as cooperativas foram constituídas, o ESG já está no DNA do cooperativismo”, afirma o diretor-executivo do Sistema OCB/ES, Carlos André Santos de Oliveira, acrescentando que um resultado econômico ético, justo, transparente e que tenha preocupação com a sustentabilidade sempre fez parte das estratégias dessas organizações.

Crédito cooperativista: o motor da sustentabilidade no campo
“Desde que as cooperativas foram constituídas, o ESG já está no DNA do cooperativismo”, afirma Carlos André Santos de Oliveira, diretor-executivo do Sistema OCB/ES – Foto: Divulgação

“As cooperativas têm tido um compromisso muito grande e responsável com essas práticas e isso tem sido extremamente positivo para os cooperados e para os colaboradores”, reforça.

Esse compromisso se traduz em ações concretas. No Espírito Santo, cooperativas agrícolas oferecem linhas de crédito voltadas para práticas sustentáveis, fomentando tecnologias limpas e soluções ecologicamente corretas.

Iniciativas como o Ecoar, Ciclos e Café Produtor de Água têm transformado o cenário rural, financiando projetos de energia renovável, preservação ambiental e eficiência produtiva.

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Impulsionando práticas sustentáveis

Algumas das principais cooperativas do estado têm direcionado recursos para financiar projetos que fortalecem a produção e reduzem impactos sobre o meio ambiente.

Entre os destaques está o Ecoar, linha de crédito do Sicoob ES voltada à energia renovável, que já financiou mais de R$ 617 milhões desde sua criação, em 2018. Os recursos possibilitaram a implementação de sistemas fotovoltaicos, biodigestores e projetos de reaproveitamento de água, beneficiando milhares de produtores rurais.

Além do Ecoar, outras iniciativas têm ampliado o acesso à energia limpa. A Ciclos, criada pelo Sicoob em 2019, oferece um sistema de assinatura para que cooperados possam reduzir custos de energia sem investimento inicial. Atualmente, sete usinas fotovoltaicas operam no Estado, garantindo mais eficiência e economia para produtores e cooperados.

A sustentabilidade também se reflete na parceria entre o Sicoob ES e a Estação Conhecimento, onde está sendo instalada uma usina solar que atenderá programas socioassistenciais voltados para esporte, cultura e qualificação profissional.

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O projeto prevê um investimento de R$ 480 mil, com expectativa de reduzir significativamente os custos de energia da instituição.

 

 “Acreditamos no poder da cooperação para gerar impacto positivo e duradouro. O investimento representa uma forma de atuar com coerência com os valores do nosso sistema cooperativo, apoiando projetos que transformam vidas e contribuem para o desenvolvimento das comunidades. A Estação Conhecimento é uma referência local na atuação com crianças, adolescentes e famílias e contribuir com uma solução que reduz custos e ainda está alinhada à pauta ESG é algo que nos enche de orgulho”, afirma o diretor-executivo do Sicoob Conexão, Alair Giuriato.

Além da economia com energia, a Estação será conduzida pelo Sicoob no processo de adesão ao Programa Gerar, do Governo do Espírito Santo, que deve proporcionar ainda uma redução adicional de 8% no custo da conta de luz.

Sustentabilidade além do crédito

O compromisso das cooperativas com a sustentabilidade vai além do financiamento. A Unicred Aliança, por exemplo, desenvolveu uma linha de crédito específica para viabilizar projetos ambientais, como a aquisição de sistemas de energia solar fotovoltaica, permitindo que produtores reduzam custos operacionais e adotem práticas mais ecológicas.

“Essa é uma forma concreta de reforçar o compromisso da cooperativa com práticas responsáveis e com o desenvolvimento sustentável dos nossos cooperados e da comunidade”, destaca o presidente do Conselho de Administração, Luiz Mauro Coelho Nascimento.

A cooperativa também atua na conscientização. Por meio da campanha “Eu Mudo o Mundo”, incentiva práticas sustentáveis no cotidiano de cooperados e colaboradores, como o uso racional da água, redução de plásticos e descarte correto de resíduos.

Crédito cooperativista: o motor da sustentabilidade no campo
“O Café Produtores de Água caminha para uma parceria com o programa Reflorestar, do governo do Estado” – Vinícius Schiavo, analista de Desenvolvimento Cooperativista do Sistema OCB/ES – Foto: Divulgação

Outro projeto de grande impacto é o programa Café Produtor de Água, uma iniciativa do Conselho Nacional do Café (CNC) em parceria com entidades que atuam no segmento da cafeicultura — no Espírito Santo as cooperativas participantes são a Cooabriel, NaterCoop, Sicoob e Cafesul. O programa, que incentiva práticas e manejos de conservação e de melhoria da cobertura vegetal, está em processo de implantação em três sub-bacias hidrográficas capixabas, localizadas nos municípios de Nova Venécia, Jaguaré e Muqui. O objetivo é reduzir erosão e sedimentação, promovendo a recomposição das matas ciliares e a proteção de nascentes – ações fundamentais para a manutenção da cafeicultura e dos recursos hídricos.

Segundo o engenheiro agrônomo Vinícius Schiavo, analista de Desenvolvimento Cooperativista do Sistema OCB/ES, que acompanha esse projeto, o Café Produtores de Água caminha para uma parceria com o programa Reflorestar, do governo do Estado, já que ambos têm como objetivo comum preservar as nascentes dentro das propriedades rurais.

 
União que faz a diferença

Segundo maior produtor de café do país, o Espírito Santo conta com cerca de 30 mil cafeicultores integrados ao sistema cooperativo, reforçando a conexão entre sustentabilidade e desenvolvimento rural. Mais do que um modelo econômico, o cooperativismo tem se consolidado como um agente transformador da qualidade de vida de famílias e da preservação ambiental no campo.

Segundo Carlos André Santos de Oliveira, diretor-executivo do Sistema OCB/ES, o “DNA” sustentável do cooperativismo está cada vez mais evidente. “Desde sua criação, o cooperativismo carrega o compromisso com a ética, a transparência e a responsabilidade socioambiental. Essa vocação se fortalece à medida que o setor expande o acesso a soluções sustentáveis e fomenta práticas que preservam recursos e valorizam produtores e comunidades.”

Seja no incentivo à energia limpa, na conservação hídrica ou na otimização dos processos produtivos, o cooperativismo se firma como uma ferramenta estratégica para impulsionar o desenvolvimento sustentável e fortalecer a economia rural.

*Matéria publicada orginalmente na revista ES Brasil nº 227, de junho de 2025. Leia a edição completa do Anuário Verde aqui.

 

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