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Expectativa do mercado é de Copom manter taxa de juros nos atuais 2%

Comitê de Política Monetária se reúne hoje (16). Chance de redução apontada anteriormente está enfraquecida pelas expectativas quanto à inflação e à manutenção do regime fiscal.

Manter a taxa de juro em 2%. Essa é a expectativa do mercado financeiro para a reunião do Conselho de Polícia Monetária do Banco Central, que se reúne nesta quarta-feira (16).

“O Copom deve mante um discurso cauteloso, em meio a incertezas políticas e riscos fiscais”, avalia o economista Clóvis Vieira, articulista da ES Brasil e responsável pelo Grupo Permanente de Acompanhamento Empresarial do Espírito Santo (GPAEES).

As atenções estarão voltadas ao comunicado, em particular à parte que corresponde à “prescrição futura”. Na ata da reunião passada, a autoridade indicou que “não elevaria a taxa de juros, mas poderia reduzi-la”. E isso, apesar de enxergar limites à queda adicional de juros impostos “por questões de natureza prudencial e de estabilidade financeira”.

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Expectativa do mercado é de Copom manter taxa de juros nos atuais 2%
Clóvis Vieira, economista, articulista da ES Brasil e responsável pelo Grupo Permanente de Acompanhamento Empresarial do Espírito Santo (GPAEES)

Mas essa prescrição estaria bastante condicionada às expectativas, tanto de mercado quanto do Banco Central, quanto à inflação e à manutenção do regime fiscal. O problema é que essas duas condicionantes da prescrição futura “parecem ter evoluído na direção de enfraquecer as chances de uma redução adicional da Selic”, explica Vieira.

Do lado da inflação, a pressão de custos captada pelos índices de preços no atacado tem alcançado intensidade surpreendente. Com isso, as projeções de mercado para o IGP-M em 2020 têm sido fortemente revistas para cima, provocando algum aumento das expectativas também para a alta do IPCA.

Ao lado disso, parece bem provável que também as projeções de inflação do Banco Central tenham se deslocado um pouco para cima desde a reunião do Copom do começo de agosto. Por fim, vale notar que a inflação para 12 meses implícita nos títulos públicos indexados a índices de preços descolou, para cima, da expectativa mediana dos analistas
de mercado captada pela sondagem Focus do Banco Central

Cenário Fiscal

Do lado fiscal, persistem preocupações quanto a um desgaste significativo e duradouro das perspectivas de longo prazo. E seu potencial impacto adverso sobre a credibilidade da dívida pública, “que já é uma das mais elevadas, como proporção do PIB, entre as economias emergente”.

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“Como temos argumentado, num contexto político em que a retomada de reformas é incerta, essas preocupações parecem ser o pano de fundo do descolamento do câmbio doméstico de fundamentos de curto prazo, determinados pela perda de força do dólar no mercado internacional e pelo refluxo do grau de aversão global ao risco”, aponta Thais Zara, economista-chefe da marca Rosenberg Associados.

Thais Zara

Esse aumento da percepção de risco fiscal tem exercido pressão sobre a inclinação da curva de juros de longo prazo. “Uma curva que passou a embutir um cenário de elevação mais acentuada de juros em relação à expectativa mediana de mercado captada pela sondagem Focus do Banco Central; e, de resto, explica em boa medida aquele
aumento da inflação implícita na evolução dos títulos públicos indexados a índices de preços”, detalha Thais.

“Vale registrar que as taxas de juros precificadas nos mercados de títulos públicos englobam, além das expectativas dos agentes sobre a taxa Selic em determinado ano, o prêmio de risco pelo prazo mais longo – então, é natural haver um descolamento
entre a curva embutida nos títulos e a curva da Pesquisa Focus. O que vem chamando a atenção é a ampliação do diferencial entre ambas, um sinal de que os mercados percebem uma elevação da taxa de juros em prazos maiores acima daquela ora contida na pesquisa Focus”, acrescenta Clóvis Vieira

Nessas circunstâncias, e num contexto em que a economia doméstica vem dando sinais mais consistentes de recuperação, não seria surpresa se, além de interromper o ciclo de flexibilização monetária, o Copom retirasse o “viés de baixa” que a prescrição futura vem conferindo à taxa básica de juros.

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“Entretanto, mesmo que reduza a janela para possíveis cortes adicionais de juros, avaliamos que o Copom deverá preservar em sua prescrição futura uma sinalização de que o juro básico não será elevado tão cedo – tomando o cuidado de reiterar que essa prescrição estará condicionada à ancoragem das expectativas inflacionárias e fiscais”, explica Vieira.

Isso porque a economia continua a operar com elevada ociosidade, contexto que tende a limitar o risco de descumprimento das metas de inflação nos próximos anos.

Inflação

Também nesta quarta-feira, a Fundação Getúlio Vargas vai apresentar o IGP-10 de setembro. “Projetamos alta +3,99%, taxa acima da vista em agosto (+2,53%).
Esperamos que o IPA-Agropecuário acelere entre agosto (+4,20%) e setembro (+8,82%), na esteira das altas de milho, feijão, soja, batata-inglesa, mandioca, tomate, abacaxi, algodão, arroz, cacau, café, bovinos e aves”, afirma Vieira.

“Também projetamos aceleração do IPA-Industrial entre julho (+3,08%) e agosto (+4,84%), com destaque para as altas de Indústria Extrativa, Produtos Alimentícios, Fumo processado e produtos do fumo, Produtos têxteis, Artigos do vestuário, Couros e artigos do vestuário, Celulose, papel e produtos de papel, Produtos químicos, Artigos de borracha e
de material plástico, Produtos de minerais não-metálicos, Produtos de metal, Máquinas e equipamentos e Móveis.”, complementa.

Com esses cenários, a expectativa é de que o IPA como um todo passe de +3,38% em agosto para +5,86% em setembro. E que o IPC-10 passará de +0,48% em agosto para +0,46% em setembro, com destaque para a queda de Vestuário e pelas taxas mais amenas em Saúde e cuidados pessoais e de Transportes.

“Por fim, esperamos que o INCC-10 passe de +1,01% em agosto para +0,72% em setembro, predominantemente pela desaceleração de mão de obra”, indica a economista.

Decisões nos EUA

Também nesta quarta-feira (17), haverá reunião do Comitê de Política Monetária do FED, o banco central dos Estados Unidos. Uma oportunidade em que serão apresentadas as projeções macroeconômicas oficiais até 2023.

“Avaliamos que o FED dará poucos detalhes adicionais sobre a mudança de seu objetivo para uma meta de inflação média, mas enfatizará seu compromisso em manter os juros baixos por tempo bastante dilatado”, diz Vieira.

segundo projeções da Rosenberg Associados/LCA é provável que a mediana das projeções dos diretores do FED aponte juro básico estacionado perto de zero até o final de 2023, mesmo que as projeções para o desempenho da economia sejam revistas para melhor.

Esse recado de que a política monetária seguirá expansionista a perder de vista deverá manter os mercados globais animados no curto prazo, apesar de os riscos à recuperação econômica continuarem significativos.

Da Redação, com análise Rosenberg Associados/LCA

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