Senador capixaba Fabiano Contarato comentou sobre episódio envolvendo ministra do Meio Ambiente na última terça-feira
Por Robson Maia
O senador capixaba Fabiano Contarato, do PT (ES), realizou um pedido público de desculpas à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que afirma ter sido vítima de violência política de gênero durante sessão da Comissão de Infraestrutura (CI). A gestora chegou a deixar a audiência após um senador afirmar que devia respeito à mulher, mas não à ministra.
O parlamentar se desculpou em nome de todo o Legislativo, durante audiência pública no Plenário, pelas falas dos senadores Marcos Rogério, do PL (RO), e Plínio Valério, do PSDB (AM). Em sessão na última terça-feira (27), os parlamentares disseram à ministra que ela não merecia respeito e que tinha que “se pôr no seu lugar”.
“Não quiseram silenciar apenas a ministra de Estado, mas todas as mulheres. Eu, como parlamentar, não poderia me omitir diante da gravidade do que aconteceu ontem aqui com Marina Silva”, declarou o senador capixaba.
O parlamentar ainda argumentou que a prática discriminatória é comum e, além de se basear em comportamentos misóginos e sexistas, busca desqualificar pessoas por suas características, como raça, gênero ou orientação sexual.
“Compete a todos nós lutarmos para abolir toda e qualquer forma de discriminação. Ser cidadão não é apenas viver em sociedade, mas transformá-la. E nós precisamos de homens e mulheres que não sejam covardes, que tenham a altivez, a determinação, a força e o vigor da ministra Marina Silva”, afirmou Contarato.
Entenda o caso
Na última terça-feira (27), a ministra Marina Silva participou de uma audiência da Comissão de Infraestrutura do Senado, mas deixou a sessão antes do fim após bate-boca com parlamentares e de ouvir de um deles que ela “não merece respeito”.
Na condição de convidada, para tratar de questões ligadas à exploração de petróleo na Margem Equatorial no Amapá, Marina Silva participou do debate por mais de três horas.
No momento mais tenso, houve uma sucessão embates. Primeiro, com o senador Omar Aziz, do PSD do Amazonas, que cobrou a liberação da obra de pavimentação da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho. A medida é alvo de controvérsias há décadas, pois cruza uma região ambientalmente sensível da Floresta Amazônica.

Na sequência, o presidente da Comissão de Infraestrutura, senador Marcos Rogéri ironizou o posicionamento da ministra, que rebateu afirmando que não seria submissa.
A decisão de encerrar a participação veio após o senador Plínio Valério afirmar que respeitava Marina Silva como mulher, mas não como ministra.
Já fora da comissão, a ministra do Meio Ambiente destacou que este não foi o primeiro embate com Plínio Valério. Em março, o senador disse em um evento que queria enforcá-la.
“Ouvir um senador dizer que não me respeita como ministra, eu não poderia ter outra atitude. Mas eu dei a chance de ele pedir desculpas. Como ele é uma pessoa que já disse que da outra vez em que eu vim aqui, também como convidada, foi muito difícil para ele ficar seis horas e dez minutos comigo sem me enforcar, e hoje ele veio aqui de novo para me agredir”, afirmou a ministra.
Na ocasião, Plínio Valério afirmou: “Marina esteve na CPI das ONGs seis horas e dez minutos. Imagine o que é tolerar a Marina seis horas e dez minutos sem enforcá-la”.
O episódio gerou uma representação contra o senador no Conselho de Ética, e Marina Silva entendeu como uma ameaça.

