Após criar comitê para analisar reflexos do tarifaço imposto por Trump, governador avalia usar recursos do Bandes e do Banestes para ajudar setores prejudicados
Por Kikina Sessa
O Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) e o Banestes podem ser usados para ajudar os setores empresariais do Estado mais afetados pela tarifa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às importações de produtos do Brasil a partir de 1º de agosto de 2025.
Em entrevista à GloboNews, o governador Renato Casagrande disse que o governo estadual está buscando fortalecer a ponte com o setor empresarial local.
“Eu não posso esperar acontecer uma redução econômica de receita para tomar uma medida. Instalei um comitê no Estado, porque não temos muita participação na relação diplomática, mas nós temos papel com relação ao setor empresarial. Vamos analisar a partir desse momento, e na conversa com os setores do aço, da celulose, de rochas, café, petróleo, que são os setores mais alcançados com a tarifa, para que a gente possa ver alguma medida local. Eu tenho um banco de desenvolvimento e um banco comercial, seja na área tributária, seja na área creditícia, podemos oferecer apoio”, disse o governador.
De acordo com Casagrande, o governo está mapeando os setores mais afetados e avaliando qual o impacto da atividade econômica na receita do Estado para ver se será necessário conter alguma despesa para manter a cultura da responsabilidade fiscal e a organização do Espírito Santo.
“Também vamos acompanhar os reflexos na arrecadação e, se preciso, ajustar despesas para preservar nossa responsabilidade fiscal”, frisou.
Na terça-feira (22) o governador havia anunciado a instituição de um comitê destinado a acompanhar e avaliar as tarifas econômicas impostas pelo governo dos Estados Unidos sobre o Brasil e os impactos diretos no Espírito Santo. O comitê é coordenado pelo vice-governador Ricardo Ferraço e terá a participação de representantes de diversas secretarias e instituições capixabas.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Espírito Santo é o segundo estado mais afetado por essas tarifas, com 28,5% de suas exportações direcionadas aos Estados Unidos, ficando atrás apenas do Ceará, que possui 44,9% de suas exportações destinadas para esse mercado.

