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domingo, 23 janeiro, 2022

A tecnologia e a fome

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A desigualdade social aumentou. Com o aumento da demanda tecnológica, tudo nesse campo ficou mais caro

Por André Gomyde

O ano de 2021 foi o da consolidação da tecnologia no nosso dia-a-dia. Com a pandemia, os modelos de trabalho e de conexão entre as pessoas se aperfeiçoaram. Por um lado, muita coisa ficou mais fácil; por outro, destacou-se seu lado perverso.

A desigualdade social aumentou. Com o aumento da demanda tecnológica, tudo nesse campo ficou mais caro. Quem não tinha acesso a essa tecnologia ficou ainda mais distante desse “novo mundo”. Enquanto a Justiça, por exemplo, mostrava sua capacidade de usar a tecnologia para ser mais ágil e para fazer audiências remotas, o cidadão mais simples algumas vezes era julgado à revelia, pelo simples fato de não ter conectividade à internet. Não conseguia acessar a audiência.

As notícias dos jornais mostravam vagas de trabalho ociosas, sem gente especializada para ocupá-las. De outro lado, os mesmos jornais noticiavam a fome. Gente pedindo pelo amor de Deus por um pé de galinha, enquanto alguns supermercadistas aproveitavam a “demanda” para cobrar R$ 8,00 o quilo do pé de galinha que, antes, era jogado fora. Onde estávamos errando? Como podia em pleno ano de 2021 pessoas morrerem de fome? Como podia um pé de galinha valer R$ 8,00 o quilo?

Éramos ruins em educação, éramos ruins em treinamento, éramos ruins em estratégias de médio e longo prazo … e daí descobrimos que éramos ruins também em solidariedade. Não havia tecnologia que pudesse resolver.

Ah, mas 2021 é um ano tão distante … Pediram-me, vejam só, que fizesse uma retrospectiva das cidades inteligentes em 2021. Não consigo. Com quase 20 milhões de pessoas passando fome, muito mais que cair na real de que escrevo este artigo no próprio ano de 2021, caí mesmo foi na real de que é preciso parar tudo, pelo menos por alguns instantes, e refletir. Refletir sobre a verdadeira perspectiva deste ano já não tão distante e que, agora, se acaba.

Muito melhor enchermo-nos de esperança, renovar nossos propósitos e pensar no ano de 2022. Esse ano sim, promete! É o ano das promessas, o ano em que muitos dirão que tem a melhor fórmula para acabar com a fome, para melhorar a saúde, a educação, a segurança… e até mesmo que vão implantar cidades inteligentes.

Pelo menos nesse aspecto das cidades inteligentes eles acertam e demonstram interesse em pensar nas próximas gerações e não somente nas próximas eleições. As cidades inteligentes, quando desenvolvidas da forma correta, são o melhor caminho para integrar tecnologias, saúde, educação, segurança e, principalmente, pessoas. As cidades, se forem humanas, inteligentes, criativas e sustentáveis (CHICS), podem promover uma vida muito melhor para todos.

Vejo no Espírito Santo uma esperança diferenciada para 2022. Pela primeira vez um governo estadual se engaja de forma assertiva no tema das CHICS e com reflexos nas cidades. O governo estadual promove o financiamento de parcerias público-privadas para iluminação pública inteligente, por meio do Bandes, e começa a promover o treinamento para governança empreendedora, inteligente e inovadora para prefeituras. Recentemente lançou, também, o Sistema Universidade do Espírito Santo, com educação profissional em Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática. O reflexo disso já se vê em diversas prefeituras do Estado que começam a caminhar o bom caminho das cidades humanas, inteligentes, criativas e sustentáveis.

Temos aí algo de bom e também de renovação de esperanças para um Feliz 2022!

André Gomyde é presidente do Instituto Brasileiro de Cidades Humanas, Inteligentes, Criativas e Sustentáveis; Mestre em administração pela FCU, nos Estados Unidos, e mestrando em arquitetura e urbanismo pela UnB. É autor e coautor de cinco livros.

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