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R$ 562 mi: as obras que prometem destravar a Grande Vitória

Saiba como as novas conexões entre Serra, Vitória e Vila Velha podem impactar, além da mobilidade na Grande Vitória, setores produtivos

Por Amanda Amaral e Letícia Arcanjo

Obras públicas de grande impacto prometem melhorar, não só o trânsito e a mobilidade em regiões estratégicas da Grande Vitória, mas também mudar a “cara” de cidades como Serra e Vila Velha. As alterações previstas vão movimentar do mercado imobiliário a cadeia logística, passando pelo turismo.

O Espírito Santo tem R$ 137,6 bilhões em investimentos anunciados até o ano de 2029, conforme dados do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN). Do montante, a construção civil concentra 38,17% dos aportes de 490 projetos em todas as regiões do Estado.

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Para Tarcisio Bahia, professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), os municípios que investem em mobilidade se tornam mais atrativos para os negócios, pois a mobilidade afeta do cidadão ao empresário. “Com menos engarrafamentos, por exemplo, o frete cai, as pessoas andam mais rápido e a mercadoria também. O município com menos problemas de mobilidade, com certeza, é capaz de atender mais empresas”, disse.

Centros logísticos e balneários

No momento, a Prefeitura da Serra se concentra na conclusão dos processos de doação de áreas, mas a Terceira Via – nova ligação entre a Serra e Vitória, pretende diminuir o tempo de travessia entre as cidades. A ideia é ligar Jardim Camburi a bairros como Balneário Carapebus, Lagoa de Carapebus, Bicanga e Jacaraípe.

O projeto – com investimento estimado em mais de R$ 240 milhões, prevê duas pistas em cada sentido e a construção de um novo viaduto sobre a Estrada de Ferro Vitória a Minas. Outro efeito previsto com a obra é a melhoria do fluxo de veículos na Terceira Ponte, entre Vila Velha e Vitória, com a migração para o litoral da Serra facilitada pela proximidade com Jardim Camburi.

A secretária de Obras da Serra, Isabela Roriz, explicou que a nova via deve induzir investimentos residenciais e comerciais, conectando regiões e valorizando áreas adjacentes. “Os setores mais impactados serão o de Logística, Serviços e o Turismo, com uma valorização acentuada dos balneários da Serra e da região de Praia de Carapebus”, disse a secretária.

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Para o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo, Paulo Baraona, os centros logísticos e de distribuição devem continuar em expansão devido a essa nova conexão direta com polos industriais e com a Norte-Sul. “A Serra tem experimentado um momento positivo em termos de crescimento, e a Terceira Via deve impulsionar o setor produtivo, industrial, logístico e imobiliário do município, ao melhorar a mobilidade e valorizar áreas industriais e litorâneas”, afirmou.

Desenvolvimento ao sul

Já em Vila Velha, desde os anos 2000, a Praia de Itaparica desponta como o bairro de maior atração de lançamentos imobiliários. Segundo especialistas, com a instalação de um binário na região, o crescimento tende a aumentar ainda mais ao Sul do município.

R$ 562 mi: as obras que prometem destravar a Grande Vitória
Espaço de deslocamento que deve ser reduzido com a Terceira Via na Serra. Foto: Google Earth

A alteração ocorre na Avenida Saturnino Rangel Mauro, que passa a operar no sentido Guarapari, enquanto a Rodovia do Sol seguirá no sentido Terceira Ponte, o contrato da obra foi orçado em aproximadamente R$ 23,8 milhões. Segundo a Prefeitura de Vila Velha, o projeto faz parte de um eixo de mobilidade de 13 quilômetros que prevê a requalificação de vias e ampliação da conectividade viária no eixo entre o Centro e os bairros litorâneos.

Para o município, os benefícios de curto prazo estão ligados à dinamização do setor da construção civil e melhoria da eficiência do transporte, reduzindo custos de deslocamento e estimulando o comércio local e a cadeia imobiliária nas áreas aprimoradas pela obra.

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Para Tarcísio Bahia, a melhoria da infraestrutura já reflete em lançamentos imobiliários, como o novo bairro planejado no cruzamento com a Rodovia Darly Santos, além do maior prédio do Espírito Santo em construção no Jockey de Itaparica. “O aumento da fluidez no trânsito potencializa o crescimento urbano em áreas como Barra do Jucu e proximidades do Shopping Boulevard, incentivando novos empreendimentos residenciais, comerciais e de serviços”, explica.

Para o diretor de Economia e Estatística do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Espírito Santo (Sinduscon-ES), Eduardo Borges, o binário na Rodovia do Sol trará um vetor de crescimento sul, que já está sinalizado em Vila Velha. “Sabemos que há lançamentos de grandes loteamentos na região do entroncamento da Rodovia Darly Santos e a Rodovia Leste-Oeste, um deles próximo ao Riviera Park [bairro Santa Paula]”, comenta.

Conexão entre as cidades

As obras que devem mudar o panorama de Vila Velha passam ainda por melhoria no Sistema Transcol com o Expresso GV – corredor exclusivo de ônibus em padrão BRT, na Avenida Carlos Lindenberg. O projeto impacta também Cariacica, pois irá conectar os dois municípios. O objetivo é reduzir o tempo de deslocamento e dar mais eficiência e previsibilidade as viagens no transporte coletivo.

Para a Secretaria de Estado de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi-ES), esse é o maior investimento em mobilidade urbana já realizado na Região Metropolitana, R$ 298,5 milhões. A extensão da faixa exclusiva de ônibus será de sete quilômetros. Para isso, serão construídas seis estações com 12 plataformas, além de ciclovia integrada ao longo do trecho e dois novos viadutos, com ligação direta à Segunda Ponte.

Resiliência

A eficiência de uma cidade em gerar negócios está diretamente ligada à sua capacidade de circulação, na opinião da conselheira do Conselho Regional de Economia (Corecon-ES), Adriana Rigoni. A economista explica que, em regiões metropolitanas, como a Grande Vitória, a conectividade entre municípios é vital.

R$ 562 mi: as obras que prometem destravar a Grande Vitória
Obras do Expresso GV devem conectar Cariacica e Vila Velha. Foto: Semobi/Governo do ES

“Melhorias nas conexões entre essas áreas reduzem o tempo de deslocamento, ampliam o acesso ao mercado de trabalho e facilitam a circulação de mercadorias. Com isso, a região passa a funcionar de forma mais integrada, fortalecendo o ambiente de negócios e ampliando o potencial de geração de renda”, explicou.

A doutora em Cidade, Segurança e Saúde e professora do Curso de Graduação em Arquitetura e Urbanismo da UVV, Paula Rabello Lyra, chama atenção para a atual exposição do planeta as mudanças do clima, e que isso cobra uma resposta das gestões públicas.

A especialista alerta que, será um diferencial, a capacidade de entregar obras que não apenas liguem pontos A e B, mas que tornem a cidade resiliente e sustentável. “Você torna a cidade capaz de enfrentar eventos climáticos. Para que os sistemas se recuperem rápido, é necessário incorporar mais arborização, investir mais em áreas verdes e qualificar o ambiente urbano. É tirar a pessoa do carro e colocar na bicicleta. É aumentar a conectividade, a integração entre os postos públicos e modais”, comentou.

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