Aristóteles Costa Neto: “Mercado imobiliário capixaba passa por uma fase de ajustes”

O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Espírito Santo (Sinduscon-ES) lançou no dia 15 de julho o 25º Censo Imobiliário. Trata-se de um levantamento dos empreendimentos imobiliários, do lançamento comercial à conclusão das obras, nos municípios de Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica e Guarapari.

A partir dos dados divulgados no 25º Censo Imobiliário, qual avaliação é possível fazer do mercado de imóveis da Grande Vitória?

O Censo confirmou nossa percepção de que o mercado imobiliário capixaba passa por uma fase de ajustes entre oferta e demanda. Os estoques vêm diminuindo, os novos lançamentos seguem um ritmo maduro, com cautela, o que nos permite prever que muito em breve voltaremos a ter um mercado vigoroso, formado por empresas locais e com produtos que atendam as demandas levantadas.

O número de unidades em construção em 2014 (30.522) é o menor desde 2009, quando 28.219 imóveis estavam nessa situação. Isso indica desaquecimento?

De certa forma sim, mas eu diria com mais segurança que vivemos um momento de ajuste entre oferta e demanda. Nos últimos anos tivemos um crescimento forte em virtude do crescimento econômico verificado no Estado e da presença de grandes empresas nacionais, que dinamizaram o mercado e elevaram muito a oferta de produtos. Agora, com a economia nacional e estadual crescendo menos, os mercados estão se ajustando a essa nova realidade. As grandes empresas já retornaram às suas bases e as locais voltam a se posicionar.

Em dois anos, as unidades em construção praticamente dobraram em Cariacica. Pode-se dizer que o mercado imobiliário está descobrindo Cariacica?

O mercado é sábio e se ajusta às realidades. Se analisarmos as demais cidades da Região Metropolitana observamos que Vitória não possui mais espaços, o PDU é mais restritivo e ainda temos o fantasma dos terrenos de marinha. Vila Velha vive também um momento importante de indefinições sobre o PDM e a Serra passou por momentos de super oferta. Assim, procuramos novos espaços e mercados. Cariacica apareceu como essa grande alternativa e vem dando certo. Mas eu diria que Viana, embora não participe ainda do Censo, poderá surgir como alternativa de novos mercados. Isso, sem falar de outros municípios que surgem com força como Cachoeiro de Itapemirim, Colatina e Linhares.

O percentual de vendas está em 76%. Neste índice, existe um padrão considerado ideal pelo Sinduscon-ES?

Este percentual confirma a sustentabilidade do mercado. Mostra que as empresas estão seguras e saudáveis. Este índice já foi menor em períodos de estoques maiores. Todavia, se ele subir muito significa que o mercado também está desequilibrado, pois representará falta de produto e os preços podem subir. Acho que o índice atual representa um estoque regulador que mantém os preços em patamares justos.

Quais são os fatores que mais dificultam o lançamento de novos empreendimentos na Grande Vitória?

Em pesquisa recente realizada pelo Sinduscon-ES apuramos que os fatores que mais inibem novos lançamentos são principalmente a burocracia das prefeituras e a insegurança de demanda. A burocracia lidera em praticamente todos os municípios da Região Metropolitana. Infelizmente, ainda não vimos atitude de nossos governantes para mudar esse tipo de coisa. A máquina é emperrada e dificulta muito o desenvolvimento das cidades. Um projeto imobiliário pode levar até dois anos para ser aprovado e licenciado. Nosso empenho permanente é no sentido de atuar para mudar isso. Mas não está fácil.

 

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